Passadeira azul e um dia cheio de sol: os artistas mostraram-se a Lisboa

As 43 delegações desfilaram junto ao MAAT, em Belém, com o rio Tejo como moldura. Houve elogios a Portugal, mensagens, pastéis de Belém e bacalhau espiritual.

A israelita Netta chamava a atenção com o seu vestido branco e meias altas. Os moldavos trouxeram trajes étnicos e as roupas negras e as barbas e cabelos longos e bem aparadas dos dinamarqueses sobressaíram na passadeira azul que ontem marcou a abertura do Festival da Eurovisão, em Lisboa, como se destacaram nos últimos dias nas ruas de Lisboa, por onde passearam. "As pessoas olhavam e ficavam especadas", ri-se o vocalista da banda, Jonas Flodager Rasmussen. "Os Erasmus dinamarqueses reconheceram-nos. Chamaram-nos vikings. E Game of Thrones, também".

Os termómetros chegaram aos 30º, e junto ao MAAT - Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Belém, a RTP instalou a passadeira azul que marcou a cerimónia de abertura do Festival da Eurovisão, cujas semifinais acontecem a 8 e 10 de maio e com final marcada para sábado, dia 12, na Altice Arena, no Parque das Nações.

A Albânia abriu o desfile de delegações, às 17.00, com Eugent Bushpepa, "honrado" por representar o seu país, e a Arménia, com Sevak Khanagyan, que não fala português ou inglês, mas sabe que partilha nacionalidade com o fundador da Gulbenkian. Quinze minutos depois estava desfeita a ordem alfabética de entrada em cena das delegações, ao sabor do interesse dos jornalistas e dos fãs.

Houve quem passasse com mais vontade de tirar selfies do que de conversar. Como Mikolas Josef da República Checa, visivelmente recuperado da lesão nas costas, e dos espanhóis Amaia e Alfred, ou Eleni Foureira, grega nascida na Albânia que representa o Chipre, e foi uma das mais solicitadas. Embora não tenha falado com o DN, ensaiou alguns passos da coreografia da canção Fuego.

Emilie Satt e Jean-Karl Lucas, autores de Mercy, da França, pelo contrário, quiseram explicar que a canção que trazem à Eurovisão nasceu 10 minutos depois de lerem a notícia do nascimento do nascimento desta menina, filha de refugiados, a bordo do barco do Aquaris. "Achámos que seria ótimo trazer essa mensagem", disse a cantora. "Este nascimento dá um sentimento de esperança".

Quem também passou pela passadeira azul foram as quatro apresentadoras do Festival da Eurovisão: Daniela Ruah, Catarina Furtado, Filomena Cautela e Sílvia Alberto, que apresentou várias edições do Festival da Canção e foi comentadora da Eurovisão e lembrou o jejum de 53 anos sem ganhar o concurso de música mais importante da Europa que este 2018 se quebra. "Têm sido semanas de ensaios, seguindo o guião que tem sido preparado pela equipa criativa - Nuno Galopim, Lucy Pepper e Pedro Ribeiro. "Eles adotam as nossas personalidades no texto", lembrou a atriz Daniela Ruah. Hoje, o quarteto tem a sua primeira prova, num ensaio para o júri que replica o espetáculo da primeira semifinal (exceto no que diz respeito ao revelar das votações).

Pastéis de nata e bacalhau espiritual

Uma das cantoras da delegação polaca trouxe o design nacional para a passadeira azul com um vestido negro de Fátima Lopes, mas do que mais se falou foi de comida. Cristina Caramarcu, da Roménia, teme "não caber no vestido". A culpa é do "pastel de nata", também mencionado pelo sueco Benjamin Ingrosso.

A croata Franka preferiu o bacalhau espiritual e a eslovena Lea Sirk, com a sua trança rosa tipo Elsa do Frozen, elogiou a sopa de peixe e antes de seguir caminho para a tenda onde decorria a receção institucional, por onde passou o Presidente da República, quis deixar uma mensagem em esloveno no bloco de notas do DN: "Pisite lepo o meni, sem super punca". "Escreva bem sobre mim, sou ótima rapariga".

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