Uma radicalização das relações entre a Índia e a sua imensa minoria islâmica (150 milhões de pessoas) pode favorecer o Partido Nacionalista Hindu (Bharatyia Janata Party, ou BJP) nas legislativas do próximo ano. Os sucessivos atentados terroristas, como os de há dois dias em Bombaim , são argumentos facilmente utilizáveis pela ala mais radical do BJP, que defende a Índia como uma nação hindu e acusa os muçulmanos de serem descendentes dos invasores mogois chegados por volta de 1500 das estepes da Ásia Central. E por isso estrangeiros..Dessa ala extremista do BJP destaca-se o Rashtryia Swayamsevak Sangh (mais conhecido pela sigla RSS), movimento que fornece muitos dos quadros do partido, mas que professa mais abertamente a teoria da "Hindutva", ou "Hinduidade" do país. Uma das acções mais dramáticas promovidas por elementos ligados ao RSS aconteceu, em 1992, quando destruíram a mesquita de Ayodhya, alegando ter sido construída sobre o local de um antigo templo hindu. Era um dos muitos exemplos da arquitectura indo-muçulmana, cujo expoente máximo é o Taj Mahal, túmulo construído para uma imperatriz mógol..Entre os grupos extremistas que têm reivindicado atentados, vários destacam a vontade de vingar a destruição da Mesquita de Ayodhya, assim como os massacres de muçulmanos no Guzarate em 2002. No segundo caso, o governo estadual, liderado pelo BJP, foi acusado de nada fazer para travar os ataques que causaram mil mortos entre os muçulmanos, em retaliação pelo incêndio de um comboio com peregrinos hindus vindos de Ayodhya. Um homem forte do BJP é Narendra Modri, que governava o Guzarate na época dos incidentes. .Modri tem ganho peso no partido desde que Lal Advani se tornou o líder, um octogenário que não costuma medir as palavras contra os muçulmano. Pouco tem que ver com Atal Vajpayee, o moderado que foi primeiro-ministro do Governo BJP entre 1998 e 2004, e conseguiu promover uma série de reformas económicas que levaram a Índia a um crescimento económico de 6% e 7%. Mas as divisões na aliança governamental liderada pelo Partido do Congresso estão a permitir ao BJP ganhar terreno. E a crise internacional, que afecta a prosperidade indiana, também prejudica a popularidade do Governo.