Estreia triunfal de Justin Bieber no Pavilhão Atlântico

Depois de uma semana controversa em Londres, Justin Bieber chegou a Portugal pela primeira vez e soube como conquistar os milhares de fãs que encheram o Pavilhão Atlântico.

Justin Bieber já não é uma criança. Quem não acreditava na idade que está no bilhete de identidade do músico, certamente deixou de ter dúvidas se assistiu à sua estreia em Portugal, no Pavilhão Atlântico.

Não esquecendo as primeiras canções que possibilitaram que de um talento "perdido" nos vídeos do YouTube se tornasse num dos mais mediáticos cantores pop da atualidade, a verdade é que durante todo o espetáculo que apresentou em Lisboa Justin Bieber afirmou essa chegada à idade adulta.

A forma como na reta final do concerto provocou a sua base de fãs pela exposição do corpo, aparecendo primeiro somente com um casaco de cabedal até ao final de tronco nu, é reflexo deste manifesto de crescimento que conduz agora a sua carreira.

Ainda assim, foi com Baby, single do primeiro álbum e que durante mais de um ano foi um dos vídeos mais vistos no YouTube, que Justin Bieber deu por encerrado o concerto em Lisboa, em plena apoteose, levado ao colo pelos bailarinos e sem precisar de cantar quando os milheres de fãs o faziam por si.

Antes protagonizou outros momentos de afirmação de uma transição no seu percurso. Quando se chega à frente não apenas para cantar e dançar as coreografias já encenadas, mas também para pegar na guitarra acústica (na balada Be Alright, elevado numa plataforma que percorreu, no ar, o palco de uma ponta à outra), para fazer um solo de bateria (no final de Beauty and a Beat) ou para se sentar ao piano (nesse momento épico que foi Believe, antes do encore), Bieber quer mostrar que ele também tem mão na "máquina" que fez de si a estrela pop desta dimensão.

Isto vai ao encontro do facto deste ter sido um espetáculo assente nas canções e na figura de Justin Bieber, não tendo propriamente uma narrativa e um cuidado de encenação que outros nomes como Madonna, Britney Spears ou Beyoncé procuram nos seus concertos, apesar dos vários ecrãs e do trabalho aparatoso de luzes. Se em certos momentos aposta nos momentos coreografados (como, por exemplo, em Somebody to Love ou Never Say Never), ainda assim as danças nunca são muito trabalhadas, o que parece indiferente aos fãs. É uma outra forma de fazer entretenimento pop, que prefere, por exemplo, filmar ele mesmo não só o público em êxtase mas também a si próprio. Uma relação com as câmaras que ganha paralelo com a forma como muitos dos fãs vêem o espetáculo: de máquina em riste e pronta a registar qualquer momento.

Já se sabe que é muita a devoção que a base de fãs de Bieber tem em torno da sua persona, e ele só ajuda nessa adoração quando entra em palco elevado numas asas metálicas de anjo. Os gritos foram quase ensurdecedores e repetiram-se sempre que o cantor se aproximava um pouco mais das primeiras filas, se cumprimentava alguém, se comunicava com o público ou se mostrava, com assumida provocação, um pouco dos abdominais.

A relação conturbada com os fotógrafos paparazzi que não lhe dão um segundo de descanso também esteve representada no concerto, quando antes de cantar She Don't Like The Lights mostrou um vídeo onde era perseguido por dezenas de fotógrafos e o cantor fugia até "cair" do cimo de um prédio. Além das imagens encenadas, foram exibidos os vídeos caseiros de quando Bieber era criança e já ambicionava ser cantor, mas sempre como mote para a evolução que tem vivido nos últimos tempos.

O canadiano soube também como constantemente motivar o público e quando em One Less Lonely Girl dá a oportunidade a uma fã de estar com ele em palco, dando à jovem uma coroa de flores e mexendo-lhe no cabelo, essa relação com os fãs teve o seu auge de proximidade. Mas logo num dos primeiros temas da noite, Eenie Meenie, o cantor não deixou cumprimentar os fãs que há horas guardavam lugar na primeira fila. Curiosamente, num dos intervalos, durante o qual estava certamente no camarim da mudar de roupa, os seus bailarinos chegaram-se à frente e, com bandeiras de Portugal nas mãos, dançaram ao som Dançando Kuduro.

Percorreu os vários momentos da sua breve carreira. Da recuperação da inocência de outros tempos com One Time à pop mais trabalhada e adulta de As Long As You Love Me (um dos singles do último álbum), Justin Bieber deu aos fãs portugueses (e alguns espanhóis e brasileiros, a confiarmos nas bandeiras espalhadas pelo Atlântico) o que estes queriam e soube como brilhar sem cair nos contratempos que o têm perseguido na última semana.

Antes atuou a também canadiana Carly Rae Jepsen, que a vasta maioria conhece por esse perfeito rebuçado pop que é Call Me Maybe. Mas, mesmo sem ter a atenção que o protagonista da noite teve, Carly Rae Jepsen provou que as canções pop eletrónicas do seu álbum Kiss (2012) merecem uma renovada atenção.

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