A PSP deteve hoje 23 ativistas pelo clima durante dois protestos realizados em Lisboa, 19 dos quais no Ministério das Infraestruturas, informou esta polícia..Fonte da Polícia de Segurança Pública disse à agência Lusa que os 19 ativistas foram detidos por se terem introduzido num lugar vedado ao público, dentro do Ministério das Infraestruturas..Foram ainda detidos por desobediência à polícia..Segundo a PSP, os outros quatro ativistas foram detidos de manhã no Ministério do Ambiente, três dos quais por desobediência por não terem cumprido a ordem da polícia e um por resistência e coação por ter tentado tirar "a arma a um polícia"..A dirigente do movimento Greve Climática Estudantil Matilde Alvim indicou que os ativistas detidos no Ministério das Infraestruturas foram levados para a esquadra da Penha de França, Lisboa, local onde decorre esta tarde uma vigília de protesto em solidariedade com os detidos..Cerca de 50 jovens ativistas concentraram-se cerca das 11:30 no Largo Camões, tendo desfilado pouco depois em direção ao Ministério do Ambiente, mas a marcha foi momentaneamente interrompida quando a polícia revistou três manifestantes aos quais apreendeu dois "engenhos pirotécnicos" e um saco com tintas..O desfile prosseguiu com palavras de ordem contra a exploração de energia fóssil e, ao subirem a Rua do Século, já próximo ao Ministério do Ambiente, os manifestantes conseguiram libertar fumos nas cores de vermelho, verde e negro de engenhos semelhantes aos apreendidos pela PSP..Os manifestantes tentaram derrubar a barreira policial colocada junto ao Ministério do Ambiente, o que gerou alguns momentos de tensão e levou às três detenções..Por volta das 12:00, um agente da PSP avisou o comando que se a situação se mantivesse "teria de usar outro tipo de força", tendo poucos minutos depois chegado um núcleo da Equipa de Prevenção e Reação Imediata (EPRI)..Em declarações à Lusa, Beatriz Xavier, porta-voz do movimento fim ao fóssil, disse que são necessárias "ações disruptivas" para fazer mudar o sistema.."Se é para ter um futuro tem de ser disruptiva", acrescentou Beatriz lembrando que para hoje ter direito ao voto outras mulheres tiveram de lutar no passado..Os jovens adaptaram à luta em defesa do clima o cântico italiano transformado em hino de resistência "bella ciao", gritando que sem mudança "terra ciao"..Durante o percurso entre o Largo Camões e o edifício da Rua do Século onde está instalado o Ministério tutelado por Duarte Cordeiro várias foram as palavras de ordem: "Não há paz até ao último inverno de gás", "não há direito à vida sem a transição" energética, "fim ao fóssil até 2030"..Os estudantes que dão corpo a esta luta defendem um sistema público de energia limpa..Já perto do final da manifestação uma palavra dirigida ao ministro: "Duarte Cordeiro ganha 'colhões' não mandes a polícia para as revoluções"..À porta do Ministério do Ambiente, os estudantes que se movem pelo fim ao fóssil anunciaram outros camaradas se encontravam a tentar ocupar o Ministério das Infraestruturas dando corpo a outro slogan usado na manifestação - Ocupar e bloquear..Em comunicado divulgado ao final da manhã, o grupo de ativistas deu também conta de uma ação no Ministério das Finanças com o mesmo propósito..Os estudantes exigem uma "mudança sistémica" que envolva todos os ministérios na defesa do planeta e na transição para energias renováveis..Os ativistas têm realizado manifestações e ações para reivindicar o fim ao fóssil até 2030 e eletricidade 100% renovável e acessível até 2025, garantindo que este é o último inverno em que o gás fóssil é utilizado em Portugal. Para o dia de hoje, o estudantes pretendiam "ocupar" o Ministério do Ambiente, numa ação a que chamaram "visita de estudo".