Nos seus olhos está a poesia de Al Berto

Ator e criador teatral. Aos 25 anos é um dos 5 membros dos Silly Season, companhia teatral da moda. Em breve vamos vê-lo como Al Berto em Al Berto, de Vincent Alves do Ó

Há um ano, Ricardo Teixeira, virgem de cinema, estava a viver nas nuvens. Era o escolhido para ser Al Berto em Al Berto, longa-metragem de Vicente Alves do Ó sobre a juventude do poeta alentejano. Ele e o restante elenco de jovens atores estavam em residência artística em Sines, em estágio para a rodagem que começaria no mês seguinte. O filme está agora a ser ultimado e vai ter ordem de estreia no começo do outono.

O realizador de O Amor é Lindo... Porque Sim! e Florbela fez o que não se costuma fazer: apostar num rosto novo, coisa que faz tanta falta ao nosso cinema. E apostou no de Ricardo porque o encontrou sem querer e o achou parecido com Al Berto. Coisas do destino - Ricardo Teixeira começou a ser ator profissional mal acabou o curso de ator na Escola Superior de Teatro e Cinema. E porque não há mesmo coincidências, Ricardo optou no curso na representação para cinema.

Quem está mais atento ao meio teatral independente, percebeu já que este moço nascido no Porto é um dos Silly Season, uma nova companhia de um coletivo que de forma irreverente apareceu no meio com espetáculos autoproduzidos. Eles e Os Possessos agitaram o meio teatral da capital. "Estou um bocado assustado com a proximidade da estreia", vai dizendo ao mesmo tempo que revela que é a primeira vez que está a dar uma entrevista em nome próprio. Ricardo, 25 anos, é um exemplo destes artistas da geração millennial que faz coisas, que não ficou parado à espera de subsídios ou convites.

Um rapaz-teatro que teve sempre o sonho do cinema mas que nunca tinha feito nada com uma câmara à frente. Agora, com esta estreia como protagonista, ainda continua a beliscar-se para ver se é tudo verdade, quanto mais não seja porque admira o homem a que dá vida: "Foi uma pessoa luminosa sempre cheia de vontade de ter projetos. Mal chegou de Bruxelas, depois do 25 de Abril, trouxe uma vontade imensa de replicar em Sines toda aquela loucura que por lá viu! Queria passar às pessoas tudo aquilo que lá viveu, obviamente não foi fácil - de repente, o que é que se faz com a liberdade? Foi muito interessante na rodagem sentir que as pessoas de Sines quiseram acompanhar todo filme."

Por estes dias, o jovem ator e criador teatral, vive em expectativa. Confessa que ainda não viu o filme: "Só quando vir o filme na tela é que vou perceber o que estou a sentir. Sinto é que foi um privilégio, o Vicente acreditou mesmo em mim. Ele nunca tinha visto nada meu! Disse-me sempre que o meu olhar era o do Al Berto. Curiosamente, na escola, aos 14 anos, descobri os seus textos." A escola que refere foi o Ballet Teatro do Porto, onde percebeu a sua vocação. Aliás, a base dos Silly Season veio dessa escola.

"Os Silly Season são portuenses que ficaram lisboetas. Agora estamos muito felizes: ganhámos a nossa primeira bolsa, o Criatório, da Câmara Municipal de Lisboa. É um apoio que nos vai dar tempo para trabalhar e estarmos só dedicados ao nosso teatro", refere. Aconteça o que acontecer, faz questão de vincar que os cinco Silly Season vão privilegiar sempre um teatro sem hierarquias, onde todos são encenadores, atores e criadores. Rehab, a última peça destes novos Praga, depois da passagem no Teatro Trindade, chega ao Porto em setembro e, logo a seguir, repõe em Lisboa, precisamente no espaço dos Praga. Vai ser difícil não esbarrarmos com o seu talento... O cinema português só tem a lucrar quando vai ao teatro...

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