Residentes reclamam "direito ao sentar" na Praça Paiva Couceiro em Lisboa

Em causa mobiliário urbano retirado durante a pandemia e que ainda não foi reposto.
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Um grupo de residentes na freguesia da Penha de França, em Lisboa, vai voltar a reclamar, na sexta-feira, o "direito ao sentar" na Praça Paiva Couceiro, onde mobiliário urbano retirado durante a pandemia ainda não foi reposto.

Na quarta-feira passada, o grupo decidiu sentar-se na praça repondo as 32 cadeiras em falta desde 2020, altura em que a Junta de Freguesia da Penha de França retirou os 12 módulos (mesa e quatro cadeiras cada) que ali existiam (tendo reposto quatro deles em 2021).

Segundo contou à Lusa Marta Gaspar, uma das residentes que participou na ação, três horas depois acorreu ao local uma equipa da junta de freguesia, acompanhada pela Polícia de Segurança Pública (PSP), ordenando a retirada das cadeiras, por não terem "autorização".

O material -- as cadeiras, as bandeirolas de arraial que haviam sido colocadas nas árvores e a faixa "Pelo direito ao sentar" -- foi levado por uma carrinha da junta para a central de limpeza da freguesia, de acordo com a mesma fonte.

Marta Gaspar foi identificada pela PSP em nome do coletivo que reclama o direito ao espaço público e a sentar-se sem a obrigação de fazer qualquer consumo (como acontece na esplanada do quiosque da praça) -- e que, para o efeito, criou uma página na rede social Instagram chamada Infraestrutura Pública.

"Queremos sentar-nos para conversar, descansar, jogar, comer, ler", reivindicam, numa publicação.

Questionada pela Lusa, a Junta de Freguesia da Penha de França reproduziu a resposta que já havia publicado em comentário a uma publicação no Instagram sobre a ordem de retirada das cadeiras levadas pelos residentes para a Paiva Couceiro.

A junta garante que "o reforço do espaço público para usufruto da população" é um dos seus objetivos e diz que já "foram recolocadas grande parte das mesas e cadeiras retiradas" durante a pandemia -- contas que não batem certo com as dos residentes, que dizem que apenas quatro dos doze módulos (um terço, portanto) foram repostos.

"Tendo em conta a ausência de um espaço central e ao ar livre para a organização de iniciativas culturais, desportivas ou exposições", a junta adianta que, depois do "contacto direto no local e discussão com quem usufrui do espaço", propôs à Câmara Municipal de Lisboa "uma nova distribuição do mobiliário urbano" na Paiva Couceiro.

A junta informa que o pedido "para a colocação imediata de mais mesas e cadeiras" naquela praça, feito em dezembro de 2021, ainda aguarda resposta da autarquia.

A Lusa já pediu esclarecimentos à Câmara Municipal de Lisboa, mas ainda não obteve resposta.

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