Muitos livros, poucos autores portugueses

As novidades literárias até ao verão são muitas e boas. A ausência principal cabe à literatura nacional, quase sem nomes e livros.

O que vão ler os portugueses até ao verão? A pergunta é simples mas a cada ano marcado pela crise económica fica mais difícil dar uma resposta. Isto porque as editoras estão há mais de três anos a sofrer uma queda continuada nas vendas, mas como não baixam os altos números de livros editados - mais de 14 mil por ano -, apostam em tudo para vender qualquer coisa.

Pior, a renovação geracional dos escritores portugueses têm-se verificado com o aparecimento de vários autores, mas poucos competem com as vendas de muitos milhares de exemplares de qualidade como acontecia enquanto José Saramago era vivo. Ou Miguel Sousa Tavares escrevia um Equador. Resta a José Rodrigues dos Santos animar o mercado, pois tirando este autor poucos seduzem os leitores em quantidade, e que já em abril regressa às livrarias com o sucessor de As Flores de Lótus.

1000 frases de Vergílio Ferreira, compiladas por Luís Naves, é o título que dá início à homenagem que a editora Quetzal faz ao escritor no ano em que perfaz 100 anos do seu nascimento. Sucedem-se reedições de várias obras suas e também edições em formato eBook. Entre os clássicos ressuscitados está também Camilo Castelo Branco que a Guerra e Paz recorda através da paródia aos folhetins, O Que Fazem Mulheres. Na nova geração de autores, o destaque irá para o regresso de Afonso Cruz com Novo Manual da Enciclopédia da Estória Universal e um álbum infantil ilustrado, bem como o terceiro livro da trilogia de João Tordo. Nuno Costa Santos é outra novidade, com Céu Nublado com Boas Abertas, tal como o romance histórico de Mário Silva Carvalho, A Tomada de Madrid.

Na literatura estrangeira também regressam vários autores fundamentais. É o caso de Julian Barnes, com O Ruído do Tempo; Milan Kundera com A Brincadeira e Italo Calvino com O Barão Trepador, ou de Mario Benedetti e Knut Hamsun. Tal como o romance A Cova, de Cynan Jones, muito elogiado pela crítica inglesa. Mas é a edição da obra completa da mais recente Prémio Nobel, Svetlana Alexievich, que vai marcar a tradução este ano, com a publicação de Vozes de Chernobyl e A Guerra Não Tem Rosto de Mulher. O primeiro, o livro mais duro, e o segundo, o relato da participação feminina russa na II Guerra Mundial.

Leia a lista completa na edição em e-paper ou papel do DN

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