O ex-ministro Pedro Nuno Santos assegurou anunciou esta tarde na comissão de inquérito à administração da TAP que regressará à vida política ativa, como deputado..Garantindo que "não é candidato a nada", o ex-ministro das Infraestruturas afirmou que irá ocupar o seu lugar no Parlamento a 4 de julho..Antes, Pedro Nuno Santos aifirmara que nunca sentiu falta de solidariedade do primeiro-ministro, António Costa, e que o pedido de demissão foi decisão sua..Durante a audição na comissão parlamentar de inquérito à TAP, Pedro Filipe Soares questionou o antigo ministro das Infraestruturas e da Habitação sobre o email do seu antigo secretário de Estado Hugo Mendes sobre uma alteração de um voo do Presidente da República e que mereceu duras críticas do primeiro-ministro, António Costa.."Eu tinha e tenho uma boa relação com o primeiro-ministro. Vou sempre vendo muitas leituras (...) Nunca senti falta de solidariedade do primeiro-ministro", assegurou Pedro Nuno Santos..O antigo governante reiterou que a decisão de se demitir na sequência da polémica indemnização de 500.00 euros paga à ex-administradora da TAP Alexandra Reis foi sua: "Quando decidi demitir-me, demiti-me"..Sobre o e-mail de Hugo Mendes, Pedro Nuno Santos partilhou que "foi infeliz", tal como disse na véspera o seu antigo secretário de Estado na mesma comissão de inquérito, mas sublinhou que "Hugo Mendes é muito mais do que aquele email" e que este "não o define"..Mais à frente, e apesar de a resposta ser ao deputado do PS Hugo Carvalho, o antigo governante voltou a falar para Pedro Filipe Soares e, numa alusão à geringonça, atirou: "foi bom enquanto durou"..Com os apartes dos partidos da direita, Pedro Nuno Santos foi mais longe: "correu bem para o país e para o povo português. A memória que os portugueses têm desses quatro anos foi uma memória boa"..O ex-ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, defendeu esta quinta-feira que os resultados positivos apresentados pela TAP devem refletir-se numa reversão mais rápida dos cortes salariais aos trabalhadores, que foram alvo de "sacrifícios muito intensos" com o plano de reestruturação.."Acho que, obviamente, parte do sucesso da TAP deve ser canalizado para quem, na realidade, foi alvo de sacrifícios muito intensos nos últimos anos, que foram os trabalhadores. Estes resultados que apresento politicamente são resultado do trabalho da administração e dos trabalhadores da TAP, e com muito sacrifício pessoal e familiar", respondeu Pedro Nuno Santos ao deputado do PCP Bruno Dias, na comissão de inquérito à companhia aérea que, às 20:00, já levava seis horas de duração..O ex-ministro defendeu que os resultados positivos da TAP devem refletir-se "numa reversão mais rápida" dos cortes salariais e que "esse caminho devia poder começar a ser feito".."Estes resultados são também dos trabalhadores", realçou..Já o deputado do PSD Paulo Moniz questionou o ex-governante sobre um email da ex-CEO da TAP para os ex-secretários de Estado Hugo Mendes e Miguel Cruz, onde é dito que teria anuído ao cumprimento de objetivos dos primeiros seis meses em funções e que, por isso, não estava em causa o bónus da então presidente executiva..Pedro Nuno Santos respondeu que se tinha tratado de uma "conversa informal" com Christine Ourmières-Widener, da qual não é possível tirar qualquer conclusão sobre atribuição de bónus, mas confirmou que estava satisfeito com os resultados alcançados naquele período..Paulo Moniz questionou também se o ex-ministro tinha falado com a sua ex-chefe de gabinete, Maria Antónia Araújo, antes das suas audições na comissão de inquérito.."Eu sei qual é a diferença entre uma CPI e um tribunal, eu sei qual é a diferença entre um deputado e um juiz. [...] Ou o senhor deputado evolui na sua posição e defende que as pessoas que vêm à CPI não podem falar entre si, ou esta questão, na minha opinião, se me é permitida, diminui a própria CPI", respondeu Pedro Nuno Santos, acrescentando que a troca de impressões com pessoas com quem trabalhou contribuem para as respostas a dar aos deputados..Paulo Moniz questionou também se, enquanto foi ministro, o plano de reestruturação da TAP estava apenas no computador de Frederico Pinheiro. "No meu tempo não estava só no do doutor Frederico Pinheiro"..Já questionado por André Ventura, do Chega, sobre os incidentes no Ministério das Infraestruturas, em 26 de abril, que envolveram Frederico Pinheiro, Pedro Nuno Santos recusou-se a emitir uma opinião.."A única coisa que posso dizer é de que eu não tomo lados sobre episódios que não presenciei", concluiu..Mais à frente, o ex-ministro esclareceu ao deputado Bernardo Blanco, da IL, que Frederico Pinheiro não lhe pediu ajuda e que quis apenas perceber o que se tinha passado, não tendo falado com mais ninguém sobre a questão..Já sobre o comunicado da TAP à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), sobre a saída de Alexandra Reis para abraçar novos desafios, Pedro Nuno Santos disse não interpretar aquela informação como uma mentira.."Olho [para aquele comunicado] como uma transposição de um acordo que resulta de uma solução jurídica que eu não conhecia e sobre a qual não tinha de me pronunciar", sublinhou..Já sobre as afirmações do ex-presidente do Conselho de Administração da TAP de que tentou falar quatro vezes com o então ministro da tutela setorial sobre Alexandra Reis, sem sucesso, Pedro Nuno Santos disse que teve várias reuniões com Manuel Beja, mas "não conseguia atender toda a gente a toda a hora, infelizmente".."Eu estava em campanha, era o cabeça de lista em Aveiro. Tinha a minha chefe de gabinete disponível para atender e tinha o secretário de Estado Hugo Mendes. [...] Se fosse imprescindível para o 'chairman' falar com o ministro para assinar o acordo, não assinava antes de falar com o ministro", argumentou..Sobre o auxílio de Estado à TAP, Pedro Nuno Santos reiterou que "foi tomada uma decisão política pelo Governo de salvar" a companhia aérea.."O dinheiro injetado é muito e eu compreendo a inquietação e a preocupação num país com dificuldades, onde se ganha pouco, mas aquela companhia é central para Portugal e para a economia portuguesa e, portanto, para todos", afirmou..Antes, Pedro Nuno Santos falou sobre a indemnização paga à administradora Alexandra Reis."A indemnização a Alexandra Reis é menos de 1% do trabalho que tivemos na TAP, é menos de 0,1% do trabalho que tivemos no ministério, mas foi um processo que objetivamente correu mal", assumiu..O ex-ministro admitiu que o valor da indemnização paga a Alexandra Reis "é alto em qualquer país do mundo" e em "Portugal ainda mais".."Mas numa empresa onde os salários dos administradores são altos, onde temos trabalhadores que também ganham muito, alguns mais do que vogais do Conselho de Administração e, por isso, a indemnização - sendo um valor alto - é conducente com os salários pagos naquela empresa, tal como na Caixa Geral de Depósitos, quando pagaram um milhão de euros a um ex-administrador e 750.000 euros a outro", sublinhou..Pedro Nuno Santos disse lamentar o que aconteceu a Alexandra Reis, considerando-a "altamente competente, inteligente e trabalhadora" e esperando que se refaça rapidamente da polémica da indemnização, pois será útil a quem quiser trabalhar com ela..O ex-ministro respondia a questões do deputado da IL, Bernardo Blanco, sobre um 'email' enviado por Alexandra Reis a colocar o cargo à disposição, anterior à saída com a indemnização de 500 000 euros, e ao qual Pedro Nuno Santos não respondeu.."A engenheira Alexandra Reis era um quadro da TAP competentíssimo, altamente competente, inteligente, trabalhadora, lamento muito isto que lhe aconteceu e espero que consiga refazer-se rapidamente, porque será útil a quem quiser trabalhar com ela", afirmou o ex-ministro que se demitiu na sequência da polémica indemnização..Pedro Nuno Santos defendeu que aquele 'email' nada tem a ver com a saída de Alexandra Reis.."Infelizmente, há de haver mais 'emails' aos quais não respondi. [...] A questão para mim estava resolvida, a engenheira Alexandra Reis põe o lugar à disposição, no mesmo 'email' diz que quer continuar, nós não tínhamos nenhuma razão para a substituir e não partiu de nós a iniciativa de substituição", afirmou..O ex-governante reiterou que Alexandra Reis saiu da TAP, não por estar de mal com o acionista (Estado) ou por ser incompetente, mas porque a então presidente executiva, Christine Ourmières-Widener, queria alterar a sua equipa, que só tinha um elemento escolhido por si, e entendia que aquela administradora não tinha lugar na nova configuração..Pedro Nuno Santos disse ainda que a autorização a Ourmières-Widener para avançar com a substituição foi dada por si, numa reunião a sós com a ex-CEO, em 04 de janeiro de 2022, e que o primeiro comunicado de demissão do Governo foi feito com a memória daquele momento.."Logo que identifiquei a mensagem [a dar anuência ao valor de 500.000 euros], eu tornei-a pública", acrescentou..Já sobre a participação do ex-secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Mendes, na reunião com a TAP em que foi preparada a resposta ao despacho ministerial para perceber a questão da saída da ex-administradora, Pedro Nuno Santos disse apenas ter tido conhecimento pela comunicação social..O ex-ministro negou qualquer ligação entre a saída da TAP de Alexandra Reis e a sua ida para a NAV, afirmando que "ainda bem" que aceitou este último convite..Pedro Nuno Santos foi questionado sobre se não lhe tinha causado preocupação que Alexandra Reis, depois de sair da TAP com uma indemnização de 500.000 euros, tenha ido para presidente da NAV a convite do Governo.."Os processos não têm nenhuma ligação entre si. (...) Alexandra Reis vai para a NAV porque nós tínhamos uma falha na NAV, não tínhamos presidente, preenchia os requisitos e ela foi convidada", referiu..Pedro Nuno Santos disse que se o Governo achasse que "havia alguma coisa errada" com o processo de saída da TAP, não era a ida para a NAV que estaria em causa uma vez que não teria sido sequer dada autorização para o acordo com Alexandra Reis.."Acho que entretanto foi ficando claro a falta de relação entre as duas situações. Havia uma empresa que tinha uma falha e o secretário de Estado teve uma excelente ideia e a engenheira Alexandra Reis ainda bem que aceitou e ainda mal que saiu", disse, mais à frente, ao deputado do PS Hugo Carvalho..Questionado pelo deputado do BE sobre porque é que não verificou se Alexandra Reis tinha devolvido parte da indemnização no momento em que regressou a uma função de gestora pública na NAV, Pedro Nuno Santos sublinhou que essa não é a sua função.."Achava que era uma responsabilidade do gestor público", defendeu..Pedro Filipe Soares retomou a reunião que o ex-ministro teve com a antiga CEO da TAP, Christine Ourmières-Widener, na qual deu autorização para o pedido de substituição de Alexandra Reis, reiterando Pedro Nuno Santos que fez "aquilo que era correto"..O antigo governante não se recordou de qualquer caso concreto de incompatibilidade que lhe tenha sido reportado pela ex-CEO da TAP, mas percebeu que "havia um mal-estar", sendo que "mais do que isso" era o facto de Alexandra Reis "não se enquadrar na ideia de comissão executiva" que Ourmières-Widener tinha..Sobre o mail que Alexandra Reis enviou dias antes a colocar o lugar à disposição, mas mantendo disponibilidade para continuar, Pedro Filipe Soares referiu que, depois da reunião com a ex-CEO da TAP, Pedro Nuno Santos ainda estava a tempo de responder.."Cada um sabe como é que se relaciona com as pessoas. (...) Eu poderia ter feito uma coisa com a qual não concordo que era dizer 'não fale com ela, não lhe diga nada, que eu vou responder à Alexandra Reis a dizer que aceito a demissão. O que é que isso diria sobre mim?", questionou, reiterando que a questão da saída foi levantada por Ourmières-Widener "por outros motivos"..Questionado sobre se não considerava que 500.000 euros era um valor demasiado elevado para dar à antiga CEO a equipa que pretendia, Pedro Nuno Santos respondeu: "não é assim que funciona a vida"..Questionado pelo deputado Hugo Carvalho sobre uma carta enviada pelo antigo presidente executivo da TAP Fernando Pinto ao Governo PSD/CDS-PP, em 04 de novembro de 2015, a dar conta da grave situação financeira da companhia, e se considerava que aquele executivo tinha uma estratégia de descapitalizar a TAP para levar à sua venda, Pedro Nuno Santos disse não acreditar naquela ideia.."Eu diria com certeza que não houve uma estratégia para descapitalizar a TAP, mas a carta que lê é ilustrativa de que há consequências da ação política que contribuíram para essa degradação. Agora uma estratégia deliberada? Não acredito nisso", afirmou o ex-governante..Já sobre Frederico Pinheiro, adjunto exonerado pelo atual ministro das Infraestruturas, João Galamba, envolvido no polémico caso do computador de serviço que foi recuperado pelo Serviço de Informações de Segurança (SIS), Pedro Nuno Santos, disse que se não estivesse satisfeito com o seu trabalho, não teria trabalhado com ele seis anos..Questionado pelo deputado do PSD Paulo Moniz sobre se tinha falado "várias vezes" com Frederico Pinheiro em 26 de abril, a noite dos problemas no Ministério das Infraestruturas, depois da sua exoneração, Pedro Nuno Santos confirmou ter-lhe telefonado a perguntar o que tinha acontecido, achando que foi apenas uma vez..Pedro Nuno Santos rejeitou que tenha havido interferência política na TAP, considerando que as audições na comissão de inquérito o comprovam, reiterando que os governantes "não se comportam como gestores".."Ao longo destas dezenas de audições, o que se consegue comprovar [...] é que não há interferência na gestão corrente da TAP", afirmou..Pedro Nuno Santos apontou uma "exceção que confirma a regra", em relação à polémica em torno da substituição da frota automóvel da companhia aérea, em que o Governo, "provavelmente errado", pediu à empresa para pensar numa alternativa, tendo em conta a dimensão política que o caso ganhou.."Eu não percebo de aviação e sabia que no dia em que começasse a dar instruções na gestão da empresa as coisas iam correr mal", sublinhou o ex-governante que se demitiu na sequência da polémica indemnização de 500.000 euros paga à ex-administradora da companhia Alexandra Reis..Pedro Nuno Santos recordou as declarações da ex-presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, sobre ter sentido pressão política enquanto esteve em funções, mas apontou que a gestora, "em nenhum momento", se referia a si..O ex-ministro leu excertos de intervenções passadas no parlamento em que afirmou: "O Estado comporta-se como acionista e os ministros não se comportam como gestores"..Pedro Nuno Santos assumiu ter responsabilidades na perceção de interferência na empresa, "que não corresponde à realidade", pela forma como se entregou a este tema e pela defesa da empresa no seu "estilo" e "registo".."Entreguei-me de corpo e alma ao dossiê da TAP, [...] eu queria que as coisas corressem bem, dei a cara, dei o corpo às balas, entreguei-me pela empresa, mas sabia que a melhor forma para coisas correrem bem era não me meter na gestão", referiu..O ex-ministro garantiu que desconhecia os chamados fundos Airbus quando foi feita a negociação com David Neeleman, em 2020, em que o Estado pagou 55 milhões de euros ao ex-acionista para sair da companhia. "Assumi funções em 2019, esse processo foi uma questão que não foi colocada. [...] Quando é feita a negociação [com David Neeleman] não existe essa clarividência", respondeu Pedro Nuno Santos ao deputado do PCP Bruno Dias, na comissão de inquérito à TAP..O deputado do PCP tinha perguntado se o ex-ministro das Infraestruturas e da Habitação sabia dos chamados fundos Airbus no momento em que foi negociada a saída de David Neeleman da companhia aérea, em 2020, quando o Estado pagou ao ex-empresário 55 milhões de euros e recuperou o controlo estratégico da empresa.."Quando tomou conhecimento desta situação de David Neeleman ter comprado a TAP com dinheiro que a TAP ia pagar?", questionou Bruno Dias..O negócio entre David Neeleman e a Airbus permitiu a capitalização da companhia pela Atlantic Gateway (consórcio de Neeleman com Humberto Pedrosa que ganhou a privatização feita pelo Governo PSD/CDS-PP), no valor de 226,75 milhões de euros..O antigo secretário de Estado Sérgio Monteiro disse, no parlamento, ter ficado com a convicção de que se tratou de um desconto comercial, devido à dimensão da encomenda..Adicionalmente, uma auditoria pedida pela TAP concluiu, no ano passado, haver indícios de que a companhia possa estar a pagar mais do que as concorrentes pelos aviões Airbus, tendo o Governo decidido enviá-la para o Ministério Público, que abriu um inquérito.."Agora que tenho mais conhecimento do processo, não deixa de me suscitar alguma inquietação. [...] Se essa é a explicação, o desconto comercial é da TAP, não é dado ao patrão ou ao acionista", defendeu hoje Pedro Nuno Santos..O ex-ministro sublinhou que a auditoria não deve ser desvalorizada, mas também não pode afirmar que a operação com a Airbus tenha sido ilegal..(notícia atualizada às 22.00)