Cristina Branco com sotaque a cantar as canções de Chico

A cantora portuguesa é apaixonada pelo músico brasileiro desde pequena. Com a ajuda de Mário Laginha, transformou essa paixão em concerto, que vai estar no Teatro São Luiz

Quando Cristina Branco gravou o tema O Meu Amor, de Chico Buarque, há mais de dez anos, uma pessoa da editora, que era brasileira, insistiu: "Você tem de ligar ao Chico, ele vai gostar de saber que você fez essa canção." A cantora ainda aceitou o papelinho com o número de telefone com indicativo do Rio de Janeiro e, um dia, sentindo-se mais corajosa, fez a tal chamada: "Não sei se ele atendeu ou se foi outra pessoa, quando levantaram o auscultador desliguei. Não fui capaz de dizer nada."

A paixão de Cristina Branco por Chico Buarque é antiga e começou com o disco em vinil da Ópera do Malandro, que pertencia ao seu irmão. "Sempre gostei de ouvir música sozinha, nem sei explicar muito bem porquê. Lembro-me de que passei muito tempo sentada no chão, encostada à cama, a ouvir a Ópera do Malandro, até saber as letras de cor, até conseguir fazer as terceiras vozes por cima das outras, até conseguir fazer a minha própria interpretação."

"Depois, fui percebendo que havia muito mais no Chico Buarque do que música brasileira, era literatura. Foi um fascínio que ficou até hoje. O Chico faz parte da minha história e por isso gosto de o pôr nos meus discos." A paixão de Cristina Branco por Chico Buarque tornou-se pública. Nos concertos, volta e meia lá está um tema dele. Em 2003, gravou a sua versão de O Meu Amor, que é, para muitos, uma das músicas mais sensuais escritas em língua portuguesa, e colocou-a no álbum Sensus. Em 2013, integrou Construção, um tema de crítica social, no seu álbum Alegria.

Ainda assim, nada a preparou para o convite, "completamente inesperado", feito por Anabela Mota Ribeiro, para que fizesse um concerto só com temas de Chico Buarque a ser apresentado no festival Folio, em Óbidos, em outubro do ano passado. "Fiquei tão feliz por ter esta oportunidade", diz a cantora. Juntou-se a Mário Laginha e ao seu trio de jazz e encararam juntos a primeira dificuldade que foi escolher os temas, dentro do imenso repertório do músico brasileiro. "Eu fiz uma primeira seleção, que depois passou pelo Mário Laginha e, finalmente, tivemos uma ajuda preciosa do Alexandre Frazão, que é baterista e é brasileiro", conta.

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