O Estádio Nacional (EN) sofre inúmeras críticas dos mais mediáticos agentes do desporto nacional sempre que volta a ser palco da Taça de Portugal, como acontece amanhã entre o Benfica e o Vitória de Setúbal (17.00). Essas críticas procuraram sempre minimizar o potencial desportivo do recinto e afastar as grandes competições desse complexo desportivo, como aconteceu com o Euro 2004..Mas as opiniões dividem-se. Para Pinto da Costa, presidente do FC Porto, o EN é o "Estádio Municipal de Oeiras", sem condições mínimas para realizar uma final da Taça de Portugal; para Vicen- te Moura, presidente do Comité Olímpico de Portugal, é o maior complexo desportivo do País, capaz de se transformar no pólo desportivo da candidatura de Lisboa aos Jogos Olímpicos..Apesar da construção de dez novos estádios para o Euro 2004, o EN não integrou esse projecto europeu que o poderia ter modernizado. Nunca se libertou do estigma de ser uma das mais importantes obras do Estado Novo nem de ser um símbolo da macrocefalia do desporto português. Vítima de ausência de um plano de desenvolvimento. Esquecidos pelos sucessivos governos, inúmeros projectos de modernização foram ficando na gaveta. Ficou vulnerável a muitos crimes ambientais, que o transformaram numa enorme lixeira. Sofre ainda uma enorme pressão urbanística. .Ainda assim, o Complexo Desportivo do Jamor (CDJ) - os 220 hectares que envolvem o EN - vive neste momento uma das maiores transformações que o aproximam das condições mínimas para a prática desportiva de lazer e alta competição em Portugal..O director do CDJ, Albino Maria, rejeita muitas das críticas que sempre surgem antes do final da Taça de Portugal e assume que estão a ser lançados os alicerces para melhorar as condições desse espaço "Todos os meses é procurado por milhares de cidadãos e pelas mais importantes instituições (federações e clubes). Aí organizam- -se grandes eventos desportivos como o final da Taça de Portugal, o Estoril Open e o Crosse de Oeiras. Na última década nasceram à sua volta inúmeros ginásios privados que desvalorizam as velhas instalações do EN. Mas procurou resistir e acompanhar esses avanços, assinando parcerias de utilização com federações e clubes, mas "sem nunca ceder às pressões de grupos privados". Para o responsável pelo complexo, "o CDJ deverá manter a sua vocação de espaço público, não alienado a instituições que o querem explorar como um clube privado. É nesse sentido que, segundo Albino Maria, "surgem os projectos do novo estádio de ténis, o campo de golfe, o centro de estágio, a nova piscina. Projectos com uma vertente de utilidade pública que podem ser utilizados pelo cidadão anónimo e em competições internacionais"..Numa visita guiada, o director do CDJ fez questão de mostrar algumas das intervenções em curso no enorme espaço. As fronteiras da mata em conflito com a pressão urbanística; o novo parque urbano; a desmatação e limpeza de caminhos e futura reflorestação, renovação da rede de água e esgotos; a regularização do trânsito; a melhoria de balneários; a segurança; intervenções que não são publicitadas mas que vão muito para além do Estádio de Honra.