Carla Cosmonauta aterra para uma grande aventura

Uma Aventura no Espaço está em cena entre 7 e 15 de julho e leva o teatro de marionetas ao palco do Carlos Alberto. Uma brincadeira espacial para pôr os mais pequenos a pensar

Todas as histórias infantis principiam com um "Era uma vez...". A de Carla Cosmonauta também começa assim: "Era uma vez uma menina-marioneta que, movida pela curiosidade, decide partir numa viagem espacial inesquecível..." E assim se desvela a saga de uma criança cuja idade é indefinida, que regressa à Terra depois de percorrer o cosmos e que começa a fazer a sua descoberta, com a ajuda do público, sobre a relação de cada pessoa com as diferentes dimensões do espaço.

Entre 7 e 15 de julho o palco do Teatro Carlos Alberto (TeCA), no Porto, torna-se uma espécie de nave espacial que descola para uma viagem algures entre a realidade e a imaginação. Uma Aventura no Espaço, uma coprodução entre o Teatro de Ferro e o Centro Cultural Vila Flor, é um espetáculo de marionetas vocacionado para o público mais jovem mas aberto à participação de "gente de todas as idades", como refere ao DN Igor Gandra, encenador e criador do espetáculo juntamente com Carla Veloso.

"Interessa-nos muito uma ideia de espetáculos para público jovem que tratem temas e questões que normalmente estão afastadas do imaginário dos mais novos, tentando uma abordagem que não tem uma leitura linear. No caso concreto desta peça pensamos sobre as diversas aceções da palavra "espaço". E daí partimos de uma aldeia de índios bororos, na América do Sul, que evolui e se complexifica até se tornar uma cidade com um skyline tipo Nova Iorque, que tem também uma dimensão poética", conta Igor Gandra. "Toda essa evolução levanta questões e parte de experiências partilháveis com o público, que é envolvido num jogo de descobertas e surpresas. Um jogo simples, em termos de enunciado e de regras, que também por isso se torna particularmente eficaz no sentido de colocar questões sobre as quais já toda a gente pensou mas não da maneira como as colocamos. A tudo isso junta-se a música (um piano está em cena e é também parte ativa do espetáculo) composta de propósito para esta peça; uma espécie de roupa feita por medida, já que a compositora (Fátima Fonte) acompanhou de perto os ensaios da peça", diz salientando o papel ativo de quem assiste e é convidado para circular até acabar por ajudar a construir um espetáculo em que o palco pode tomar o lugar da plateia e vice-versa.

"Sendo a personagem uma criança permite-nos colocar questões complexas e de uma certa profundidade de um modo simples", acrescenta o encenador, antes de revelar que a peça evolui até à sua conclusão numa situação em que, depois de montes de peripécias e de ter participado com o público na construção de uma cidade, a protagonista Carla Cosmonauta regressa para desafiar os espectadores a andar de ovni, instalando em cena um ambiente de feira popular.

"Tudo não passa de uma brincadeira, numa espécie de dança, com luzes e movimento, que serve para culminar o espetáculo, que termina com um pedido dessa criança, como se ela se tivesse perdido naquela feira popular e tudo aquilo que se antecedeu não tenha passado de um pequeno delírio da sua imaginação."

A peça serve também de mote à Oficina de Verão no Teatro, que propõe uma iniciação ao trabalho de manipulação de marionetas e objetos cénicos, uma iniciativa, dirigida a crianças entre os 6 e os 13 anos, que é promovida pelo Teatro Nacional São João e decorre entre os dias 8 e 15 de julho: de quarta a sexta-feira, entre as 09.00 e as 18.00, e no sábado, entre as 10.00 e as 13.00, no TeCA.

Sob a orientação de Carla Veloso e Igor Gandra, esta iniciativa serve de complemento à peça de teatro, retomando os temas e matérias do espetáculo, numa espécie de jogo com ação e canções à mistura, sendo que no dia 15 de julho, os pais são convidados a acompanhar as crianças na aventura pelo teatro de marionetas.

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