Terroristas atacam centros turísticos da antiga Bombaim

Grupos terroristas atacaram hotéis de luxo e outros alvos em Bombaim , matando 80 pessoas e ferindo 200. Procuraram vítimas com passaporte britânico ou americano e dispararam indiscriminadamente numa estação de comboios<br /> Título: Terroristas atacam centros turísticos da antiga Bombaim.
Publicado a
Atualizado a

Cinco turistas portugueses estavam entre centenas de estrangeiros que conseguiram escapar ao ataque terrorista contra o hotel Taj Mahal Palace, ontem, em Bombaim , na Índia. A maior cidade indiana (conhecida por Mumbai) foi abalada por sete ataques terroristas simultâneos, que fizeram 80 mortos e mais de 200 feridos, segundo balanço policial. Quatro suspeitos do ataque foram mortos e nove estão detidos.


Os terroristas dispararam armas automáticas AK-47 e lançaram granadas, atacando em vários locais diferentes, mas aparentemente visando estrangeiros. Os portugueses estavam num dos três hotéis de luxo atacados e onde os extremistas procuraram pessoas com passaportes britânicos ou americanos, fazendo durante algum tempo 15 reféns, incluindo sete ocidentais. no final dos confrontos, o Taj Mahal ficou em chamas e à hora de fecho desta edição, 1.00, muitos pormenores destes ataques terroristas ainda não eram claros.


Os turistas nacionais nada sofreram, mas há relatos de grande violência. A SIC falou com um cidadão português que descreveu a cidade de Bombaim como estando "virada de pernas para o ar". Uma delegação europeia foi envolvida num dos tiroteios e ficaram feridos pelo menos um funcionário europeu e um eurodeputado húngaro.


Ao todo, terão sido atacados vários hotéis da cidade, entre outros alvos. A televisão indiana referiu que o responsável anti-terrorista do Estado de Maharashtra, Hemant Karkare, foi morto. Onze das vítimas mortais eram polícias.


As acções terroristas foram entretanto reivindicadas por uma organização desconhecida, Mujahideen do Decão (combatentes islâmicos do planalto central da Índia). Além dos hotéis, houve tiroteios na principal estação de comboios, Chhatrapati Shivaji Terminus, antes conhecida por Victoria, no restaurante Leopold's, no bairro de Colaba, frequentado pelos famosos, e junto ao Hospital Cama.


Os atentados foram unanimemente condenados, incluindo pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e pelo país vizinho da Índia, o Paquistão, que mantém com Nova Deli um difícil processo de negociações de paz.


Após os ataques, e no meio da confusão, as autoridades tentavam restabelecer a segurança no principal centro económico da Índia. Dois terroristas terão sido abatidos na praia. "Os terroristas usaram armas automáti- cas, dispararam indiscriminadamente e algumas granadas foram lançadas", explicou o comissário de polícia de Maharashtra, A. N. Roy, numa declaração proferida na fase inicial do incidente, quando ainda havia enorme incerteza e se desconhecia o número de terroristas ou o motivo dos ataques.


Os turistas envolvidos nestes atentados falavam no ruído das rajadas de tiros, das explosões e do pânico. As testemunhas no hotel Oberoi referiram que a recepção estava em chamas. Outros ocidentais descreveram cenas de horror no interior do Taj, com dezenas de pessoas às escuras, em pleno tiroteio, a tentarem escapar.


Segundo as testemunhas, muitos turistas fugiram ou foram retirados do local, mas alguns ficaram reféns. A Índia tem sofrido uma vaga de atentados da autoria de organizações radicais islâmicas. O ataque mais recente, a 30 de Outubro, provocou 76 mortos no nordeste do país.


Devido à sua importância económica, Bombaim foi o alvo preferencial, mas a cidade não era atacada desde Julho de 2006, quando sete atentados contra comboios provocaram uma carnificina de 187 mortos e mais de 900 feridos. Bombaim (actualmente Mumbai) é o maior centro financeiro indiano e a quinta maior cidade do mundo, com 19 milhões de habitantes.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt