Biografias de vultos históricos como Fidel ou Hitler, em vez de romances policiais assinados por Conan Doyle ou Agatha Christie, ocupam parte das férias do novo presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC) da PJ, eleito na semana passada..Filho de pai português e de mãe espanhola, Carlos Garcia entrou para a Polícia Judiciária em 1990 e, após o estágio, foi colocado na Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, de onde nunca mais saiu. "Agarrei-me ao pó e, agora, já não quero outra v ida", graceja ao descrever a sua carreira..Antes de fazer as provas no concurso para a polícia de investigação, e após ter equacionado ainda a hipótese de se matricular no Técnico em Engenharia Electrotécnica, esteve quase seis anos na Polícia Aérea, para onde entrou como voluntário, acabando com a patente de tenente na antiga Esquadra n.º 11 (actual Estação de Radar n.º 3 da Força Aérea), na serra de Montejunto. Mas Carlos Garcia não consegue precisar de onde lhe vem o fascínio pela tropa e pela polícia, pois não há tradição de fardas na família lisboeta nem na espanhola..Adepto do Real de Madrid, por influência do avô materno, com quem passava férias em Valência de Alcântara (Cáceres), e do Sporting, o emblema do avô paterno, Carlos Garcia está hoje ligado à secção de andebol do clube lisboeta, onde o seu filho integra a equipa de infantis. E parece falar com tanto à-vontade sobre o Dia do Andebol do Spor-ting - o jogo dos quartos-de-final com os romenos do Stiinta Mu-nicipal Dedeman Ba-cau, a 28 de Março, serviu de pretexto para fomentar aquela modalidade entre os jovens dos 8 aos 12 anos - como acerca das rotas do tráfico de cocaína ou de ecstasy..Na sua vida de polícia já viu todas as formas de os traficantes tentarem dissimular a droga, das fraldas dos bebés às próteses de quem viaja em cadeira de rodas. Tendo participado em várias das operações em que a PJ fez apreensões de várias toneladas de coca e de haxixe (as drogas em que Portugal é uma das portas de entrada para o mercado europeu), disserta com facilidade acerca dos cargueiros com contento-res, dos veleiros que tocavam os Açores, dos correios que viajam nos aviões provenientes de Caracas ou de Bissau..Colega na Escola Secundária Gil Vicente do antigo futebolista do Sporting Mário Jorge e do actual ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, envolveu-se na estrutura sindical em 2001, como tesoureiro da Direcção Regional da Grande Lisboa e Ilhas e, desde 2004, foi eleito secretário-geral da Direcção Nacional da ASFIC..Admirador da imagem mítica de Che Guevara em novo, foi também um dos jovens católicos da Paróquia dos Anjos que se deslocaram a Roma para retribuir a visita do Papa João Paulo II - "e, na Capela Sistina, sentimo-nos pequenos", sintetiza..Praticante de pesca à linha e de caça submarina, passa férias numa casa perto de Peniche e por ali apanha sargos, polvos, robalos - embora, gastrónomo de carnes, apenas aprecie, de vez em quando, um peixe grelhado. Nas pausas da pesca, dedica-se então à leitura, revelando um gosto que vai da obra completa de Eça de Queirós aos best- -sellers de Dan Brown, passando por Harry Potter e pelas biografias. E se não liga aos policiais clássicos, o mesmo não sucede com os livros do seu colega Carlos Ademar, que (à excepção de O Homem da Car-bonária) se baseou em factos vividos na PJ para escrever O Caso da Rua Direita, Estranha Forma de Vida, Memórias de Um Assassino Romântico e (num cenário anterior ao 25 de Abril) Primavera Adiada.