A Índia acusou ontem o Paquistão de responsabilidades no ataque terrorista a Bombaim , que causou 155 mortos e mais de 370 feridos, segundo a CNN. "De acordo com as informações de que dispomos, a responsabilidade [do ataque] é de elementos do Paquistão", declarou o ministro indiano dos Negócios Estrangeiros, Pranab Mukherjee. A acusação foi de imediato rejeitada pelo seu homólogo paquistanês, Shah Memood Mukherjee, que recusou qualquer responsabilidade do seu país na vaga de atentados da noite de quarta-feira contra a capital financeira e turística da Índia, a maior democracia do planeta.. Comandos indianos tomaram ontem de assalto os dois últimos redutos ainda em poder dos terroristas islamitas: o centro judaico ortodoxo de Bombaim e o luxuoso Hotel Taj Mahal, onde costuma hospedar-se a elite empresarial e política do Ocidente quando visita a Índia. Permaneciam ainda entrincheirados dois terroristas armados no Taj Mahal, já com o hotel ocupado pelos militares e sobrevoado por helicópteros..Em ambos os locais, os relatos de diversas testemunhas citados pelas agências noticiosas descrevem cenários dantescos. "Há sangue e pedaços de corpos por todo o lado", revelou Paul Guest, um turista australiano que escapou do Taj Mahal, citado pela AFP. No átrio do hotel, havia 30 cadáveres..No centro judaico foram assassinados pelo menos sete reféns, incluindo um rabino norte-americano e a sua mulher, da mesma nacionalidade. No Hotel Oberoi, outra unidade de cinco estrelas que tinha sido tomada de assalto pelos terroristas, os comandos indianos libertaram 93 reféns, incluindo 20 tripulantes da Air France, que foram apanhados de surpresa pelo assalto. Neste hotel foram descobertos 24 corpos, ainda por identificar. Entre as vítimas, de acordo com a AFP, há pelo menos 17 estrangeiros: dois americanos, cinco israelitas, dois franceses, dois australianos, um britânico, um japonês, um alemão, um canadiano, um italiano e um singapurense..As autoridades indianas e serviços de informações ocidentais, citados pela BBC, atribuem a operação terrorista a um grupo islâmico até agora desconhecido, os Mujahedeen do Decão, que teriam ligações à Al-Qaeda. Um dos terroristas, entretanto detido, afirmou à televisão indiana que o grupo reclama o fim das "perseguições" aos 150 muçulmanos da Índia, um país com 1,2 mil milhões de pessoas. Nove outros assaltantes foram mortos pela tropa indiana.