Uma prova inteligente, a recuperar lugares, permitiu a Susana Feitor conquistar, ontem, a medalha de bronze nos 20 km marcha do Mundial de Atletismo que decorre em Helsínquia. Um dia marcado pelo quarto lugar de Francis Obikwelu, nos 100 m, e o sétimo de Naide Gomes no heptatlo. .A grande surpresa do dia foi a marchadora de Rio Maior. Susana Feitor não era apontada como uma das favoritas, mas acabou por se superar, fazendo uma prova sempre em crescendo. Décima ao quilómetro 10 - a 1.31 minutos da russa Olimpíada Ivanova, fulgurante desde o início, obtendo mesmo o recorde do mundo -, estava então a 26 segundos do terceiro lugar, mas não perdeu as esperanças. "Quando vi que ia bem pelo 10.º/11.º lugar deixei-me ir, sem forçar, sabia que muitas que iam à minha frente iam 'dar o berro' ou ser desclassificadas", confessou no final da prova. "E fui, para as apanhar uma a uma." Um verdadeiro "jogo de gestão", assim classificou a segunda parte da corrida, estimulado pela "indicação de quem assistia de que estava a ganhar vários segundos". Ao quilómetro 15 já era sexta, a 31 s do terceiro lugar, então ainda seguro pela italiana Elisa Rigaudo. . Mais à frente, Ivanova e a bielorrussa Ryta Turava seguiam num andamento louco - a primeira para recorde do mundo, a segunda para um grande recorde nacional. A campeã olímpica, a grega Athanasia Tsoumeleka, que estava em quarto, foi a primeira a ficar "KO" arriscou de mais e foi desclassificada, após terceira falta técnica. Mais atrás, a espanhola Maria Vasco seguia sob forte pressão, já que tinha duas faltas, e Susana ainda não tinha nenhuma, podendo pressionar um pouco mais. Maria Vasco ainda deu o tudo por tudo e chegou até ao terceiro lugar, passando por Rigaudo, que acabou por "estoirar" e se afundar na classificação. .Susana assistia a esta "luta" de longe e mentalizava-se para, ela própria, tentar a sua sorte, na subida final. Marchando um pouco quase ombro a ombro com Maria Vasco, uma velha rival nos vários escalões da especialidade, impôs--se nessa fase difícil do percurso, com a espanhola a ter de se controlar para não ser desclassificada.. A portuguesa entrou no estádio com sete segundos de vantagem para a adversária, garantindo a primeira grande medalha desde o bronze dos Europeus de 1998. Mal cortou a meta benzeu-se e ajoelhou-se, batendo no tartan com o punho duas vezes, em sinal de alegria. Depois, o primeiro abraço, a uma voluntária, portuguesa, que lhe deu para as mãos uma bandeira, para a volta de honra. .Obikwelu em quarto. Francis Obikwelu já só pensa na final dos 200 metros. O quarto lugar de ontem (10,07) nos 100 metros teve um sabor amargo para o velocista medalha de prata em Atenas. Ao contrário das três eliminatórias cumpridas até à final , Obikwelu até partiu bem. Não foi um arraque perfeito, mas foi uma partida que lhe permitiu lutar até aos derradeiros metros pelo pódio. Porém, desta vez, não foi capaz de aumentar o ritmo na parte final, como nas outras vezes. " Um Mundial não é um meeting, são quatro provas até ao fim. Quem recuperar melhor tem mais possibilidades de sucesso", explicou. Foi o que aconteceu ao atleta leonino, que ainda pediu "desculpa" aos portugueses pelo quarto lugar.. O campeão olímpico, o americano Justin Gatlin, confirmou o favoritismo, tendo sido o único a baixar dos 10 segundos, obtendo a melhor marca do ano (9,88). Depois o jamaicano Michael Frater e Kim Collins (Saint Kitts e Nevis), ambos com 10,05, ocuparam os restantes lugares do pódio..Naide sétima no heptatlo. Naide Gomes confirmou o objectivo anunciado para o Mundial, terminando o heptatlo em sétimo lugar com 6189 pontos, a 41 do seu recorde nacional. A sueca Carolina Kluft revalidou o título de campeã do mundo, ao totalizar 6887 pontos, que passa a ser a melhor marca mundial do ano. A campeã olímpica terminou os sete eventos com 63 pontos de vantagem sobre a segunda classificada, a francesa Eunice Barber, que somou 6824. A medalha de bronze foi para a ganesa Margaret Simpson, com 6375 pontos. . * Com agências