Xanana ordena captura do major Alfredo Reinado

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O Presidente timorense revelou ontem ter autorizado a captura do major Alfredo Reinado, o antigo comandante da Polícia Militar (PM) que ganhou um protagonismo inesperado durante a crise que Timor-Leste viveu em meados do ano passado.

As declarações de Xanana Gusmão foram feitas menos de um dia depois de um grupo liderado por Reinado ter assaltado três postos da polícia junto à fronteira com a Indonésia, apropriando-se das respectivas armas e munições. Por sinal diferentes daquelas a que o ex-comandante da PM está habituado, uma vez que o armamento das forças armadas (F-FDTL) é distinto daquele que é utilizado pela polícia timorense (PNTL).

"Reinado passou dos limites", frisou Xanana, numa declaração em tétum, posteriormente divulgada pela televisão. "Fizemos o possível para evitar uma solução militar", acrescentou o Presidente, sublinhando que Alfredo Reinado aproveitou todos os contactos com as autoridades para as tentar manipular.

Na sua declaração, Xanana adiantou ainda ter autorizado as Forças de Estabilização Internacionais (ISF), compostas essencialmente por australianos, a capturarem Reinado, que há uns meses foi detido em Díli no âmbito de uma operação da GNR para depois ser entregue às forças de Camberra, que terão colaborado depois na sua evasão.

Sem que até ao momento se tenha percebido as razões deste comportamento das forças australianas, cujo comandante chegou a avistar-se com Reinado, quando ele já estava a monte.

O que terá mudado, entretanto, para que Reinado tenha deixado de ser útil, ao ponto de a Indonésia se ter também apressado a fechar a fronteira?

Será que a sua utilidade se esgotou no momento em que o líder da Fretilin, Mari Alkatiri, deixou de ser primeiro-ministro, como Reinado defendia?

Provavelmente, sim. Mas o facto é que a protecção da Austrália e do próprio Xanana só se tornaram visíveis depois da queda de Alkatiri. Ao ponto de o procurador-geral da República , Longuinhos Monteiro, ter tentado ainda há pouco chegar a um acordo com o ex-comandante da PM. Para escândalo de quem só se apercebeu depois. Como o general Taur Matan Ruak, que comanda as F-FDTL, e que terá exigido a sua captura, recusando colaborar na detenção de elementos relacionados com a violência que se sente em Díli.

O que pressupõe que a captura de Reinado pode estar por horas, restando apenas saber se ele será capturado vivo .

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