Curador da mostra de Miró em Serralves diz que coleção deve ficar em Portugal

O curador da exposição das obras de Miró, na posse do Estado, a realizar em Serralves entre 1 de outubro e 28 de janeiro de 2017, Robert Lubar, defende que as 85 peças devem ficar em Portugal, sem dispersão, e que merecem ser exposto em permanência.

Em respostas enviadas por correio eletrónico à agência Lusa, o curador da exposição que vai ter lugar no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, sublinhou "não haver dúvida de que a coleção merece ser exposta permanentemente, numa instituição cultural portuguesa de alta categoria".

Questionado pela Lusa sobre se concordava com a avaliação da coleção em 35 milhões de euros, que a leiloeira Christie's estabeleceu como mínimo definido para um eventual leilão que não chegou a ocorrer, Robert Lubar respondeu que "o valor económico da coleção é mais alto, mas que o valor cultural para Portugal ultrapassa os limites".

"Tendo em conta que, com a Fundação Joan Miró, em Barcelona, e a Fundação Pilar e Joan Miró, em Palma de Maiorca, esta coleção forma um triângulo cultural na Península Ibérica, o seu valor é inestimável. Manter esta coleção como um conjunto tem um alto valor cultural, tanto para Portugal como para Espanha", afirmou o também diretor científico do grupo internacional de investigação Joan Miró.

Robert Lubar disse à Lusa que as obras a serem expostas inclui "muitas, muito destacadas" peças, da carreira do artista catalão, que "demonstram as maiores preocupações artísticas de Miró".

"É uma coleção de qualidade muito alta, que nunca poderá voltar a ser construída no futuro. Diria que o conjunto faz sentido como um todo sem ser enciclopédico. Dá-nos uma visão extremamente rica da trajetória artística de Miró", acrescentou o diretor da New York University (NYU) Madrid.

A coleção em causa, proveniente do antigo Banco Português de Negócios (BPN), "inclui um total de 85 obras de Miró, do ano de 1924 até 1981", nas quais se encontram "desenhos e outras obras sobre papel, pinturas (com suportes distintos)", além de seis tapeçarias de 1973, uma escultura, colagens, uma obra da série "Telas queimadas" e várias pinturas murais.

A maioria da coleção estará exposta, "com exceção de umas quantas que não encaixam bem no tema da exposição, Joan Miró: Materialidade e Metamorfose, segundo o curador.

De acordo com informação publicada pela Fundação de Serralves, entretanto retirada da sua página, a mostra, com desenho arquitetónico de Álvaro Siza Vieira, vai incluir de 75 a 80 obras de Miró, na maioria desconhecidas do público.

O anúncio da mostra, pela Fundação de Serralves, acontece numa altura em que o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, revelou ser "desejo do Governo que os Mirós fiquem no Porto", lançando um desafio sobre a permanência da coleção na cidade.

Na segunda-feira, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, assegurou que o Porto tem condições para receber as obras de Miró, na posse do Estado, e disse já ter falado com o Governo para que, "nos próximos dias", fossem avaliados potenciais espaços.

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