Sofia Ribeiro: "Comecei cedo a trabalhar no duro"

Começou a trabalhar aos 14 anos como ajudante de cozinha e chegou a ter dois empregos para sobreviver e ajudar a família. Hoje é uma das mais promissoras atrizes da sua geração. Em entrevista, fala das dificuldades que enfrentou até conseguir o seu papel na representação, da guerra de audiências entre a SIC e a TVI, da qualidade da ficção nacional, das invejas do meio e... do fim do seu casamento.
Publicado a
Atualizado a

O que é para si uma doce tentação?

[pausa] Comer. Adoro comer. Acho que sempre estive muito ligada à cozinha porque comecei a cozinhar muito nova. Via a minha mãe e comecei a fazer e a ajudá-la. O meu primeiro trabalho foi como ajudante de cozinha, com 14 anos, e o gosto foi-se aprimorando. Hoje, além de comer, também gosto muito de cozinhar, de estar com amigos.

Quando recebe pessoas em casa é a Sofia que faz tudo?

Faço. Há umas semanas estive a gravar um programa para a TVI Ficção, Mãos na Massa, e senti-me em casa. É quase terapêutico.

Tem alguma especialidade?

Cozinhar é a única coisa que digo que faço bem. Sem falsas modéstias, cozinho bem porque também cozinho com gosto, invento imenso, quem come comida feita por mim diz que é fácil de reconhecer que fui eu, porque tem um toque muito próprio. Acho que sei fazer tudo.

Passou ao lado de uma carreira?

Não, acho que é uma coisa que pode ser perfeitamente conciliável. Aliás, um dos meus sonhos é poder abrir um espaço pequenino, quase como se fosse o prolongamento da minha sala de estar, para receber pessoas e poder cozinhar para elas.

Gostava de abrir um negócio?

Sim, porque gostava de poder partilhar com outras pessoas, que não só minhas amigas, este meu gosto e vontade de cozinhar. E depois com a profissão que tenho, quem sabe se não posso vir a encarnar uma cozinheira [risos].

Disse que começou a trabalhar como ajudante de cozinha aos 14 anos. Onde era esse restaurante?

Era no Bairro Alto [Lisboa], já não existe, chamava-se Portas Brancas. Foi uma experiência muito boa, uma mais-valia, mas foi difícil. Vou dizer isto, e os cozinheiros não vão achar graça nenhuma, mas a verdade é que é o ajudante de cozinha que trabalha, pelo menos no meu caso era assim. Eu é que cortava tudo, tratava de tudo, lavava tachos do meu tamanho, e o cozinheiro só provava. Até descasquei um dedo, como não sabia cortar bem e ele queria a alface muito pequenina, lá foi o dedo [risos]. Como experiência foi uma altura muito importante da minha vida a todos os níveis.

Mas começou muito cedo no mundo do trabalho. Porquê?

Comecei cedo a trabalhar no duro, muitas horas e quem trabalha em cozinha sabe que é muito trabalhoso. Não estive lá muito tempo, não chegou a um ano, comecei a perceber que era um bocadinho explorada, muitas horas mesmo. Mas foi uma decisão tomada naquela altura porque era importante eu trabalhar.

Quanto é que ganhava na altura?

Não me recordo quanto ganhava, mas lembro-me de que comecei a perceber que não era o justo para o que trabalhava.

E onde ficavam os estudos?

Tentei sempre trabalhar e estudar. Até que houve uma altura que se tornou difícil. Comecei a ter dois trabalhos. Venho de uma família muito humilde e era importante eu trabalhar. Também desde muito nova que tive vontade de me tornar independente, melhorar a vida, crescer enquanto pessoa e profissional. Chegou uma altura em que não consegui conciliar tudo: dois trabalhos, estudar... manter uma casa, tornou-se complicado e tive de parar de estudar. Mas não é uma coisa que esteja esquecida.

Saiu da escola com que idade?

Parei de estudar [pausa] há nove anos, talvez. Não terminei o 12.º ano, entretanto, também estudei à noite para terminar, mas não consegui.

Além de ajudante de cozinha, o que fazia mais?

Tenho 28 anos, mas já fiz um bocadinho de tudo. Desde ajudante de cozinha a supervisora de telemarketing, comecei como operadora de telemarketing, trabalhei em lojas de roupa, de artesanato, fui barmaid à noite um ano antes de entrar para os Morangos com Açúcar, TVI, passei roupa a ferro em casa, tomei conta de crianças...

Sentiu necessidade de trabalhar também para ajudar a sua família?

Isso sempre esteve presente na minha vida. Sempre tentei ajudar a minha família ao máximo. O motivo inicial para começar a trabalhar foi esse, ajudar a minha família. Até à altura que saí de casa, depois, quando saí, a ajuda tornou-se diferente, mas sempre com o objetivo de ajudar.

Saiu de casa de seus pais com que idade?

Saí aos 17 anos.

Foi viver sozinha?

Fui viver com o meu primeiro namorado. Namorámos cinco anos e fomos viver juntos.

Todo este passado ajudou-a como atriz?

Acho que sim, porque não tenho muita formação, só fiz dois workshops, mas passa muito pela experiência que tenho vivido como atriz, no momento enquanto trabalho, da partilha com os colegas, técnicos e com o meu percurso de vida real. No batente.

É uma lutadora. Não tem medo de pôr as mãos na massa?

Acho que sim, sou [emociona-se]. Não tenho medo de trabalhar.

De empregada de loja a atriz

Como chegou ao mundo da representação?

Comecei na moda. Na altura tinha um grupo de amigos, que ainda hoje são, que me incentivaram a tentar fazer uns castings... mas eu não me sentia muito à vontade. Eles mandaram umas fotos minhas para a agência Best. Chamaram-me, tiraram mais umas fotografias e pronto...

Tinha que idade?

Sou terrível em datas [pausa] talvez 17 ou 18 anos. Começou com uma brincadeira. Inicialmente não acontecia nada, mas depois começaram a chamar-me para castings, a fazer publicidade... Sempre fiz mais publicidade do que moda ou desfiles, porque não sou propriamente uma Gisele Bündchen [risos]. Começou a correr muito bem. Quando apareceram os testes para os Morangos eu já estava há algum tempo a trabalhar com a agência. Na altura ninguém sabia o que era aquela série e eu fui a um casting. Até que fui a vários. Comecei na primeira série e fui até à quarta. Fiz cerca de dez. Das últimas vezes que fui já tinha uma noção maior do que era a série, mas encarava aquilo como mais um trabalho.

Nunca tinha pensado ser atriz?

Seria hipócrita se dissesse que toda a vida tinha sonhado ser atriz. Foi uma coisa que aconteceu e que me apaixonei por ela. Lembro-me de que em pequenina queria ser muita coisa, bombeira, polícia ... Se calhar já estava a canalizar para esta profissão, porque hoje posso ser o que quiser. Apesar de me dizerem que estava sempre a fazer teatrinhos, macacadas, cantar e dançar.

Disse que foi a vários castings...

Sim, eles diziam que eu tinha jeito, algum talento, mas não se estava a proporcionar. Até que disse para mim, já ando aqui a fazer castings há imenso tempo, já me estava a sentir um bocadinho mal com a situação. Pedi à agência para não me mandar mais a castings porque se eu ia a tantos e não ficava por alguma razão era.

Mas acabou por ficar depois...

Sim. Estava a trabalhar no Colombo numa loja de roupa quando me ligaram da Plural a dizer que tinham gostado imenso dos meus castings, que estavam a fazer o contacto não para algum trabalho, mas queriam saber se tinha interesse em fazer um workshop dado por eles. Não sabia bem o que fazer, se era possível coordenar com o meu trabalho, porque não podia deixar de trabalhar. E fui. Inicialmente foi difícil de conciliar, mas lembro-me de que a minha patroa me disse para ir e continuar a fazer as horas que pudesse na loja. E ainda trabalhava à noite como barmaid aos fins de semana. Foi aqui que tudo começou e que me apaixonei pela profissão.

Mas aqui já tinha algum projeto em vista?

Não havia consciência de nada, nem sabia se deste workshop viria alguma coisa. Estava a gostar de viver aquela experiência. Foram três meses muito intensos, com muitos professores, a Maria Henrique, que é a minha madrinha de cena, Cláudia Chéu, André Cerqueira, Hugo de Sousa, o Rui Baeta, na parte da voz. Aprendi a lidar com emoções... saía de lá a vibrar. No fim do workshop resolveram escolher 11 pessoas para entrar na nova série dos Morangos.

Aqui já não foi a um casting...

[risos] Não. Lembro-me de ter sido a última do grupo de 30 pessoas a ser chamada. Eles chamavam uma a uma e saíam todas a chorar, umas de alegria por ficarem e outras por não terem sido escolhidas. Era uma angústia. Nesta altura já queria viver muito a experiência. Entrei na sala e lembro-me de ouvir da Maria Henrique que gostava muito de contar comigo e de eu chorar imenso.

A partir do momento em que entrou nos Morangos com Açúcar passou a ser conhecida. Foi fácil gerir o mediatismo para quem vinha de uma família humilde?

Quando entrei nos Morangos já tinha alguma idade, tinha 21 anos, e se calhar pela experiência de vida que tinha, de já ter trabalhado tanto e ter uma história para trás e saber o que custa trabalhar, nunca pensei muito nesse lado. Não foi uma coisa que pensasse que ia ser muito interessante para mim. Estava muito feliz com a experiência e o resto sempre foi muito secundário. Na altura eu namorava com o Nuno Janeiro e ele também já tinha entrado nos Morangos, eu já sabia como era.

Não se deslumbrou?

Acho que não. Se calhar por não dar importância. Há muitas pessoas que querem ser atores conhecidos e ter fama, no meu caso não foi isso. Deixei os outros trabalhos, falei com a minha patroa e ela mais uma vez foi simpática comigo e disse-me que se as coisas me corressem mal e quisesse voltar que tinha as portas abertas.

Era uma boa empregada, portanto...

[risos] Acho que sim. Eu era a responsável da loja, lembro-me de que ainda era muito nova e que passei de operadora de telemarketing para supervisora.. Acima de tudo sempre tive um grande espírito de trabalho de tentar fazer o melhor possível em qualquer coisa que fizesse. Não gosto de mediocridade, não gosto de pessoas que fazem as coisas a meio gás quando podem fazer mais e melhor. Posso estar a lavar escadas, mas eu quero ser a melhor a lavar escadas ou pelo menos tentar ser.

É por causa desse espírito que fala que saltou dos Morangos para Fascínios, Olhos nos Olhos, a série Ele É Ela, Meu Amor, Sedução e Doce Tentação?

Acho que foi um sem-fim de fatores. E seria hipócrita se não falasse no fator sorte, que existiu. Também pode existir sorte e talento, mas se as pessoas não se empenharem as coisas acabam por não acontecer. Eu tenho vontade de crescer e de aprender... Não sei se é bom ou mau o que faço, mas sei que é esforçado. Passo muito tempo a observar os meus colegas, é a minha forma de aprender.

O que é que ainda há da Sofia que começou a trabalhar como ajudante de cozinha?

A essência é a mesma, os valores são os mesmos, apesar de muita gente dizer que não. Algumas pessoas dizem que não, mas à noite consigo deitar a minha cabeça e dormir tranquila. Acho que sou a mesma desde o início e quem me conhece bem, quer como pessoa quer como ou profissional, vê isso. Considero-me com coisas muito boas na minha vida.

Que pessoas são essas? Colegas seus?

[pausa] Acho que invejas há em todo o lado. Não sei se é o sucesso, a pessoa, a personalidade... é um sem-fim de coisas. Isto existe em todas as áreas, o dizer mal só por dizer, as pessoas gostam de falar mal e não se sabe bem porquê. Eu sei que tenho uma personalidade característica e forte e acho que não há ninguém na minha vida a quem tenha feito mal. Estou tranquila, se querem falar, falem, eu não perco tempo a falar da vida das outras pessoas. Graças a Deus a minha vida chega-me.

Como se define?

[pausa] Acho que sou uma mulher complexa, com uma história de vida particular, que tem muita referência naquilo que sou, mas considero-me uma boa pessoa, muito amiga dos meus amigos, dou tudo pelas pessoas de quem gosto, trabalhadora, esforçada. Obviamente que tenho coisas más, tenho um feitio difícil, sou muito teimosa, particularmente quando acredito numa coisa.

As vilãs ficam-lhe tão bem...

Foi em Doce Tentação que fez a sua primeira protagonista. Foi uma responsabilidade?

Sinceramente nunca tive aquele desejo de fazer uma protagonista. Desde o início até à Francisca sempre tive personagens muito ricas, a nível de desafio. Todas elas faziam parte do elenco principal e foram crescendo à medida que a história foi evoluindo. É sinal de que o trabalho está a correr bem, que há feedback do público, dos autores e das pessoas que mandam. Mas se calhar, sim, foi uma responsabilidade acrescida. E pensei: se até aqui me esforcei tanto, agora tenho de me esforçar mais ainda, não queria defraudar o meu trabalho e as pessoas que estavam a apostar em mim.

Há uma característica comum em todos os papéis que fez: ser a má da fita. É o género que lhe assenta melhor?

Não sei. Há atores que fazem mais personagens do que outras, isso acontece em todo o mundo, porque os autores ou realizadores de alguma forma acham que cai melhor. Não sei porque me escolhem mais para este tipo de personagens, as vilãs. Para mim, fazer de má o desafio é maior, acho que todos temos um lado bom e um lado menos bom dentro de nós. Não acredito que se pode fazer um bom trabalho não tendo estas coisas dentro de nós. Mas podem ser mais exploradas na nossa vida ou não, enquanto pessoa, não me considero nada parecida com a Francisca. E isso é desafiante, não andamos de mãos dadas.

Ser boazinha não a seduz?

O que me seduz são personagens diferentes e bons papéis. Estou cá para interpretar, se me deram uma boazinha, vou fazê-la o melhor que sei.

Concorrência da SIC não a assusta

Como atriz tem estado atenta ao que se vai fazendo em televisão. A SIC deu um grande pulo nas audiências e tornou-se líder à noite. Como vê esta concorrência?

Acho que é saudável para toda a gente. Obviamente nós não passamos por uma fase boa no país, é um momento complicado para todos e a televisão não passa ilesa, mas num futuro próximo pode ser muito interessante esta concorrência. Seja para atores seja para técnicos...

Doce Tentação passou de líder a novela menos vista...

É verdade, passou das novelas mais vistas da TVI para a menos vista, consequência do horário também. Seria hipócrita da minha parte estar a dizer que o que me interessa é o trabalho e a arte. É óbvio que se o feedback do público for bom e a novela for vista, é um bom sinal e é quase como um motor para nós querermos fazer mais e melhor. Mas o projeto está feito e dedicamo-nos a 100%, se as audiências não refletem o nosso trabalho não é culpa nossa.

Ainda é abordada na rua por causa da Francisca?

Sim, esta foi a personagem sobre a qual as pessoas mais me abordaram, sobretudo as crianças. Nem nos Morangos isso aconteceu dessa forma. Gostam das roupas, do batom... este trabalho tem um lado fantasioso muito bom.

Já entrou em várias novelas e escritas por diferentes autores. Partilha da opinião de que há cada vez menos criatividade?

Sou ainda muito pequenina neste meio para ter opiniões muito formadas sobre esse assunto. Ainda me sinto no início do meu percurso. O que eu sei, e olhando para as circunstâncias atuais, e para os nossos vizinhos brasileiros, é que não estamos nada aquém. Lembro-me de virem pessoas da Globo fazer décors nossos com orçamentos muito distintos do que se faz lá, naturalmente mais baixos cá, e isso influencia a ajuda entre atores, técnicos... Aqui, nós temos um diretor de atores para uma novela, isto quer dizer muita coisa.

A ficção portuguesa já ganhou dois Emmy, um deles numa novela em que participou e este ano estiveram nomeadas duas, uma da SIC e outra da TVI. É um orgulho?

Só prova que somos bons. Percebo quando se diz que as coisas se tornam repetitivas, quando as novelas são estendidas é normal que isso aconteça. Já foi tudo inventado, até os nossos vizinhos brasileiros já inventaram tudo, não é em vão que estão a fazer remakes.

Depois de ter ganho o Emmy, há uma responsabilidade acrescida?

Para nós, que fizemos Meu Amor, ter ganho o Emmy foi uma realidade muito longínqua. Quando nos falaram que íamos concorrer, pensámos que era bom, mas sem imaginar que de facto podíamos ganhar. No dia da cerimónia estava em casa, tínhamos o elenco todo a falar por mensagem e, quando recebi a mensagem do Hugo de Sousa a dizer que tínhamos ganho, foi um histerismo... ninguém dormiu naquela noite... Tornou essa realidade longínqua mais próxima, e é muito bom as pessoas serem recompensadas.

A TVI e a SIC passam por um momento particular de cortes de orçamento, em que os contratos de exclusividade não estão a ser renovados. A Sofia ainda tem, mas esta situação preocupa-a?

A mim preocupa-me a situação do país, não a de um canal específico.

Mas no seu caso particular não a preocupa?

Não sei se até lá as coisas vão melhorar ou não, preocupo-me com a situação atual, estou com os pés assentes na terra e com um olho no futuro, mas acho que é uma consequência da conjuntura que estamos a viver e, se querem manter postos de trabalho, há que fazer estas coisas. Isto acontece em todo o lado. Preocupa-me num futuro próximo, nós trabalhamos a recibos verdes, as condições para quem trabalha assim não são boas. Temos de aprender a viver com ela. Eu sou uma privilegiada neste aspeto, tenho 28 anos, tenho contrato não me posso queixar. Mas vejo pessoas que fazem disto vida há imensos anos em situações difíceis e faz-me olhar para o futuro e pensar que isso nos pode acontecer a todos.

Tem um pé-de-meia?

Tenho, claro. Tenho de o fazer, tentar pelo menos. Vivo muito o presente, sem dar passos maiores do que a minha perna e pensado no futuro, porque quero que ele seja minimamente confortável.

Nunca pensou ser apresentadora, como algumas atrizes da sua geração?

Não, de todo. Já me foi posta essa possibilidade algumas vezes e eu digo sempre que não.

Porquê?

Porque eu não tenho jeito para entrevistas, acho que também não tenho jeito para entrevistar e não me sinto à vontade com as câmaras apontadas para mim enquanto Sofia, fico muito nervosa. Não estou habituada a falar para uma câmara, falo para uma contracena, e não estaria protegida por personagem nenhuma. Sinto-me despida, não tenho esse objetivo de ser apresentadora, acho que já há tanta gente a fazer tão bem... Não me identifico, não condeno e acho que cada vez mais as pessoas têm de abrir horizontes e fazer coisas diferentes. Mas eu não, fico-me com a representação e os trabalhos de moda.

Casamento de sonho terminou há um mês

Este ano tem sido difícil, como já disse em algumas entrevistas...

A minha relação com a imprensa sempre foi de respeito, mas a certa altura era apenas eu a respeitar. Nunca virei a cara a ninguém, sempre colaborei, mas do outro lado senti que tinham perdido o respeito por mim.

Está a falar do que se escreveu relativamente à sua relação com o manequim Rúben Rua, de quem se divorciou recentemente?

Sim. Invadiram a minha privacidade, foram ditas muitas mentiras. Se disserem coisas da Sofia, mal ou bem, eu lido com isso. Agora falarem das pessoas que me são próximas, amigos, não posso aceitar e não acho justo. Tenho pessoas que admiro enquanto profissionais e não tenho curiosidade em ver a vida delas devassada. Não percebo porque é que isto existe. E a partir do momento que não percebo deixo de respeitar. Não me ponho a jeito, há muitas pessoas que o fazem, põem-se em bicos de pés, mas eu não fiz isso. Se eu tivesse aberto a porta de minha casa tinha de me aguentar, eu sei que não posso mudar as regras do jogo, mas eu não o fiz. Falei o necessário e o que achava que devia dizer porque também sei que as pessoas têm curiosidade.

Mas a Sofia e o Rúben quando casaram convidaram uma publicação para fazer a cobertura do casamento e tiveram fotógrafos à porta da igreja...

O que nós fizemos foi um protocolo com a revista Caras porque nós sabíamos que não era possível controlar não sair notícias e fotografias do casamento. Já que ia sair, então que saísse o que nós queríamos, pensámos em partilhar um bocadinho do nosso momento, com uma permuta muito respeitosa da parte da Caras. Nós tivemos propostas de todo o lado e muito mais vantajosas, que nos pagariam o casamento, que não foi o que aconteceu, nós não quisemos. Não quisemos devassar aquele momento, apenas partilhar um bocadinho.

No ano passado disse que fizeram uma novela da sua vida... isso também vos prejudicou enquanto casal?

Sinto que dificilmente estas coisas passam ao lado de qualquer pessoa, seja ela quem for, mais ou menos bem resolvida. E não é só para os envolvidos, mas também para as pessoas próximas e que não são mediáticas. E quando há pessoas que sabem da nossa vida como ninguém a verem coisas horríveis e falsas verdades, começam a questionar se de facto é verdade. É preciso, sem dúvida, uma capacidade muito grande para tentar pôr as coisas de lado e relativizar.

Deixaram de conseguir relativizar?

Não me vou alongar no tema, o que se passou na minha vida e na do Rúben é nosso e assim ficará. Se as pessoas estão preparadas para isto? Quem diz que está, está a mentir. Acho que ninguém está preparado para entrar num quiosque e ver coisas horríveis sobre nós. E sobretudo sobre mim. De repente, quando me casei, virei uma louca, que só queria noites, festas, que entrei em caminhos pouco corretos. Mas isto faz algum sentido? A ser verdade, onde estão as fotografias? Vamos ser coerentes, as pessoas dormiam à minha porta, se eu saísse e andasse em festas havia provas. E se o quisesse fazer, teria todo o direito, como qualquer pessoa faz. É da minha vida que se trata. Mas como é que uma pessoa com 12 horas de trabalho e mais umas quantas em casa depois tem vida para andar nessas festas. É pura mentira.

O que se passou afinal?

Não sei. Se há meses eu era uma atriz promissora, uma pessoa com um comportamento exemplar, o que mudou em meses? Não faz sentido. Até hoje não consigo compreender o porquê destas coisas acontecerem. Há coisas que magoam e nos fazem pensar até que ponto é que tudo isto vale a pena. Eu sou muito feliz com esta profissão, quero muito continuar e, se Deus quiser, hei de ser atriz até ser velhinha, mas se puder trocar este lado mediático agradeço.

Parecia um sonho o que estavam a viver, mas acabou. Isso deixou-a fragilizada?

[Emociona-se] O que tinha a dizer disse em comunicado. [Pausa] Na minha vida toda, desde o início sempre me foquei muito em aprender, evoluir a nível profissional. E tudo na nossa vida, seja bom ou mau, é uma aprendizagem. Eu tenho muita vontade de ser melhor pessoa, de crescer enquanto profissional, e a minha força não baixou. As coisas na nossa vida não acontecem por acaso, sejam elas boas ou más. Não me arrependo de nada na minha vida. Só me arrependo do que não faço, é uma frase feita, mas é mesmo verdade.

Ficaram amigos?

Não vou mesmo falar sobre isso. O que se passou entre nós, entre nós vai ficar.

Diário de Notícias
www.dn.pt