Segredos do Convento da Graça revelam-se à cidade

Percurso público vai ser gratuito e entrada é feita junto à igreja da Graça. Descansar no claustro e azulejos do século XVI são atrativos
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A pouco mais de 24 horas da inauguração ainda há trabalhos de última hora a decorrer. Mas grande parte do novo percurso público de Lisboa está totalmente restaurado, depois de seis meses de obras. Estamos no interior do Convento da Graça, ao lado da igreja com o mesmo nome. A visita guiada de antecipação é feita pelo vereador José Sá Fernandes que não esconde o entusiasmo por, finalmente, ver "restituído à cidade" um dos espaços que classifica como "dos mais bonitos".

"É um espaço com duplo interesse: para quem é crente e para quem gosta de história", justifica o vereador da Estrutura Verde, que há 17 anos pôs uma ação contra o Estado para que o Convento da Graça fosse aberto ao público. Momento a que assiste finalmente, sublinha. A cerimónia oficial de inauguração está marcada para as 15.00 de hoje e a partir daí vai ser possível visitar a antiga portaria e capela, por onde se entra, seguindo depois para a Sala do Capítulo, que dá passagem para o claustro e do outro lado a portaria de acesso à sacristia, que, neste momento, funciona como capela mortuária.

O restauro e posterior abertura ao público aconteceu depois de um protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa, a Fábrica Paroquial da Freguesia de Santo André-Graça e a Real Irmandade de Santa Cruz e Passos da Graça. Por ter servido já vários fins, foi necessário algum trabalho de fundo no restauro. Logo à entrada, José Sá Fernandes aponta para as paredes cobertas de mármores de várias cores e garante: "Não se via nada."

Na sala ao lado, 192 azulejos que retrataram vários mártires deixaram de zelar pelos bebés que outrora aqui dormiam - a sala funcionou como creche e "cheguei a ver aqui camas com bebés a dormir e imagens de chicotes atrás, não era muito adequado", recorda Sá Fernandes. No centro da sala está exposta uma réplica da Procissão do Corpo de Deus no século XVIII, que pode ser vista até outubro. No resto do ano, "só a história dos painéis já é suficientemente interessante", defende o vereador. "É uma sala muito ligada à história da Arménia, que foi o primeiro país cristão."

Os apontamentos históricos descansam por breves momentos quando se entra no claustro. "Quando estiverem aqui os bancos as pessoas podem descansar e relaxar num dos claustros mais bonitos da cidade, um claustro joanino, também cheio de história", sublinha o autarca. No meio está um jardim, que no verão estará mais seco, porque a opção foi de usar pastagem permanente de sequeiro. Em toda a volta, as obras de restauro no local que serviu de cavalariças e teve cimento e calçada a tapar o antigo cemitério dos frades agostinianos, já não foi possível restituir o chão original. Foram identificadas 360 sepulturas e a entrada para uma cripta que ainda está a ser destapada e estudada. "Ainda não sabemos onde vai dar, nem o que esconde", antecipa Sá Fernandes.

No último ponto do percurso é possível admirar "a mais bela portaria de Portugal", cujo pórtico sobreviveu ao terramoto de 1755. O próximo passo é "conquistar" a sacristia, monumento nacional, mas que serve de capela mortuária.

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