Polémica. A escolha de Pedro Santana Lopes como candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa está a gerar uma enorme turbulência no partido. Manuela Ferreira Leite continua a não falar do assunto, mas ontem o líder do PSD/Lisboa deu a entender que a distrital aprovou Santana Lopes em seu nome.Carlos Carreiras atira-se a José Pacheco Pereira.A oficialização da candidatura de Pedro Santana Lopes pode estar por dias. Mas várias figuras próximas de Manuela Ferreira Leite estão a fazer pressão total para que não candidate o antigo primeiro-ministro em Lisboa. Depois de Marcelo Rebelo de Sousa, José Pacheco Pereira, surgiram informações de que Paula Teixeira da Cruz e Macário Correia também são contra. E, na própria direcção de Ferreira Leite, António Borges deu uma entrevista à Antena 1 a dizer que o candidato não está escolhido e a também vice-presidente Sofia Galvão tem confidenciado que a escolha não é boa..Confrontado ontem com estas oposições ao seu avanço em Lisboa, Pedro Santana Lopes escusou-se a comentar, dizendo que na televisão só tinha visto o último debate entre Barack Obama e John McCain. A não referência da Quadratura do Círculo, na SIC Notícias, onde Pacheco Pereira foi duríssimo era mais que intencional. Mas Santana só não responde porque espera pela primeira palavra pública de Manuela Ferreira Leite sobre o assunto. Coisa que começa a tardar, perante o clima que se vai instalando.."Pedro Santana Lopes, como anda por aí e, infelizmente, ainda não lhe arranjaram um sítio para estar, está sempre disponível e transforma essa disponibilidade numa virtude, quando na realidade tem que se pensar duas vezes nessa disponibilidade, tanto mais que Pedro Santana Lopes é a imagem da derrota do PSD em 2005", afirmou Pacheco na SIC Notícias. A resposta não tardou. No mesmo local, em vários órgãos de informação e também ao DN, Carlos Carreiras subiu o tom. "Pacheco Pereira é um comentador político, tem o seu mercado e é pago para isso. Ele usa a demagogia para manter o seu valor", disse..O líder do PSD/Lisboa, que sucedeu a Paula Teixeira da Cruz, garantiu que os nomes que Pacheco Pereira lançou como alternativa - António Borges, Nuno Morais Sarmento e Pedro Passos Coelho - são os de militantes que não aceitariam ir a eleições em Lisboa. E considerou esse gesto como sendo de uma "grande desonestidade intelectual". Mas não se ficou por aí e lembrou os tempos de Pacheco como líder da distrital de Lisboa do PSD, onde obteve resultados "catastróficos". E acabou a acusá-lo de "cobardia política". Mais importante que isto, garantiu que a escolha de Santana está assegurada por "um processo de decisão"..Com isto, Carlos Carreiras quis vincular Manuela Ferreira Leite à decisão de levar o nome de Santana a votos na reunião alargada da distrital, desta terça-feira, onde o pré-candidato teve 29 votos a favor, dois contra e dois brancos. Marcelo prognosticou que a decisão ia dar polémica. E deu. .Ferreira Leite não vota no seu candidato?.Declarações. A líder do PSD disse a uma revista que preferia não votar Santana.Manuela Ferreira Leite sempre teve uma relação política com Pedro Santana Lopes de altos e baixos. Quando ambos conviveram nos governos de Aníbal Cavaco Silva (1985-1995), Santana era secretário de Estado da Cultura, ao passo que Manuela só chegou mais tarde, em plena crise das propinas, para substituit Fernando Couto dos Santos na pasta da Educação..Em 1995, Santana Lopes luta com Fernando Nogueira e com Durão Barroso no congresso do Coliseu dos Recreios. Manuela está na sombra. Ainda não tinha peso político, que começaria a adquirir aos poucos e em crescendo, ao ponto de substituir Leonor Beleza como a mulher mais aplaudida nos congressos do PSD..Quando Marcelo Rebelo de Sousa ascende à liderança do PSD, Manuela Ferreira Leite sobe a vice-presidente. Mais tarde é líder parlamentar com Durão Barroso. E, quando este chega ao Governo em 2002, entrega-lhe a pasta das Finanças. É deste período o primeiro atrito Manuela-Santana, a propósito dos cortes orçamentais e dos limites aos endividamento das câmaras municipais. É que Santana Lopes, entretanto, já ganhara Lisboa em Dezembro de 2001. Apesar disso, a relação de simpatia pessoal entre os dois mantém-se..Em 2004, Santana Lopes é o escolhido para suceder a Durão no Governo. Em vez de optar pelo número dois no executivo, a ministra de Estado e das Finanças, Ferreira Leite, Barroso opta pelo número dois no partido. A ministra bate com a porta e declina um convite para continuar com Santana. Quando este cai e sai derrotado em 2005, é a escolhida para presidir à mesa do congresso no consulado de Luís Marques Mendes. .Nas autárquicas de 2005, Mendes afasta Santana a favor de Carmona Rodrigues. Manuela dá o aval. Nas eleições directas deste ano são adversários e a dada altura a revista Sábado entrevista-a, na sequência de uma manchete do JN. Lá, Manuela explica que nunca votaria no nome... Santana.