5 espetáculos imperdíveis do Festival de Almada

Rodrigo Francisco, diretor do festival, dá cinco pistas sobre outros tantos espetáculos apresentados nesta 34ª edição.

Golem da companhia inglesa 1927, estreia pela primeira vez em Portugal

É um espetáculo que vem de Inglaterra mas que tem viajado por todo o mundo. O Golem é uma figura de tradição judaica que quer dizer "coisa", é um monstro de argila informe, é uma espécie de escravo que um homem adquire para que este faça o seu trabalho, para ele poder ter tempos livres, acontece que os tempos livres passam a ser insuportáveis. É uma peça sobre o domínio destes gadgets, que hoje temos, que acabam por nos dominar a nós".

Vangelo de Pippo Delbono, Teatro Nacional D. Maria II

"Este encenador italiano tem já uma relação antiga com o Festival. Em Vangelo, ele faz um espetáculo a partir dum pedido da sua mãe, para fazer uma peça sobre o Evangelho. Pippo Delbono parte desse repto da mãe e escreve uma peça sobre os refugiados e, sobretudo, sobre a perversão que tem sido a leitura desses evangelhos, (...) ao abrigo dos quais se tem praticado os piores horrores".

Une Île flottante com encenação de Christoph Marthaler

É a história de dois casais burgueses que querem casar os filhos e fingem ter mais do que têm para elevar o seu dote. É um vaudeville existencialista que pega neste material cómico e se serve dele para ilustrar várias situações que nos mostram um certo absurdo da nossa existência e que nos vai deixar bastante perplexos, à boa maneira de Marthaler.

Moeder, da companhia belga Peeping Tom, CCB

"É um espetáculo de teatro-dança que tem feito uma digressão mundial cuja encenadora argentina Gabriela Carrizo procura perceber que sons é que definem os bailarinos ou os objetos. Todos os sons que estão a acontecer em palco estão a ser "feitos" numa cabine em pós-produção, tem um grande impacto visual.

A História do Cerco de Lisboa, com dramaturgia de José Gabriel Antuñano e encenação de Ignacio García

É uma co-produção entre quatro companhias de teatro independentes - a Companhia de Teatro de Almada, o Teatro dos Aloés, a Companhia de Teatro de Braga e a Companhia de Teatro de Faro - que se juntam para um espetáculo com 37 sessões nestas quatro cidades. É um exemplo de serviço público, acho eu, que as companhias independentes podem prestar, hoje em dia. Esta peça é uma adaptação da "História do Cerco de Lisboa", um romance menos conhecido de José Saramago, um romance sobre a construção de um romance. (...) de certa forma, há um paralelo entre o revisor Raimundo que se revolta e em vez de um "sim" escreve um "não", causa um grande problema lá na editora, e a segunda protagonista Maria Sara desafia-o, já que ele teve esse ato de revelia e de criação, para que ele próprio escreva o romance. É um espetáculo que foge ao costumismo, muito despojado, houve essa preocupação, o que está em causa é a palavra e o jogo da representação".

Exclusivos