Uma herança que alia arte e história transformada em hotel

Um palacete de estilo rococó que foi retiro de verão da família real e um edifício mais moderno com obra de fachada de Vhils albergam agora um boutique hotel com 19 quartos e suites e uma vista ampla para o mar da baía de Cascais. É o Artsy.
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Um palacete e um edifício contemporâneo. A história e a arte. As memórias e a modernidade. O Artsy Cascais, um novo boutique hotel de luxo que acaba de abrir no centro de Cascais, é um local de contrastes ou não resultasse da conjugação de um palacete antigo do século XIX e de um outro edifício mais recente com uma instalação artística de Vhils a cobrir a fachada.

A casa antiga, com estilo rococó, data de 1899 e foi retiro de verão da família real. Pertenceu ao industrial Alfredo da Silva, mas chegou às mãos do avô materno de Francisco Maria Balsemão, que ali passava as férias de verão durante a adolescência. Quando herdou a casa, o agora vice-presidente do grupo Impresa (que detém a SIC e o Expresso), percebeu que esta era grande de mais para viver e decidiu que seria perfeita para a construção de um hotel. E aproveitou o pátio para expandir o projeto ao edifício do lado, o tal onde Vhils deixou a sua marca. Estes dois edifícios unem-se agora através de uma estrutura de vidro, que simbolicamente representa a passagem "direta" entre os séculos. XIX e XXI.

O projeto de arquitetura é de Pedro Gomes Fernandes e o projeto de decoração e design do interior ficou a cargo de Marta Carreira, que assim se estreia na hotelaria. Os 19 quartos e suites estão divididos em quatro pisos e têm seis categorias com preços a partir de 210 euros (época baixa).

A decoração caracteriza-se por tons neutros e tecidos crus, destacados por um projeto de iluminação cuidado, e pelas peças de arte que pontuam as áreas públicas do hotel, como uma cópia de um auto-retrato de Rembrandt assinada pela artista londrina Fipsi Seilern ou peças de Alice Morey, Daniel Lergon, João Gabriel e João Vasco Paiva. A ideia que guiou a decoradora foi "mergulhar o hotel na sua envolvente" trazendo para os quartos elementos de areia e mar que remetem para as praias de Cascais e para a aura boémia da vila.

Os hóspedes que fiquem instalados no palacete terão quartos com tetos altos e com grandes janelas, de alto a baixo, com vistas das ruas e jardins de Cascais e, em certos quartos, da baía e do mar. Os hóspedes que optem por ficar num dos quartos na ala moderna terão a experiência de dormir dentro de uma escultura e acordar envolvidos pela luz que atravessa a instalação de Vhils, que abraça as janelas do lado de fora.

"O nosso objetivo foi transformar um palacete do século XIX num hotel de charme de 5 estrelas, demonstrando o melhor de Cascais e trabalhando em colaboração com artistas e produtores nacionais. O conceito do hotel foca-se na criação de uma ligação entre a arte e a história, mas também entre o clássico e antigo e o moderno e contemporâneo," afirma Francisco Pestana, diretor-geral do hotel, em comunicado.

No piso térreo, o Artsy conta com um Library Bar, para trabalhar ou relaxar, e um restaurante encabeçado pelo chef Daniel Estriga, o Art. Aberto de terça a domingo entre as 19h00 e a 1h00, oferece uma experiência personalizada e um menu flexível focado essencialmente em evidenciar os produtos do mar, mas também com pratos com "influências do mundo inteiro, incluindo tradições portuguesas reajustadas à realidade dos nossos dias".

O Rooftop do Artsy, exclusivo para hóspedes, tem uma piscina aquecida entre os 26 e os 30 graus, um honesty bar onde os hóspedes podem fazer os seus próprios cocktails, e vista sobre a zona histórica de Cascais.

sofia.fonseca@dn.pt

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