O número de baixas pagas pela Segurança Social para quem fica em isolamento ou doente devido ao novo coronavírus mais que duplicou em novembro, num crescimento de 154%, para um total de 72 235 beneficiários, segundo estatísticas publicadas ontem..Trata-se de um máximo desde o início da pandemia para um mês em que foram processados mais 43 822 subsídios e que ficou marcada por um aumento acentuado no número de infeções no país..Desde março, foram pagos 239 928 subsídios associados à covid-19, sendo que os mais de 72 mil apoios pagos apenas no último mês representam praticamente um terço do total..O grande salto no número de beneficiários dos subsídios de doença relacionados com a covid deverá fazer aumentar substancialmente a despesa nesta rubrica da Segurança Social..Até outubro, as despesas com subsídios de doença - incluindo o regime geral não relacionado com covid - perfaziam 606,9 milhões de euros, com um crescimento de 18,5% em relação ao mesmo período de 2019. Para o conjunto do ano, o governo prevê gastar 641,9 milhões de euros..Além dos subsídios relacionados com a covid-19, em novembro a Segurança Social pagou também apoios a 153 787 beneficiários com outras doenças, num crescimento de 6% em termos mensais, mas 4% abaixo dos valores de um ano antes. Desde o início do ano, a Segurança Social conta 1,9 milhões de beneficiários de subsídio de doença, num crescimento de 16% face aos primeiros 11 meses de 2019..A Segurança Social regista ainda, em novembro, um crescimento de 2,3% nas prestações de desemprego, por comparação com o mês anterior. O número de beneficiários está, por outro lado, 40,3% acima do registado um ano antes, com a taxa de cobertura do subsídio de desemprego pelos desempregados registados no IEFP a ficar em novembro em 57%..Os maiores crescimentos continuam a registar-se entre os trabalhadores mais jovens, com aumentos de 112% e 75% face aos subsídios pagos há um ano a quem tem até 24 anos, e quem tem entre 25 e 34 anos, respetivamente..Até outubro, a despesa com subsídios de desemprego aumentava 25%, face ao mesmo período do ano passado, para cerca de 1235 milhões de euros, sendo a prestação com maior crescimento em virtude do aumento do desemprego trazido pela pandemia..A pandemia fez disparar a despesa da Segurança Social até ao mês passado em 12,8%, com 1623,3 milhões de euros executados até então em medidas de apoio de emergência contabilizados pela Direção-Geral do Orçamento..O número contrasta com os 2,3 mil milhões de euros em pagamentos feitos até ontem anunciados pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, numa discrepância justificada pela ministra Ana Mendes Godinho com o facto de a execução orçamental das medidas covid-19 não integrar medidas que estão a ser pagas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional..No parlamento, a governante atualizou ontem os números dos apoios concedidos até aqui. Segundo Ana Mendes Godinho, além do lay-off simplificado que chegou a 896 mil trabalhadores e cerca de 110 mil empresas (com 500 recusas relacionadas com dívidas à Segurança Social por regularizar), o apoio à retoma e incentivo à normalização da atividade terão chegado a 69 mil empresas e 551 mil trabalhadores (com 19 mil empresas no apoio à retoma, sucessor do lay-off simplificado)..A Segurança Social terá pago também apoios a 173 mil trabalhadores independentes, a 52 mil sócios-gerentes e a 17 mil trabalhadores informais ou com curtas carreiras contributivas em situação de desproteção social..Também o complemento de estabilização para quem esteve em lay-off simplificado terá chegado a 350 mil trabalhadores, havendo ainda 189 mil baixas por isolamento pagas e 127 mil subsídios por doença associados à covid-19 pagos..Já nos apoios à família devido ao encerramento de escolas, acessíveis apenas no último ano letivo, foram abrangidas 201 mil pessoas..Estes dados vinham sendo atualizados regularmente pelo Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho até meados de outubro, tendo desde então sido descontinuada a informação. Segundo Ana Mendes Godinho, os balanços regulares voltarão a ser publicados ainda neste mês. "O que o GEP está a tentar fazer é melhorar a informação que tem", justificou a governante sobre o longo período de ausência de informação na página do organismo..Maria Caetano é jornalista do Dinheiro Vivo