François Hollande inaugura primeiro edifício dos Aires Mateus em França

À última hora, o presidente de França anunciou que estaria esta sexta-feira na inauguração do Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, em Tours. Abre no sábado ao público.

Chamam-lhe CCC OD, sigla para Centre de Création Contemporaine Olivier Debré, o edifício concebido pelos arquitetos portugueses Manuel e Francisco Aires Mateus, em Tours. O primeiro dos dois irmãos em França.

Vencedores de um concurso com cerca de 90 propostas que teve lugar em 2012, os arquitetos pensaram um edifício que são, na verdade, dois: uma antiga escola de belas-artes, reconstruída após a II Guerra Mundial, que é agora uma grande nave de exposições, e um novo módulo, em pedra, que mais do que duplica a área expositiva. O novo Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré têm 4500 metros quadrados.

Junto ao centro histórico e tocando com a Rue Nationale, eixo central da cidade, o projeto dos irmãos Aires Mateus, começado a construir em 2014, abre ao público ainda sem o jardim que no futuro rodeará o CCC OD, parte do plano urbanístico que está a ser levado a cabo em Tours.

O CCC OD representa um investimento de 15 milhões de euros da aglomeração de Touraine e dá uma casa permanente a uma instituição que desde os anos 80 se ocupa da produção de exposições de artistas vivos (começou com uma bienal de arte em 1983). Há uma definição deste espaço de que todos fogem. "Não é um museu", sublinha o diretor-geral. É, como diz o nome, um centro de criação contemporânea, reforça Alain Julien-Laferrière. Alberga os trabalhos de artistas vivos, com encomendas como aquela que expõe o norueguês Per Barclay (Oslo, 1955) no interior de Le Nef, a antiga escola de Belas Artes. Chama-se "Oil Room" e é um recipiente de longo, mas de apenas 5 centímetros de altura, cheio de óleo, ganhando assim uma profundidade de 20 metros de altura. Mas não é propósito da instituição fazer uma coleção.

Há uma única exceção na missão do CCC OD: expor e investigar a obra do pintor abstrato francês Olivier Debré (1920-1999), cujo nome, de resto, se acrescentou ao CCC. São dele as únicas cinco obras de arte que o centro possui, doadas pelo próprio pintor depois de ter exposto quatro de seis telas nas paredes do antigo Centro de Criação Contemporânea, um antigo parque de estacionamento junto à catedral de Tours.

A família do artista doou recentemente uma coleção de 150 desenhos e foi com estas premissas - mostrar Debré e artistas contemporâneos - que os Aires Mateus trabalharam o programa para este edifício. "Eles não conheciam a obra de Debré, mas são intuitivos e inteligentes", diz o diretor-geral Alain Julien-Laferrière, dando como exemplo os cantos do edifício, que foram transformados em pequenas salas, e a inexistência de portas, mas de passagens, que fazem do percurso "uma viagem", uma palavra que se associa sempre ao pintor Olivier Debré. Não por acaso o CCC OD abre com uma exposição de telas do artistas na Noruega.

Debré expõe pela primeira vez em Oslo em 1968 e volta em 1971 para trabalhar. Durante 30 anos, regressou muitas vezes ao país, para pintar "in situ", procurando passar para a tela as sensações que a natureza lhe provocava. Destas muitas obras, foram selecionadas 42 que são mostradas na exposição Viagem à Noruega, em parceria com o museu Astrup Fearnley. "Algumas nunca foram vistas em França", segundo Julien-Laferrière.

Só uma das obras da exposição não foi pintada na Noruega, mas sim nas margens do Loire, onde Debré tinha um estúdio com vista para o rio. É uma tela de grandes dimensões (9 metros de largura por 4 de altura) a única da série de seis pensada para as paredes do CCC que poderá ser vista para já. Pertence a um banco de investimento do Luxemburgo e foi depositada aqui por três anos. Os seis quadros nunca foram vistas em conjunto. Esse momento só acontecerá em 2019, segundo o diretor.

Em diálogo com esta exposição, o CCC OD mostra uma exposição de 11 artistas contemporâneos que trabalham na Noruega, a partir da curadoria de outra artista, Thora Dolven Balke. "Mais do que escolher artistas noruegueses queria escolher artistas que mostrassem "as condições que existem na Noruega para criar arte". Por isso, entre os selecionados está o libanês Ahamad Ghossein, que estudou Belas Artes em Oslo. Por isso, Balke está representada como artista, que é, mas também como curadora. "Nos últimos anos trabalhos longe de instituições, partilhando espaços, como galeristas, curadores, produtores..."

O Centro de Criação Contemporânea é inaugurado hoje pelo presidente de França. François Hollande confirmou a sua presença esta quinta-feira. A rainha Sonja da Noruega também estará presente.

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