Netta vem à Eurovisão dizer: "Não me podes maltratar mais"

Música "Toy" é a favorita dos fãs e casas de apostas para vencer o eurofestival da canção. Com uma mensagem de apoio ao movimento #MeToo

Netta Barzilai está sentada numa cadeira de hotel como se estivesse em casa. De sorriso aberto e escolhas de visual arrojadas - neste caso um casaco amarelo desportivo, mas com rendas nas mangas -, a cantora israelita é a favorita dos fãs e casas de apostas para vencer a próxima edição da Eurovisão, que se realiza em Lisboa. Uma perspetiva que a intérprete de Toy vê com cautela: "Estou honrada e envergonhada ao mesmo tempo por os apostadores me escolherem."

Além de trazer para o palco uma interpretação inovadora, já que a versão original da música é feita com vozes gravadas num looper, a cantora de 25 anos traz também uma mensagem forte e muito atual, de empoderamento para todos os que "já foram colocados para baixo". Os seus autores - Doron Medalie e Stav Beger - quiseram apoiar o movimento #MeToo. Com uma letra onde aparecem expressões como: "I"m not your toy/ You stupid boy" ("Não sou o teu brinquedo/ Seu rapaz estúpido").

Porém Netta quer ir mais longe e espera que a mensagem da música chegue a todas as minorias, conta em conversa com o DN. "Estou a celebrar-me a mim própria e estou orgulhosa de ser quem sou. Sou sexy e sou poderosa e não me podes maltratar mais, estou aqui para agarrar aquilo que me foi negado por tantos anos e é isso", defende a cantora que está "contente" por ser "a personagem da Eurovisão".

"Estou contente por terem escolhido esta pessoa tão fora da caixa, tão original e tão diferente. Estou a tentar manter-me super focada, tenho uma equipa fantástica a trabalhar comigo, para me manter segura, hidratada e muito focada para que eu possa fazer o meu trabalho muito bem", elogia a artista israelita que já brincou com o facto de ter passado de cantar para 200 pessoas para 200 milhões.

Em Hod HaSharon, no distrito central de Israel de onde é natural e onde ainda vive, Netta cantava em casamentos e discotecas, integrou vários grupos musicais e ganhou a quinta edição do programa HaKokhav HaBa L"Eurovizion (A próxima estrela para a Eurovisão), que a trouxe até Lisboa. Na conferência de imprensa, ontem depois do seu segundo ensaio na Altice Arena, brincou que depois desta experiência só lhe resta voltar para casa e cantar para 200 pessoas.

Ao DN confessa que seria uma honra levar o troféu para casa. "Seria fantástico para Israel ganhar no ano do seu 70º aniversário, para que todos os turistas pudessem ver o quão espetacular Israel é. Sei que não temos uma grande reputação, mas Israel é espetacular, tem vibes espetaculares, uma felicidade espetacular e convido as pessoas a verem como é, quer a Eurovisão seja lá ou não."

Conquistar a Eurovisão seria não só passar a mensagem de empoderamento a todas as minorias, mas também levar uma alegria ao seu país, que "tanto precisa", sublinha a ex-cantora da banda da Marinha, durante os dois anos de serviço militar obrigatório que o país tem. "Em Israel, todos servem nas forças armadas. Somos um país muito pequeno, estamos rodeados por muitos países hostis e somos obrigados a proteger-nos. É uma honra podermos proteger as nossas famílias, eu estive lá para animar as tropas." Agora espera dar-lhes uma nova alegria.

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