Crianças: Mais pistas do que listas para o novo ano

Um músico brasileiro, Arnaldo Antunes, e um pensador alemão, Walter Benjamin, estão entre os autores dos próximos lançamentos. Há surpresas ainda sem detalhes que nos põem de sobreaviso

Está tudo em andamento. Há livros ainda sem data certa de edição, há livros que não chegaram à gráfica, há os que ainda saem das mãos dos ilustradores e escritores. Chegam-nos esboços, títulos, sinopses, até pistas sem palavras nem imagens. Tudo junto, parece uma espécie de fábrica muito colorida onde se engendrassem histórias, gente, mundos. Uma fábrica onde, à medida que telefonamos para esta e aquela editora, vamos obtendo uma ou outra amostra do que aí vem.

Por outro lado, também há algumas listas já feitas, reedições preparadas, datas a apontar no calendário para saber o que esperar à medida que o ano avança. Haverá um pouco de tudo no ano que agora começou. Certo é que o álbum ilustrado está para ficar. E os "nomes de cartaz" da literatura para a infância são, muitas vezes, os ilustradores. Chame os miúdos, pegue na caneta e, embora não possamos prometer sempre o calendário, aponte num papel o que aí vem.

O cérebro, um músico e uma irmã

Comecemos pelas editoras independentes. Lembra-se do Lá Fora - Guia para Descobrir a Natureza, da editora Planeta Tangerina? Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso preparam agora Cá Dentro. Por dentro, entenda-se o nosso cérebro. Isabel, que além de escrever o texto - enquanto Madalena faz as ilustrações - é editora (ver entrevistas ao lado) diz que estão a trabalhar com neurocientistas.

Para meados de março podemos esperar, ainda do mesmo "planeta", Os figos são para quem passa com texto de João Gomes de Abreu e ilustrações de Bernardo P. Carvalho. Lembra-se de Arnaldo Antunes, o músico que com Marisa Monte e Carlinhos Brown formava a banda brasileira Tribalistas? É ele o autor de Imagem, que será ilustrado por Yara Kono. Mana, com texto e ilustração de Joana Estrela, venceu o I Prémio de Serpa para Álbum Ilustrado e será editado também em março. Uma pista: "Não estranhem os leitores encontrar páginas riscadas, autocolantes colados ou desenhos rabiscados sobre as imagens. A irmã mais nova passou por aqui!"

Margarida Noronha, editora da Kalandraka, não quer revelar quase nada da nova coleção que aí vem. Deixa, contudo, a promessa de Sonho com Asas, ilustrado por Fátima Afonso e com texto de Teresa Marques, que deverá estar nas livrarias em maio. A obra venceu a menção honrosa do VII Prémio Compostela em 2014.

Walter Benjamin para crianças

Miguel Gouveia, que nestes dias anda a braços com a Ilustrarte - Bienal Internacional de Ilustração para a Infância, avança que a Bruaá editará, em fevereiro, Céu de Sardas, com ilustrações de Alicia Baladan, do Uruguai, e texto da franco-portuguesa Inês d"Almeÿ. Para o segundo trimestre do ano, um livro do pensador - para resumir numa palavra a sua extensíssima obra - alemão Walter Benjamin (1892-1940), ilustrado por Marta Monteiro. Extraído de uma das emissões do programa de rádio de Benjamin para crianças, terá como título Um dia de loucos.

Na Orfeu Mini, coleção para a infância da Orfeu Negro, destaca-se A Baleia, de Benji Davies - já este mês nas livrarias -, é o primeiro trabalho do conceituado ilustrador britânico publicado em Portugal. No próximo mês chega O que aconteceu à minha irmã?, de Simona Ciraolo, autora de Quero um Abraço. Está prometido um livro de Catarina Sobral - autora de livros como O Meu Avô ou A Sereia e os Gigantes - para março. Carla Oliveira, a editora, aconselha-nos a esperar por Ahab e a Baleia Branca, do espanhol Manuel Marsol, que o construiu a partir do clássico Moby Dick, de Herman Melville.

Para não esquecermos abril

O Pato Lógico diz-nos para apontarmos para o período que vai de março a junho para esperarmos por novos títulos da coleção "Imagens que contam", com títulos de André da Loba, Catarina Sobral, Afonso Cruz ou Bernardo P. Carvalho. Outra das novidades é um atividário (glossário com atividades) - que acresce a Mar e Teatro - acerca do Estado Novo e o 25 de Abril. André Letria assina a ilustração, agora com texto de José Jorge Letria.

Uma nova Aventura

Uma Aventura na Madeira é o novo título da série de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Sai em fevereiro, editado pela Caminho, chancela da Leya. Já a Porto Editora aposta este ano na reedição de obras de Maria Alberta Menéres: Ulisses, À Beira do Lago dos Encantos, assim como a sua tradução dos Contos de Perrault, com todo o imaginário presente do criador do Capuchinho Vermelho, A Bela Adormecida ou o Gato das Botas. Todos em janeiro. Outra das novidades da editora, esta para abril, é Oh, Não! Adotei Um Elefante!, de David Walliams, ator britânico que entra nas séries Doctor Who e Little Britain. E há muito mais. Apontou até aqui?

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DN+ O sentido das coisas

O apaziguamento da arena de conflitos em que perigosamente tem sido escrita a história das relações entre as potências no ano corrente implica uma difícil operação de entendimento entre os respetivos competidores. A questão é que a decisão da reunião das duas Coreias, e a pacificação entre a Coreia do Norte e os EUA, não pode deixar de exigir aos intervenientes o tema dos valores de referência que presidam aos encontros da decisão, porque a previsão, que cada um tem necessariamente de construir, será diferente no caso de a referência de valores comuns presidir a uma nova ordem procurada, ou se um efeito apenas de armistício, se conseguido, for orientado pela avaliação dos resultados contraditórios que cada um procura realizar no futuro.

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Os floristas da Rua da Alegria, no Porto, receberam uma encomenda de cravos vermelhos para o dia seguinte e não havia cravos vermelhos. Pediram para que lhes enviassem alguns do Montijo, onde havia 20, de maneira a estarem no Porto no dia 18 de julho. Assim foi, chegaram no dia marcado. A pessoa que os encomendou foi buscá-los pela manhã. Ela queria-os todos soltos, para que pudessem, assim livres, passar de mão em mão. Quando foi buscar os cravos, os floristas da Rua da Alegria perguntaram-lhe algo parecido com isto: "Desculpe a pergunta, estes cravos são para o funeral do Dr. João Semedo?" A mulher anuiu. Os floristas da Rua da Alegria não aceitaram um cêntimo pelos cravos, os últimos que encontraram, e que tinham mandado vir no dia anterior do Montijo. Nem pensar. Os cravos eram para o Dr. João Semedo e eles queriam oferecê-los, não havia discussão possível. Os cravos que alguns e algumas de nós levámos na mão eram a prenda dos floristas da Rua da Alegria.

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Já Pascal notava que através do "divertimento" (divertissement) os indivíduos deixam-se mergulhar no torpor da futilidade agitada, afastando-se da dura meditação sobre a nossa condição finita e mortal. Com os povos acontece o mesmo. Se a história do presente tiver alguém que a queira e possa escrever no futuro, este pobre país - expropriado de alavancas económicas fundamentais e com escassa capacidade de controlar o seu destino coletivo - transformou 2018 numa espécie de ano do "triunfo dos porcos". São incontáveis as criaturas de mérito duvidoso que através do futebol, ou dos casos de polícia envolvendo tribalismo motorizado ou corrupção de alto nível, ocupam a agenda pública, transformando-se nos sátiros da nossa incapacidade de pensar o que é essencial.

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Não é possível falar da CPLP sem falar de identidade. Seja ela geográfica e territorial, linguística, económica, cultural ou política, ao falarmos da CPLP ou de uma outra sua congénere, estaremos sempre a falar de identidade. Esta constatação parece por de mais óbvia e por de menos necessária, se não vivêssemos nos tempos em que vivemos. Estes tempos, a nível das questões da identidade coletiva, são mais perigosos do que os de antigamente? À luz do que a humanidade já viveu até agora, não temos, globalmente, o direito de afirmar que sim. Mas nunca como agora foi tão fácil influenciar o processo de construção da identidade de um grupo, de uma comunidade e, inclusivamente, de um povo.