A Ucrânia reivindicou esta sexta-feira a responsabilidade pelos ataques contra uma linha ferroviária russa na Sibéria, a milhares de quilómetros da frente de batalha, naquele que é o mais recente incidente de sabotagem reportado em território russo..As autoridades russas enfrentaram diversos ataques contra suas infraestruturas de transporte desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. No entanto, esta é a primeira vez que ocorrem tão longe da frente de batalha..O primeiro ataque aconteceu na passada quarta-feira à noite, no túnel Besolov de Severomouisk, o mais longo da Rússia, afirmou uma fonte dos Serviços de Segurança da Ucrânia (SBU) à AFP..O segundo ataque teve como alvo uma rota alternativa da ferrovia, para a qual o tráfego ferroviário foi desviado após o primeiro ataque, garantiu a mesma fonte. "Os russos caíram duas vezes na armadilha dos SBU: outro comboio de combustível explodiu na ferrovia Baikal-Amur", quando "passava sobre uma ponte a 35 metros de altura", acrescentou..Os SBU não comentaram estas revelações e do lado russo também não houve qualquer reação imediata em relação a este último incidente..O canal de Telegram Baza, próximo aos serviços de segurança russos e seguido por mais de um milhão de utilizadores, informou esta sexta-feira que uma "sabotagem" causou explosões em dois combóios "na mesma área" da Buriácia..Nesta sexta-feira, a Rússia anunciou que deteve um cidadão com dupla nacionalidade, russa e italiana, suspeito de realizar ataques de sabotagem contra uma ferrovia e uma base aérea, sob as ordens da Ucrânia..Foi entretanto iniciada uma investigação sobre o incidente de quarta-feira, segundo fontes citadas pelo jornal económico Kommersant.."Os serviços especiais russos devem habituar-se ao fato de que o nosso povo está em todos os lugares. Mesmo na distante Buriácia", afirmou a fonte ucraniana à AFP..A linha Baikal-Amur tem mais de 4000 quilómetros de extensão, ao longo das fronteiras da China e da Mongólia.