Ruby defende Berlusconi e nega ser prostituta

A jovem marroquina Ruby, no centro do julgamento do ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi por incitação à prostituição de menores, pediu hoje para ser ouvida pelo tribunal e negou que alguma vez se tenha prostituído.
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Num protesto à porta do tribunal de Milão que dentro de algumas semanas vai proferir o veredicto, Karima El-Mahroug, conhecida como Ruby "Rouba Corações", afirmou ter sido "manipulada" pelos procuradores e pelos 'media'. El-Mahroug faz parte das listas de testemunhas, tanto da defesa de Berlusconi como da acusação, mas não testemunhou em tribunal e os juízes decidiram basear-se nas declarações que fez anteriormente à polícia."Quero que seja feita verdadeira justiça", disse a rapariga de 20 anos, lendo de um texto pré-preparado e segurando um cartaz com a inscrição: "Quero defender-me das mentiras e dos preconceitos"."Quero que as pessoas saibam que a imprensa errou porque me prejudicou para atacar Silvio Berlusconi. (...) Fizeram de mim algo que eu não sou -- uma prostituta", disse Ruby aos jornalistas que a rodeavam."Sempre neguei ter alguma vez tido sexo por dinheiro e, concretamente, nunca com Silvio Berlusconi. Quando tinha 17 anos mal sabia quem era Berlusconi. Agora percebo que há uma guerra contra ele que não me diz respeito", afirmou.El-Mahroug apareceu no tribunal em janeiro, para testemunhar, depois de ter faltado a duas convocações por estar de férias no México, mas não foi ouvida na ocasião porque o Ministério Público e os seus advogados tinham já acordado que a sua audição não era indispensável e que o tribunal podia basear-se nas declarações que fez à polícia.Berlusconi, 76 anos, é acusado de ter tido relações sexuais a troco de dinheiro quando era primeiro-ministro e Ruby tinha apenas 17 anos. O ex-primeiro-ministro é também acusado de abuso de poder, por em 2010 ter telefonado para uma esquadra de polícia para pedir que libertassem a jovem marroquina, detida por um furto.Berlusconi nega as acusações. Se for considerado culpado, pode ser condenado a uma pena de prisão de até 12 anos, embora seja improvável que tenha de a cumprir devido a uma disposição da lei italiana que protege os maiores de 70 anos nos casos de crimes não violentos.

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