Cristovinho, Coimbra e Francisco. Os D.A.M.A. rumo ao Meo Arena

É hoje. A banda ai-jesus dos adolescentes pisa, pela primeira vez, a maior sala de espetáculos do país. É o culminar de uma época de 80 concertos. Esta tarde, enquanto ultimam o cenário, as fãs começam a fazer fila.

Quando a impressão desta edição do DN chegar às mãos dos leitores, Helena Pereira já fez a viagem de Barcelos ao Porto, onde apanhou o avião que a traz a Lisboa. É fã dos D.A.M.A e pediu o dia na fábrica em que trabalha para estar no concerto desta noite, no Meo Arena, às 21.30. "Aproveitamos e passeamos por Lisboa."

Helena, 19 anos, conta estar nas imediações do recinto, no Parque das Nações, pelas 15.00. Mas não precisa de se preocupar com as filas. Tem um bilhete para a zona mais exclusiva do concerto, o Golden Circle, aquela dezena de bilhetes que garantem a proximidade ao artista e põem em perigo de extinção a fã que corre para a primeira fila. Um luxo pelo qual se paga. No caso, 40 euros. "É um bocadinho mais caro, mas vale a pena para os ver mais perto", diz ela, que já perdeu a conta ao número de concertos dos D.A.M.A. a que já assistiu. "Cerca de 50", arrisca.

Cerca de 80 concertos

Hoje, ao início da tarde, enquanto as filas se começam a formar à porta, a equipa técnica ultima a montagem do cenário que recebe Miguel Cristovinho, Miguel Coimbra e Francisco Ferreira, conhecido por Kasha. Os cantores ensaiam há um mês, desde 21 de setembro, preparando o espetáculo desta noite, diferente dos 90 que fizeram este ano, incluindo o Rock in Rio, em junho, marcado por uma chuvada intensa.

Na véspera de subir ao palco a regra é "não ensaiar". "Não quero que se chateiem com nada", explica Joaquim Fonseca, diretor do departamento de música da agência Glam, responsável pelos D.A.M.A.

A sala, a maior em Portugal, tem capacidade para 14 mil pessoas e ainda há bilhetes. Até ontem à noite, os únicos bilhetes esgotados eram os de 15 euros (balcão 2). "São dois Campos Pequenos", diz Joaquim Fonseca, lembrando os espetáculos do ano passado. É um marco. "O Meo Arena é aquele sítio que sempre fez parte do que pretenderam", diz Joaquim Fonseca, em declarações pelo telefone ao DN. Gabriel, o Pensador, que participa na canção Não Faço Questão vai estar.

Como diretor de música da Glam, agência de gestão de carreiras de atores, apresentadores e, agora, de músicos, foi Joaquim Fonseca que, em 2013, recebeu o email com os links para vídeos do trabalho dos D.A.M.A. Às vezes e A Balada do Desajeitado já lá estavam. Lembra-se do número de visualizações que o vídeo da banda já tinha: "Quase 900 mil". Conta que os três já tinham enviado o seu material a outras editoras. Ele próprio fez-se de rogado. Calcula que terá demorado 15 dias a responder. Decidiu ver o que valiam.

Da reunião em que se conheceram, saiu um desafio. "Se bem me conheço, pedi para me apresentarem umas seis, sete, oito canções". Foi, como se imagina, o que o trio fez. "Eles mostraram nove canções foi a partir daí que se começou a desenhar o projeto", explica. E a trabalhar o nome, por exemplo.

O que quer dizer o nome?

Já eram os D.A.M.A. quando bateram à porta das editoras. O acrónimo quer dizer Deixa-me Aclarar-te a Mente, Amigo. Joaquim Fonseca diz que não tentou mudar. "O melhor é adaptar", defende. E foi o que fizeram neste. Em vez de serem os Dê-á-eme-á, passaram a ser os D.A.M.A. "Estranha-se, depois entranha-se", afirma. "Os nomes têm valor porque representam uma ideia."

Não são uma banda fabricada, como faz questão de vincar quando relembra os primeiros passos do trio. "Eles já existiam", sublinha.

Os D.A.M.A. começaram em 2006 no colégio S. João de Brito, em Lisboa, onde estudavam Miguel Coimbra, 26 anos, e Francisco Pereira, 27 anos, e onde voltaram no último mês durante os ensaios para o concerto de hoje. "Tocaram para professores que foram deles", conta o diretor da Glam. Em 2012, o curso de Gestão juntou Cristovinho, 26 anos, ao grupo.

"Em termos de criatividade, eles são quase autossuficientes", explica Joaquim Fonseca. Faz uma comparação: "Em vez de ser o Miguel Araújo são três rapazes". Escrevem e compõem as suas letras e músicas. Entre os músicos portugueses, disputam atenções com Agir, Diogo Piçarra ou Dengaz ou D8.

Em 2014 saiu o primeiro disco da banda, Questão de Princípio. Vendeu mais de 30 mil exemplares e é dupla platina. O segundo, do ano passado, Dá-me um Segundo, está a caminho da segunda platina, diz a Sony, editora da banda, sem um número exato para divulgar. No Spotify, Às Vezes já foi ouvida 2,7 milhões de vezes; Não Dá está nos 1,6 milhões de escutas. Amanhã, na ressaca do concerto, é relançado este segundo álbum, com todos os vídeos, duas canções que surgiram no entretanto, mas não o tema Era Eu. "Já faz parte do próximo disco", explica o diretor da Glam.

A boy band montada por um produtor como foram os Backstreet Boys Boys ou, em Portugal, os Excesso, não é para aqui chamada. O único elo de ligação com esse mundo é o manager da banda ser um antigo elemento desta formação, Gonzo, ou melhor, Gonçalo Vasconcelos e Sousa, e a popularidade que conquistam junto dos adolescentes, aguçada pelas redes sociais. Facebook: 228 727 seguidores; Instagram: 173 mil; Twitter: 29 mil. Sem contar com as contas pessoais de cada um deles e os clube de fãs e a interação com quem os segue.

Helena Pereira conheceu Miguel Cristovinho, Miguel Coimbra e Francisco Pereira. Um mês depois, "num dia sem nada para fazer", fundou uma página e um grupo de fãs no Facebook que vai nas 19500 seguidores, mais do que as que cabem no Meo Arena.

D.A.M.A.

Meo Arena (Parque das Nações), 21.30

Bilhetes: Golden Circle - 40 euros; Plateia em pé - 18 euros; Balcão 0 - 25 euros; Balcão 1 - 22 euros; Balcão 2 - 15 euros (esgotado); Mobilidade condicionada, 15euros.

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