Duas mulheres no Ártico

Ninguém Quer a Noite, Isabel Coixet

Antes de Ninguém Quer a Noite, o último filme da catalã Isabel Coixet estreado em Portugal foi a adaptação de um romance de Philip Roth, Elegia (2008). Nele trabalhava, com alguma sensibilidade (e o mérito de Ben Kingsley), os extremos da paixão. Lembrar este título será uma maneira de nos familiarizarmos com a sua simpatia pelo retrato das relações humanas intensas, a mesma que conduziu certamente ao interesse pela expedição verídica de Josephine Peary, em direção ao Pólo Norte, atrás do marido - o explorador norte-americano Robert Peary, que em 1909 anunciou ter sido o primeiro a atingi-lo.

Juliette Binoche, personificando o delírio amoroso de Josephine, que fica estagnada no deserto branco com uma esquimó (Rinko Kikuchi), em longa espera, é o coração de Ninguém Quer a Noite... mas não consegue dar-lhe pulsação durante muito tempo. As fragilidades do filme estão por todo o lado, a começar pelo banal sentimentalismo do argumento de Miguel Barros, que só alimenta cansaço. A bem dizer, as expedições em cenários brancos já não se fazem como em The Call of the Wild, de William Wellman.

Classificação: *

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