Vida e obra de Fernanda Botelho em retrospectiva na 2

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A 2 conclui hoje uma trilogia sobre a vida e obra de grandes escritores portugueses, que passou por Agustina Bessa-Luís e por Luiz Pacheco, e que revisita agora a vida e obra de Fernanda Botelho, no espaço Vidas, pelas 22.30.

O documentário Fernanda Botelho "180.º", com 50 minutos, foi realizado por António José de Almeida, contando com guião da jornalista Anabela Almeida e direcção de fotografia de Jorge Afonso. Através de vários testemunhos de outros escritores que conviveram com a autora, e também testemunhos da própria Fernanda Botelho, o documentário mostra uma das escritoras mais vanguardistas dos anos 50. O trabalho conta ainda com explicações de Joana Marques de Almeida, que se especializou na sua obra, em que são abordados temas como o adultério feminino e as ménages a trois de forma directa e sem preconceitos. A escritora contribuiu assim para a emancipação da mulher, apesar de não ter tido um papel activo nas ruas.

Fernanda Botelho nasceu no Porto, em 1926, filha de uma família aristocrática com um sentido de austeridade com o qual iria romper. Quis entrar em Direito, mas tal foi-lhe proibido pela mãe, que conseguiu levá-la a um "curso de mulheres", em Coimbra. Depois de ter iniciado os estudos, considerou que o meio coimbrão era demasiado conservador e muda-se para Lisboa. "Quando cheguei a Lisboa, à estação do Rossio, parecia que tinha chegado ao paraíso", diz Fernanda Botelho. Os testemunhos de autores como António Manuel Couto Viana ou Urbano Tavares Rodrigues contam o percurso da escritora e explicam a influência de David Mourão-Ferreira, que se tornou um "mentor espiritual".

Apesar de se ter estreado como poetisa na revista literária Távola Redonda, Fernanda Botelho quis dedicar-se à prosa, lançando a sua carreira com O Enigma das Sete Alíneas, em 1956, mas é no Lourenço é nome de Jogral, de 1971, que a própria confessa haver uma forte nota autobiográfica. O seu último livro, Os Gritos da Minha Dança, foi editado em 2003.

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