"Se isto não merece uma revisão constitucional eu não sei o que mereça uma revisão constitucional". Taxativamente, António Costa comprometeu-se hoje com a ideia de uma alteração à Lei Fundamental que permita a criação de tribunais especiais de instrução e julgamento dos casos de violência doméstica..A promessa foi feita no encerramento da convenção em Lisboa com que o PS aprovou o programa que levará a votos nas próximas eleições legislativas..É necessário, no caso da violência doméstica, uma "abordagem judicial integrada" e "aqui está uma razão para uma revisão constitucional", insistiu o líder socialista..Costa foi, nesta matéria, mais categórico do que aqui que afirma o programa eleitoral do PS, onde se admite apenas "equacionar a possibilidade de, no atual quadro constitucional, e através da análise de experiências comparadas, concretizar uma abordagem judiciária integrada no que se refere à decisão dos processos criminais, tutelares e de promoção e proteção relativos à prática de crimes contra vítimas especialmente vulneráveis, de acordo com as recomendações do Grupo de Peritos para o Combate à Violência contra as Mulheres e à Violência Doméstica do Conselho da Europa"..Saúde, a "joia da coroa".Na intervenção com que encerrou a convenção programática do PS - realizada no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa -, o chefe do PS prometeu que a Saúde será na próxima legislatura "a joia da coroa" da ação governativa em termos de investimento público..Costa aproveitou para também prometer "uma combate sem tréguas" à corrupção, dizendo que será exigido um relatório de três em três meses onde a procuradoria-geral da República terá de explicar "o uso ou não uso" dos meios que tem ao dispor, nomeadamente legais, para o combate à corrupção..O PS proporá também medidas legislativas de reforço das punições de inibição de exercício de atividade tanto para gestores privados condenados por corrupção como para políticos - duplicando-se nestes, de cinco para dez anos, a proibição de exercício de cargos públicos, em caso de condenação.."Erradicar a pobreza em Portugal".Outra prioridade da ação governativa na próxima legislatura será, segundo António Costa, "erradicar a pobreza em Portugal e tirar toda a gente da pobreza"..Embora, segundo salientou, na atual legislatura já 180 mil pessoas tenham deixado de viver abaixo do limiar da pobreza, é "dever" do PS prosseguir o esforço. No programa eleitoral aprovado, o PS compromete-se com a ideia de lançar uma Estratégia Nacional de Combate à Pobreza..Dizendo que um dos grupos em foco será o dos idosos, António Costa garantiu que o Complemento Solidário para Idosos será atribuído a todas as pessoas que tenham um rendimento inferior ao limiar da pobreza..O líder socialista repetiu também um outra meta a prazo: a de até Abril de 2024 - quando o país celebrar os 50 anos do 25 de Abril - fazer com que todas as famílias portuguesas tenham uma "habitação condigna". Atualmente - disse - 26 mil não têm..12 mil camas universitárias.Neste contexto - prosseguiu - o Estado deverá também perseguir o objetivo de em dez anos aumentar para 5% o peso no mercado imobiliário da oferta pública de habitação (atualmente esse peso é de 2%). Ou seja: construir nesse período (dez anos) 170 mil novos fogos habitacionais. "É preciso chegar ao 25 de Abril de 2024 com todas as famílias com habitação condigna", insistiu..Outro compromisso anunciado foi o de reforçar a oferta de residências universitárias - porque o custo da habitação de um estudante é para muitos "uma segunda propina". Assim, pretende-se que a oferta aumente em 12 mil camas nos próximos quatro anos..Já num registo de claro apelo ao voto, Costa disse - sem nunca referir o objetivo da maioria absoluta - que o PS tem "as condições para fazer na próxima legislatura ainda mais e melhor" do que na atual legislatura. Por isso, o voto que pede aos portugueses "não é para receber um prémio, é para renovar a confiança".."Hoje podemos dizer: cumprimos aquilo com que nos comprometemos há quatro anos. Não vivemos só para o dia a dia. Temos políticas e medidas para os desafios de médio e longo prazo. Queremos, podemos e sabemos fazer mais e melhor", concluiu.