Descobrir marionetas nas mãos, nos pés e nos objetos

Está aí mais uma Festa da Marioneta, iniciativa da Arteemrede com espetáculos em onze concelhos. Este ano a pensar nas crianças.

Verónica González é italiana e tem dois pés, como toda a gente, mas os seus pés são especiais: encarnam personagens que vivem histórias onde o absurdo e a poesia se fundem. São marionetas de carne e osso. E vão estar pela primeira vez na Festa da Marioneta, que decorre até 27 de novembro.

Iniciativa da Arteemrede, a Festa da Marioneta tem nesta edição oito espetáculos e uma oficina em circulação por onze concelhos. A saber: Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Barreiro, Moita, Montijo, Oeiras, Palmela, Santarém, Sesimbra e Sobral de Monte Agraço. A Arte-emrede é uma rede de programação cultural que neste momento agrupa 14 concelhos, de Sesimbra (o mais a sul) a Tomar (o mais a norte), incluindo Lisboa, que integrou a rede este ano e que, por isso, só começará a receber programação no próximo. A ideia é: juntos somos mais fortes. "Juntos podemos programar melhor", dirá Marta Martins, diretora executiva da Arteemrede.

"A circulação nos municípios que integram a rede é interessante para as companhias de outros pontos do país que assim se podem apresentar fora do seu território" e, por outro lado, permite que esta população desfrute de espetáculos que, de outra forma, dificilmente lá chegariam.

Na sua oitava edição, a Festa entra agora na fase de "consolidação" e está este ano centrada na programação para crianças e jovens. Como explica Marta Martins: "O teatro de marionetas e objetos está na vanguarda da criação. Há um público que já conhece este tipo de trabalho e procura estes espetáculos mais arrojados. E depois há as pessoas para quem as marionetas são algum familiar, pelas memórias que têm da infância, e que aqui se deparam com outras linguagens e formas de contar as histórias que não são as convencionais."

Além do Teatro dei Piedi, de Verónica González, há outra companhia que se apresenta pela primeira vez: o Red Cloud Teatro de Marionetas, de Aveiro, que traz Plip, um espetáculo para crianças com mais de 4 anos, falado na língua imaginária do planeta Plip.

Todas as outras companhias são repetentes mas trazem espetáculos diferentes. A Circolando, do Porto, vem com Viúva Papagaio, um espetáculo que conta a história de uma viúva que parte em busca de uma herança e de um papagaio que vive sem liberdade. A Aqui Há Gato apresenta Ninhos, um trabalho para bebés dos 6 meses aos 3 anos que explora precisamente a ideia de ninho como casa ou colo. As Partículas Elementares adaptam o conto de Alexis Tolstoi, O Nabo Gigante.

Não poderiam faltar o Teatro de Marionetas do Porto, que desta vez apresenta Barba Azul, a partir do universo de Perrault e o Teatro e Marionetas de Mandrágora, que nos traz a sua versão de Capucha Vermelha. E, a completar a programação, há uma oficina de construção de marionetas de luva (em esponja) pela Chão de Oliva. Para os mais pequenos aprenderem alguns dos segredos desta arte.

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