Ian McEwan deu abrigo a Rushdie

A 14 de Fevereiro de 1989, o ayatollah Khomeni decretou uma fatwa que condenava à morte Salman Rushdie. O escritor indo-britânico teve que passar vários anos na clandestinidade por causa do carácter "blasfemo" do seu livro Os Versículos Satânicos. Agora, um perfil do britânico Ian McEwan, a publicar na próxima edição da revista New Yorker, revela que o autor de Expiação deu abrigo ao seu amigo, pouco depois da emissão do decreto islâmico.

De acordo com um excerto do perfil publicado pelo Guardian, Rushdie escondeu-se na casa de campo de McEwan, em Cotswolds, na Inglaterra, quando soube da ameaça. "Nunca me esquecerei", revelou agora o escritor. "Na manhã seguinte acordámos cedo porque ele tinha que se ir embora. Foi terrível."

"Estávamos ao balcão da cozinha, a fazer torradas e café, enquanto ouvíamos as notícias das oito na BBC. Ele estava ao meu lado e era a principal história do dia. O Hezbollah estava empenhado em matá-lo", recorda. Salman Rushdie abandonaria o amigo pouco tempo depois. Passaria perto de uma década escondido, sob escolta policial.

À luz destes novos detalhes, torna-se agora mais fácil compreender algumas declarações proferidas por Ian McEwan contra o islão. Convém lembrar que quando há uns anos a imprensa britânica se virou contra o também escritor Martin Amis, depois de este ter criticado as comunidades muçulmanas, o autor de Expiação defendeu publicamente o seu amigo. Pouco tempo depois, também se encontrava na mira da comunicação social.

No perfil que a New Yorker de Março vai publicar, a sua relação com a fé e a espiritualidade é, de resto, um dos temas em destaque. O texto revela que, durante anos, o escritor "se interessou pelo misticismo". Hoje, porém, encara o tema com outros olhos. "Depois do 11 de Setembro o simples raciocínio parece-me bem mais atraente que os actos de fé, e já não coloco ambos no mesmo patamar."

- L.F.R. com Guardian

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