Kendrick Lamar confirmado no Super Bock

A grande figura do momento no hip hop, autor de um dos melhores discos do ano, atua a 16 de julho

Sentado nos ombros do pai, aos oito anos Kendrick Lamar descobriu o mundo do Hip Hop. No seu bairro, Compton, em Los Angeles, assistiu a Tupac e Dr Dre a gravarem o vídeo para a célebre California Love. Nesse momento, descobriu o que queria fazer, mas nessa altura também já tinha assistido a dois homicídios na rua e as marcas haveriam de se revelar permanentes. Agora, com 28 anos, e com To Pimp a Butterfly, o seu terceiro disco, a colecionar prémios, Lamar prepara-se para trazer o seu hip hop a Portugal - será um dos cabeças de cartaz de 16 de julho do Super Bock Super Rock. Para fugir aos clichés que perseguem o estilo musical, as letras não serão sobre festa, mulheres ou drogas, Lamar canta sobre a vida e o seu hip hop é, verdadeiramente, gourmet. "Não falo sobre a comunidade ou para a comunidade. Eu sou a comunidade. Falo de mim. É uma terapia", explicou à MTV.

Lamar nunca foi um rapper normal. Depois da estreia numa editora independente - com Section.80, em 2011 - assinou pela Aftermath, editora de Dr Dre, e abriu o assalto ao título de melhor rapper da sua geração. A concorrência pouco durou. Com good kid, m.A.A.d city recebeu sete nomeações para os Grammys de 2014 e mesmo que não tenha vencido nenhum, agora subiu a parada - com onze nomeações To Pimp a Butterfly é o disco mais nomeado para a cerimónia do próximo ano (Taylor Swift surge a seguir com sete) e já lhe valeu um marco na história - ultrapassou Eminem como o rapper mais nomeado para Grammys. Mas o último disco, considerado o melhor do ano por Rolling Stone, Pitchfork e Blitz, ainda bateu outro recorde. No ano em que 25 de Adele destruiu tudo à sua passagem, é de Lamar um dos recordes do Spotify: no dia do lançamento, o disco foi ouvido 9,6 milhões de vezes.

Perto do lado errado da vida

Filho de um casal natural de Chicago, Lamar já nasceu em Los Angeles depois da mãe ter feito um ultimato ao pai para que deixasse a vida no gangue com que ganhava o sustento para a casa e se mudassem. Mas Lamar, mesmo noutra cidade, também não cresceria muito longe desse ambiente. Aos cinco anos, à porta de casa assistiu a um traficante ser morto a tiro e aos oito, à saída do liceu, a um tiroteio a partir de um carro do qual resultaria outro morto. "Depois disso, ficas dormente quanto a essas coisas", confessou. Sempre bom aluno - só não entrou na Universidade porque a carreira no Rap descolou - Lamar também andou sempre perto do lado errado da vida. Ainda adolescente, foi posto fora de casa dos pais durante dois dias depois da polícia ter aparecido à sua procura e também ninguém esqueceu o dia em que apareceu em casa a chorar depois de ter sido obrigado a fugir de um tiroteio. O caminho até ao estrelato não foi linear e isso ouve-se na sua música.

Uma linha estreita

As letras são cruas e os temas variam entre as opressões aos negros norte-americanos e o caminho que Lamar teve de percorrer até chegar à realeza do Mundo do Hip Hop. Nem falta a confissão de uma depressão violenta ao ponto de o ter feito ponderar o suicídio. "Aconteceram coisas na minha cidade e na minha família que não consegui controlar ou evitar. E durante uma digressão, de autocarro, apercebi-me que a linha entre a sanidade e a insanidade é muito estreita", confessou à Rolling Stone. Mas há mais e no disco não faltam referências políticas. Lamar sabe bem onde foi buscar a inspiração para essas rimas. "Quando estive na África do Sul e vi aqueles problemas todos percebi que há gente que tem de lutar muito mais que nós. Foi um ponto de mudança", diz.

Agora, com estatuto de porta voz de uma geração já poucos lhe ficam indiferentes. E os fãs aparecem nos lugares mais inesperados. Até na Casa Branca, Obama aderiu à moda. Recentemente, quando questionado pela revista People sobre qual a sua música favorita do ano o presidente norte-americano escolheu How Much a Dollar Cost.

Jamie XX e National

Com o anúncio da presença de Lamar no último dia do festival, já sobram motivos para ir à próxima edição do festival que no ano passado abandonou o Meco para regressar a Lisboa. O primeiro dia terá os The National, Kurt Vile e outro dos músicos com um dos melhores discos do ano, Jamie XX. Para o dia 15 de Julho, estão assegurados os Bloc Party e Mac DeMarco. Com mais espaços vagos do que preenchidos na agenda do festival, o início é, pelo menos, bem promissor.

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