Misturar as velhinhas (e desafiar os sentidos)

Adufes em loop, um amolador, as velhinhas. E as tradições do país a ressurgir de outra forma. Os Sampladélicos e acabam de lançar um disco: Não nos Deixeis Cair em Tradição

Velhinhas e samples são coisa para casar? De um lado, a tradição oral portuguesa; do outro, milhares de pedaços de som em que a Música Portuguesa a Gostar Dela Própria foi partida - não estariam casadoiros, não. Até um realizador compulsivo (Tiago Pereira) e um músico viciado em sons (Sílvio Rosado) os terem juntado em concertos, ao vivo, irrepetíveis, com um e outro a lançar dos computadores fragmentos de som e imagem gravados nos confins de Portugal. Este disco que os Sampladélicos lançam na segunda-feira, Não nos Deixeis Cair em Tradição, é "uma espécie de antologia" feita com músicas "de improvisações que por acaso o Sílvio gravou".

"O que é giro nesse disco é que não tem conservantes, não tem beats, não tem sintetizadores, é feito totalmente com gravações da Música Portuguesa a Gostar Dela Própria que são cortadas em milhares de bocados." É Tiago Pereira quem começa a falar. O fundador da tal Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPAGDP), um projeto que desaguou na série O Povo Que ainda Canta, no documentário Porque não Sou o Giacometti do Século XXI, na Dança Portuguesa a Gostar Dela Própria e na Música Ibérica a Gostar Dela Própria (e, noutro universo, já desafia paladares em A Comida Portuguesa a Gostar Dela Própria).

Neste exercício de autoestima nacional, os rapazes (ambos de 43 anos) Sampladélicos apresentam--nos a música portuguesa como nunca a ouvimos, vimos ou sentimos. Adufeiras (de Monsanto) em loop com um amolador (de Montemor-o-Novo), entram os bombos, ficam as adufeiras e o amolador. Depois a viola de arame (da Madeira). E há a música das ovelhas no pasto, a polifonia de lafões, o cante. É uma miríade de sons, as imagens que se repetem. E o país e as suas tradições às cambalhotas.

Hoje, os Sampladélicos vão desmultiplicar as tradições na festa dos cinco anos da Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, no Maxime Sur Mer, em Lisboa. A eles junta-se Pedro Mestre, Alentejo Cantado, Zé Miguel da Azambuja, Manuel Fúria, Madalena Palmeirim, DJ Senhora dos Passos. A partir das 23.00.

Recorde O Povo que Ainda Canta:

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG