"Aladino", um musical das Arábias com lições para os miúdos

As produções do encenador Filipe La Féria para crianças já são tradição. Este ano, a história vem do clássico As Mil e Uma Noites e está em cena até maio

Irónico quanto baste, Amir concentra em si todos os buuuuuuuhs possíveis durante a sessão da manhã de Aladino, o musical de Filipe La Féria destinado às crianças e que está no Teatro Politeama até maio. O público em causa, que não terá mais de 10 anos e que vieram em visita de estudo, é inclemente até depois do cair do pano. Uma vez vilão, vilão até ao fim e, por isso, em vez de palmas, o ator João Duarte Costa recebe mais buuuuuuuhs. "Hoje não foi nada, há dias em que a casa vem abaixo", conta, voz doce e sem traço do azedume que minutos antes tinha mostrado em palco. "Para as reações, o mau também é bom", ri-se.

Amir, disposto a tudo para conquistar a princesa Jasmin, é um vilão dos livros e foi precisamente à literatura que Filipe La Féria foi buscar a história, adaptando-a de As Mil e Uma Noites, o conjunto de histórias tradicionais persas recolhidas pelo orientalista francês Antoine Galland em 12 volumes tendo como base um manuscrito do século XIV (um primeiro volume foi traduzido este ano por Hugo Maia).

Como na história escrita há muitos séculos, Jasmin prefere Aladino, o príncipe que não é príncipe. "O senhor Filipe La Féria quis basear-se na história real, da Xerazade. A história é muito fiel ao original e todas as mensagens neste musical estão bem vincadas", explica Daniel Galvão, usando o tratamento habitual quando se fala do mais conhecido encenador de musicais em Portugal.

O ator, de 22 anos, trabalha com La Féria pela terceira vez. "Fiz o Musical da Minha Vida, no Casino Estoril, depois A Pequena Sereia e agora estou a fazer o Aladino", conta. Se a cara dele não é estranha deve-se ao facto de ter participado no programa de televisão The Voice. Paralelamente, continua a trabalhar com Henrique Feist. Este ano, ao contrário do último, calhou-lhe um papel exigente. "No ano passado, eu só desfilava os fatos", ri-se.

Era Carina Leitão, a princesa, quem tinha a fatia de leão em palco. Este ano, em papéis invertidos, ela acumula o musical infantil com a participação no musical que está no Casino Estoril. Juntos, eles protagonizam alguns dos momentos mais chamativos do espetáculo: em cima de um "tapete mágico". Em voo, eles cantam para a plateia e conseguem o impossível: silêncio. "O início foi um bocadinho assustador", admite a atriz Carina Leitão. O espaço é exíguo para Aladino, a princesa e... a sua coroa.

O que não se vê desde a plateia e os miúdos não imaginam é que esse "voo" é feito manualmente. Lá em cima, na teia, um técnico manobra a plataforma, outro eleva-a. "Eu só me sento e vou passear", agradece Carina Leitão. "E é estável o suficiente para nos sentirmos seguros", refere. Em palco mantém a pose e o sorriso. A atriz, como o restante elenco de Aladino, é repetente em produções de La Féria. Professora e fadista, chegou ao Teatro Politeama depois de ter feito A Branca de Neve no Gelo.

João Frizza, já despido do seu fato brilhante de génio da lâmpada, junta-se à conversa na qualidade de veterano colaborador de La Féria. "Estreei-me com o Filipe em 2011, em O Melhor de La Féria, estive um ano parado, depois voltei em 2012 e não saí até agora."

Nos camarins, a recuperar entre uma sessão para escolas e outra - eram três apresentações na quinta-feira em que o DN foi conhecer os protagonistas de Aladino - o ator João Duarte conta a sua história. Há um ano, era o caranguejo de A Pequena Sereia, já foi assistente de encenação de La Féria na Comédia Fantástica e voltou agora aos musicais para os mais novos. Na sua história de 28 anos, o teatro musical nunca fez parte dos planos, mas quando o encenador o convidou "jamais diria que não".

Filipe La Féria, conta o ator, lançou o desafio depois de ver João Duarte Costa em Tropa Fandanga, teatro de revista com o selo do Teatro Praga, com o qual há de voltar a trabalhar neste ano. "Estou aqui há dois anos e agora vou fazer outras coisas, já falei com o Filipe", conta, numa pausa para almoço, quase a terminar, para começar a terceira sessão do dia para cerca de 700 crianças.

Aladino está no Teatro Politeama, Lisboa, até maio. Sessões aos sábados e domingos para famílias, às 15.00. Bilhetes: 7,5 euros (2º Balcão), 10 euros (1º Balcão); 12,5 euros (camarotes e 2ª Tribuna); 15 euros (Plateia e 1ª Tribuna).

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