"Ser campeão apenas coroou o meu ano, não a minha alma"

Sem ninguém dar muito por ele, em comparação com outros surfistas mais mediáticos, foi Mineiro quem conquistou o título mundial de surf este ano
Publicado a
Atualizado a

Acabou de conquistar um dos maiores objetivos da sua vida, que era ser campeão do mundo. Qual é a sensação?

Ser campeão em Pipeline, no Havai, é um privilégio para poucos. Agradeço muito à minha família que está aqui comigo, à minha mulher, à minha sogra, à Carol, a namorada do Ricardo dos Santos [surfista brasileiro assassinado por um polícia militar no início deste ano] e a todos os meus amigos e fãs que contribuíram para esta boa vibração que se sente aqui e agora no Havai. Eu acreditei desde o início que este dia seria possível e eles ajudaram-me.

[youtube:u_EGdiQ_x-s]

Mencionou muito o nome do Ricardo ao longo deste campeonato. Há alguma mensagem que queria deixar-lhe?

Este troféu é dedicado ao Ricardo, à alma dele. Ele sempre torceu para eu ser campeão mundial, disse-me várias vezes "você é o cara que mais merece". As pessoas dizem muitas vezes "você merece", mas, honestamente, acho que todos os surfistas do circuito mundial merecem, todos batalham para alcançar o mesmo objetivo, o mesmo troféu. Não é brincadeira ser campeão do mundo. Existem talvez uns 70 mil surfistas no mundo e apenas uma minoria consegue alcançar este feito. Graças a Deus tive a oportunidade de concretizar este sonho.

Chegou ao Havai mais cedo do que é costume e ficou na casa de Jamie O"Brien, uns dos experts na onda de Pipeline e o seu conselheiro local. Parece que a estratégia funcionou...

Sim, neste ano cheguei ao Havai muito cedo para treinar aqui em Pipeline e agradeço a ajuda do Jamie. Olhava para a onda todos os dias e pensava: "O meu sonho pode realizar-se aqui, é possível." E foi!

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt