A Segurança Social não terá perdas diretas com a dívida do Novo Banco que passa para o BES. A garantia é dada pelo ministério tutelado por Vieira da Silva. "O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social [FEFSS] não detém obrigações seniores do BES", revela fonte oficial em declarações ao DN/Dinheiro Vivo..O FEFSS, gerido pelo Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social e com mais de 12,5 mil milhões de euros em carteira, tem como objetivo garantir uma almofada financeira para suprir eventuais défices do sistema de pensões dos portugueses numa situação de emergência. O fundo investe regularmente em ações e em títulos de dívida públicos e privados. Mas a atual carteira do FEFSS não tem exposição às cinco emissões de obrigações seniores que foram devolvidas pelo Novo Banco ao BES..BES será mau liquidado.Apesar de os detentores dos quase 2000 milhões de euros em títulos de dívida terem prioridade no reembolso numa situação de insolvência do emitente, com a transferência do Novo Banco para o BES os investidores qualificados dificilmente serão ressarcidos pelo bad bank, que entrará em breve em processo de liquidação e não tem ativos suficientes para pagar a todos os credores. Os grandes perdedores serão essencialmente fundos de investimento internacionais, com o BlackRock e o Pimco à cabeça, de acordo com a Bloomberg. Com esta operação o Novo Banco aumentou os rácios de capital para 13%..Impacto do colapso da PT.Embora a Segurança Social não seja afetada pela capitalização do Novo Banco, a carteira do fundo foi prejudicada com um dos danos colaterais da queda do universo Espírito Santo - o colapso da Portugal Telecom..O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social tem uma reserva estratégica que investe em participações consideradas de longo prazo no capital de empresas que poderão representar interesses estratégicos do Estado português. Por via dessa reserva, o fundo é acionista da PT SGPS, atual Pharol. A participação inicial era superior a 2% da PT, um investimento de 109 milhões. No final de 2014, essa posição estava avaliada em apenas 17,5 milhões. Feitas as contas, as ações foram vendidas com uma perda de quase 92 milhões de euros..Entretanto, já em março deste ano, o instituto que gere os fundos da Segurança Social desinvestiu na operadora de telecomunicações, vendendo ações e reduzindo a participação para 1,593%, deixando assim de ser um investidor qualificado..Partindo do pressuposto de que o fundo não voltou a vender ações, a participação está agora avaliada em cerca de 3,9 milhões. De acordo com o último relatório e contas do FEFSS, a atual carteira tem uma menos-valia potencial de 4,3 milhões de euros, tendo em conta a cotação atual das ações da Pharol (0,275 euros)..Grandes bancos sem exposição.Em declarações ao DN/Dinheiro Vivo, os maiores bancos nacionais - CGD, BCP, BPI, Santander Totta e Montepio - garantem não ter qualquer exposição às obrigações seniores transferidas para o BES, pelo que não arriscam perdas diretas..Ontem, o regulador do mercado de capitais levantou a suspensão da negociação dos valores mobiliários. Fora do mercado regulado, os títulos de dívida transferidos para o BES chegaram a cair 80%. A Bloomberg referia que os investidores internacionais estão a reagir com desagrado ao tratamento indiferenciado face aos pequenos investidores e ameaçam com processos.