Trabalhadores do Metro de Lisboa fazem greve de 24 horas a 12 de outubro

Os trabalhadores do metro de Lisboa vão fazer greve no dia 12 durante 24 horas devido a não existir "aumentos salariais, o que, face a esta situação com a inflação a cifrar-se em 9% por mês". A Transtejo anunciou também um pré-aviso de greve a três horas por turno entre 10 e 14 de outubro
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Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa vão fazer uma greve de 24 horas no dia 12 de outubro por aumentos salariais e melhores condições de trabalho, disse esta quinta-feira fonte sindical, revelando que este é o início de "novas lutas".

"Vamos fazer uma greve no dia 12, de 24 horas", indicou Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS).

Em declarações à Lusa, a sindicalista explicou que a administração do Metropolitano de Lisboa mostra-se "irredutível e sem qualquer capacidade negocial", pelo que o processo negocial iniciado há meses não foi concluído.

Por isso, os trabalhadores "não têm aumentos salariais, o que, face a esta situação com a inflação a cifrar-se em 9% por mês, não é de todo admissível", afirmou.

"Os trabalhadores estão a perder poder de compra", frisou.

Anabela Carvalheira destacou também que continuam a faltar trabalhadores no Metropolitano de Lisboa.

Outro dos motivos prende-se com dois processos disciplinares com intenção de despedimento que a empresa levantou a dois trabalhadores depois de uma greve realizada em junho, que a FECTRANS considera serem ilegais.

"Face a estes motivos, vamos iniciar uma fase de novas lutas, estando já marcado um plenário para dia 10 de outubro para decidir essas novas formas de luta", afirmou a sindicalista.

Entretanto, a Transtejo confirmou esta quinta-feira a entrega pelos trabalhadores de um pré-aviso de greve a três horas por turno entre 10 e 14 de outubro, salientando que as negociações com os sindicatos continuam a decorrer.

Em resposta à Lusa, a empresa confirmou que a greve será de três horas por turno de serviço e a todo o trabalho suplementar entre as 00:00 do dia 10 de outubro e as 24:00 do dia 14 de outubro.

"Apesar de ainda não ter sido possível alcançar consenso, as partes mantêm-se disponíveis para dialogar e empenhadas em encontrar soluções que permitam alcançar o desejado acordo com os sindicatos", acrescentou a empresa.

Carlos Costa, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), tinha indicado anteriormente à Lusa que a greve visa reivindicar aumentos salariais devido ao aumento do custo de vida.

"A nossa expectativa é conseguir o reinício das negociações com o Governo e com a administração. Mantém-se a intransigência governamental e do conselho de administração nos 0,9% [percentagem de aumento aceite] e não passa disso. A inflação já vai à volta dos 8% e, por isso, a proposta de 0,9% é irrelevante para o poder de compra atual", argumentou.

A Transtejo é responsável pela ligação do Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão, no distrito de Setúbal, a Lisboa.

Esta empresa partilha o conselho de administração com a Soflusa, responsável pela travessia entre o Barreiro, no distrito de Setúbal, e o Terreiro do Paço, em Lisboa.

Os trabalhadores de ambas as empresas têm levado a cabo nos últimos meses várias ações de luta, reivindicando uma valorização salarial e a contratação de funcionários.

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