Sampaio não queria mesmo Santana Lopes como primeiro-ministro

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A história da ascensão e queda de Santana Lopes do pedestal de primeiro-ministro, e contada pelo próprio no livro que lançou ontem, tem outra versão segundo as palavras do ex-presidente da República que o fez tombar. Em entrevista ao DN, em Março deste ano, Jorge Sampaio rejeita a tese santanista de que a sua demissão foi urdida nos bastidores por um conjunto de personalidades interessadas no poder. Mas há um ponto no qual as duas versões convergem: Sampaio queria uma alternativa a Santana quando Durão Barroso anunciou que partia para a UE.

"Durão Barroso disse mais [sobre a sua substituição]: que Jorge Sampaio perguntou pela possibilidade de realização de um congresso que escolhesse a nova liderança, ideia aliás coincidente com a posição defendida por Marques Mendes e por outros que se opunham à minha nomeação", refere Santana Lopes na obra Percepções e Realidade. E acrescenta: "Foram-me passando essas informações, que davam conta de um permanente oscilar entre a orientação de nomear um novo Governo e a de convocação de eleições."

Na entrevista ao DN, Sampaio justifica esse "oscilar", ao dizer que "havia um barulho ensurdecedor" em torno da dissolução. "Eu queria ganhar tempo e fiz alguns contactos. Mas ninguém apresentou alternativas ao nome de Pedro Santana Lopes." O ex-inquilino de Belém admite que os nomes de Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes e o de Marcelo Rebelo de Sousa eram boas alternativas. "Não houve indecisão, como por vezes se diz, mas uma tentativa de esgotar as hipóteses."

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