Ter uma alimentação saudável nos festivais? Sim, é possível
Se a ideia é ser saudável, esqueça os tradicionais cachorros, hambúrgueres, bifanas, pizas, kebab. Já existem opções saudáveis nos recintos dos festivais de verão, pelo que não há desculpas para fazer más escolhas. Mas tão ou mais importante do que uma boa nutrição é a segurança alimentar, o que levou a Direção-Geral da Saúde a emitir uma série de recomendações para os festivaleiros. Em caso de dúvida, leve comida de casa. Frutos secos, wraps e saladas são algumas das sugestões dos nutricionistas contactados pelo DN.
Para quem vai ao festival - como o Super Bock Super Rock, que começa hoje - só ao final do dia, o melhor mesmo é comer alguma coisa antes de sair de casa. "Não se deve ir de barriga vazia. É importante fazer um bom lanche ou uma pseudorrefeição com sopa ou salada, por exemplo, antes de sair de casa", propõe a nutricionista Lillian Barros. Se o jantar for no recinto, comece por fazer um tour pela zona da restauração. "A oferta é variada e muitos já disponibilizam a informação nutricional dos seus produtos, que pode sempre consultar. Quanto menos sal, melhor", sugere a DGS.
De um modo geral, diz a direção-geral, o melhor é optar sempre pelos produtos cozinhados. "A segurança dos alimentos é preferível aos cuidados com uma boa nutrição. Se conseguir compatibilizar as duas... tanto melhor", justifica. No guia para festivaleiros, a DGS recomenda que se evitem saladas, "em particular se não estiverem embaladas nem conservadas no frio. Se quiser consumir hortícolas, escolha a sopa (mesmo com calor)".
Lillian Barros ressalva, no entanto, que uma salada pode ser uma boa opção. "Se a pessoa tem receio em relação às condições em que foi mantida, pode sempre levar de casa", indica. Ainda no capítulo das refeições, a nutricionista destaca os wraps como fontes de proteína magras - frango, salmão, atum conservado em água -, húmus (pasta de grão-de-bico) e vegetais como rúcula e cenoura ralada.
Não só por uma questão nutricional, mas também financeira, há snacks que se podem levar de casa. "Opções como frutos oleaginosos (nozes, amêndoas, amendoins, avelãs), fruta fresca lavada ou sandes de pão de mistura enriquecido com hortícolas são alternativas saudáveis e práticas", lê-se no guia da DGS. Lillian Barros acrescenta, ainda, a fruta desidratada sem adição de açúcar, a cenoura crua em palitos e os ovos cozidos. "Ou então pipocas feitas em casa com óleo de coco e um pouco de canela."
Nos últimos anos, tornou-se mais fácil encontrar opções saudáveis nos festivais. "Começa a existir uma maior preocupação em oferecer aquilo que o público quer, nomeadamente opções mais saudáveis, sem glúten, saladas, sushi." No EDP Cool Jazz, que arrancou nesta semana, há, por exemplo, o The Wrepe Cru, que se compromete a utilizar alimentos 100% biológicos, sem glúten, sem lactose e sem açucares adicionados.
Os hambúrgueres, por exemplo, podem até não ser uma má opção do ponto de vista nutricional. "Se a carne for de boa qualidade e se forem grelhados", ressalva a nutricionista. Tal como no resto do ano, deve dar preferência aos grelhados e evitar as carnes processadas, bem como os molhos (maionese, ketchup, etc.), que podem ser substituídos por azeite e ervas.
Hidratação é palavra de ordem
No contexto em que decorrem os festivais, a segurança alimentar ganha especial importância. "As temperaturas são mais elevadas e facilitam a contaminação. Além disso, o ambiente tende a ser mais descuidado, no que diz respeito a lavagens e cuidados de higiene", salienta Nuno Borges, da direção da Associação Portuguesa de Nutricionistas. Daí que considere interessante que os festivaleiros levem "coisas simples e que não necessitem de ser guardadas no frio".
Outra questão igualmente importante é a hidratação. "As pessoas têm de se hidratar e num festival não é difícil não o fazerem. Além de não beberem sempre água, consomem álcool, que favorece a desidratação e diminui a perceção de sede", afirma. A sede é o principal sintoma da desidratação, contudo, destaca Nuno Borges, "se estiver atenuado, o aparecimento da sensação de sede pode ser excessivamente tardio". Nesses casos, pode dar origem a "golpes de calor, desmaios, incapacidade de regular a temperatura do corpo", sintomas "suficientes para estragar um festival".
Além de evitar bebidas alcoólicas, a DGS aconselha que evite sumos de fruta e outras bebidas não engarrafadas, por questões de higiossanidade.