Recordações de Natal

O cheiro a castanha assada enche as ruas iluminadas pelos casacos e cachecóis de diversas cores. Em passo apressado compraram-se os últimos presentes de Natal, riscaram-se nomes das infindáveis listas e pensa-se nas tantas coisa que ainda há a preparar para o dia festivo: hoje. O bacalhau cozido, o bolo-rei, as fatias douradas e os troncos de Natal hão-de fazer deste o melhor Natal de sempre. Como sempre.<br />
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Tendo sido, inicialmente a época da celebração do solstício de Inverno, que podia acontecer entre os dias 17 e 25 de Dezembro, o dia 25 deste mês seria posteriormente apontado pelos cristãos como a data de nascimento de Jesus Cristo. A celebração do «Sol Vencedor», que afastava a escuridão, passava assim a incorporar também a celebração do nascimento do filho de Deus. A natividade. O natal.

Nos entremeios da correria que tradicionalmente marca esta época, há quem tenha aceitado o desafio da NS' para abrandar o passo e olhar à volta de forma a tentar descobrir o que se tem alterado nas celebrações natalícias e nos sentimentos que a rodeiam. As recordações dos melhores natais, presentes ou somente daquele doce tão bem confeccionado pela avó foram reforçando desejos e expectativas revelados em jeito de conversas de Natal.

Ao abrir o baú das recordações, Margarida Mercês de Mello encontrou ao de cima os natais da sua infância, quando, ainda em Luanda, uma caixa com lenços, sabonetes ou esferográficas fazia as delícias dos cinco irmãos com quem a partilhava. Tendo nascido em África, continente onde viveu até aos 16 anos, a apresentadora de televisão salienta as diferenças entre as comemorações em Angola e em Portugal. E a importância que pequenas lembranças tinham nas suas festas natalícias.

«O nosso pai era médico num seminário de Luanda, e todos os anos um padre vinha a nossa casa dar-nos um pacote cheio de coisas que adorávamos. Vinha um lenço - geralmente de rapaz [risos] -, uma esferográfica, um sabonete... coisas sem importância nenhuma, que nós adorávamos», recorda Margarida Mercês de Mello, que há alguns anos percebeu que o stress da altura do Natal era algo que a incomodava.

«Não gostei nada quando entrei na pressão dos presentes e percebi que todos os meus dias até ao Natal eram a antítese daquilo que deveria ser o Natal.» Por isso, conta, a família tomou algumas decisões que fizeram que esta altura passasse a ser vivida de uma forma um pouco diferente do habitual.
No ano passado, e por sugestão de um dos seus quatro filhos, foram contactados os primos, tios e demais familiares para chegarem a um acordo: ambas as partes - quem dá e quem recebe - prescindiriam dos seus presentes e, em alternativa, utilizariam o dinheiro para ajudar uma instituição que necessitasse de auxílio.

«Foi uma experiência de Natal em família muito interessante. Temos a certeza de que esse dinheiro, que ainda foi algum, serviu para ajudar pessoas que estavam efectivamente em dificuldades», garante.

Margarida Mercês de Mello ainda não sabe se este ano vão repetir a ideia, mas assegura que não vai voltar ao corrupio dos presentes entre centros comerciais cheios de gente e ruas congestionadas pelo trânsito da época, que fazem gastar demasiada energia e tempo em algo que devia ser, acima de tudo, um prazer.

Partilha e reencontro
O tempo, que se tornou um dos bens mais preciosos do século xxi, parece escoar-se mais rapidamente a cada dia que passa e a cada desafio que surge em termos económicos, políticos ou sociais. Na verdade, é quase um desafio pessoal.

Que o diga David Fonseca, que defende, por isso, que o Natal é o tempo dos reencontros, da partilha, do estar. O músico, que divide a vida entre os estúdios de gravação, os concertos por todo o país e a família, reserva os dias de Natal para estar em casa, a celebrar com os familiares. Porque é nos afectos, acredita, que as pessoas devem centrar-se durante esta quadra.
«Continuo a atribuir ao Natal o sentido religioso que fez nascer toda esta época e, mais do que um apelo consumista - que assola já grande parte do ano -, acho que é uma boa altura para nos focarmos nos nossos afectos e no que é realmente importante», diz.

O cantor e compositor português realizou, durante a última semana, oito concertos, o que o fez desdobrar-se em dois espectáculos por dia - todos esgotados -, mas assegurando sempre que a noite da consoada seria passada em casa, de preferência a comer fatias douradas, visto que «só as como no Natal», nota.

No álbum das melhores recordações desta época, além da banda sonora que inclui clássicos como «o incontornável Last Christmas, dos Wham», guarda com especial carinho a recordação dos «natais passados em casa dos meus avós, com a família toda reunida», quando «havia uma certa mística em torno de toda a época».

Mas para onde foi então a magia do Natal e porque usamos o tempo passado para falar da mística de uma época que geralmente fazia as delícias de todos? O que se perdeu ou se foi alterando por entre as luzes de Natal e as rabanadas em calda de açúcar? E está perdido, de facto, ou está somente escondido algures nas vidas de todos e de cada um?

Isabel Galriça Neto, directora da Unidade de Cuidados Paliativos e Continuados do Hospital da Luz, em Lisboa, e deputada do CDS-PP, acredita que a mística ainda não está perdida. Escondeu-se, ou escondemo-la, apenas, sob um manto de «desvirtuamento do espírito essencial do Natal». Mas garante que a recuperação é possível, e que este pode ser mesmo aquele ano em que as pessoas vão voltar a descobrir toda a magia da quadra.

«É importante desafiar as pessoas a perceber que, apesar das dificuldades, é possível e é uma questão de atitude manter o essencial do Natal», refere a médica. «Os tempos foram mudando, passou a viver-se menos as coisas por dentro e passou a atender-se muito mais ao aspecto comercial e "lúdico" do Natal, que não tem mal, mas que fica desvirtuado se for desacoplado daquilo que é o essencial da celebração», refere a deputada.

Com uma vida marcada pelo dar, Isabel Galriça Neto pede que se veja e intensifique «aquilo que se pode fazer mais especificamente por outros». E como os exemplos começam em casa, a deputada revela que na sua «é tradição tentar ajudar uma instituição todos os anos, e cada um reservar presentes com esse objectivo. Coincidência ou não, já há alguns anos que escolhemos a Ajuda de Berço - que enfrenta grandes dificuldades de financiamento - e este ano vai continuar a ser a mesma», garante.

No livro de memórias da médica e deputada são várias as recordações que a fazem sorrir. Dos natais de menina guarda aqueles em que vivia numa casa «onde havia uma lareira» e de cuja vivência retém duas imagens: «Os sapatinhos à lareira e os primos todos juntos, à espera do dia 25 de Dezembro. Era a magia de estarmos juntos», lembra com um brilho no olhar.
Mas como o Natal também é feito de petiscos e doçarias, Isabel Galriça Neto lembra ainda «alguns natais em Abrantes, a terra do meu pai. Lembro-me muito da questão culinária e do esmero dos doces». Além de recordar, mais recentemente, os «natais dos meus filhos: a luz, a cor, as velas, os presentes. As recordações do Natal através do olhar dos outros, neste caso dos meus filhos», acrescenta a médica, cujo cargo actual é quase como vários presentes de Natal oferecidos aos seus pacientes ao longo de todo o ano.

«Mais do que dar, é preciso dar-se»
No Hospital da Luz, onde dirige o serviço de Cuidados Paliativos e Continuados, em que trata pacientes em estado grave e em fim de vida, Isabel Galriça Neto esforça-se todos os dias por mostrar que estar vivo é uma bênção e que o Natal, «enquanto celebração da vida», deve ser vivido e celebrado sempre.

«No meu trabalho temos muito mais a consciência da vulnerabilidade e dos limites da própria vida. E incentivamos muito o carpe diem. Isto passa para os doentes, mas nós, enquanto profissionais, acabamos por incorporar a mensagem. Habituamo-nos a celebrar a vida!», confessa.

«Esta altura é muito sensível para os doentes e para as famílias. Os pacientes estão muito preocupados em chegar ao Natal. A nível dos hospitais, tentamos por um lado que aqueles para quem existe essa possibilidade passem as festas com a família. Mas também acolhemos famílias que, nos casos em que o doente não pode sair, vão celebrar a consoada com ele. E, no nosso caso particular, no Hospital da Luz, oferecemos mesmo a noite de Natal a um acompanhante, para que o doente não a passe sozinho», revela.

É um pequeno gesto que, mais do que oferecer algo aos pacientes, oferece uma presença que significa, para muitos, o melhor presente de Natal de sempre. Porque «muitas vezes é mais fácil dar presentes do que dar-se a si próprio ou dar afecto», lamenta Isabel Galriça Neto.

Um lamento partilhado pelo radialista Pedro Tojal, que nota que «hoje em dia as pessoas estão num lugar, mas não estão. Não se entregam. A entrega de estar somente à conversa, porque para além de darmos presentes o importante é também estarmos nós, presentes, ali».

O fundador do grupo de comunicação Digifi reforça que, para ele, o Natal «é essencialmente um tempo para as pessoas estarem juntas e para partilhar. É um tempo de partilha, mas não uma partilha só de presentes. É para as pessoas poderem conviver e poderem estar à mesa», porque, nota, «é importante que todos se sintam bem à mesa, onde há uma partilha inclusivamente com a natureza. Estamos a comer aquilo que ela nos dá. É uma forma interessante de ver as coisas, mas é verdade», conclui com um sorriso.

Uma partilha e um estar presente que faz mais sentido do que nunca, porque o simples facto de «as pessoas estarem juntas numa altura em que comemoram algo faz que as preocupações fiquem mais longe», refere o comunicador, que conta ainda que na rádio do seu grupo, a Fifm, uma das iniciativas de Natal passou por pedir aos mais pequenos que escrevessem uma frase sobre o que era para eles esta época do ano, e que foram lidas diariamente para os ouvintes, para que estes percebessem que «o Natal é feito de coisas simples».

Tão simples como a atenção, que segundo Margarida Mercês de Mello é uma das que têm vindo a perder-se com o estilo de vida que nas últimas três a quatro décadas marcou a evolução do país. «A melhoria do nível de vida em Portugal, nos últimos anos, foi muito boa, mas também conduziu a um aumento desenfreado do consumismo e as pessoas estão a trabalhar, a trabalhar, a trabalhar e não se dão a elas próprias. Não estão atentas», nota a apresentadora.

Simplicidade
Mónica Lice, consultora de imagem e blogger profissional, é da opinião que «as relações se foram deteriorando, especialmente pelo estilo de vida nas grandes cidades». A ex-advogada açoriana trocou a tranquilidade da ilha Terceira pela agitação lisboeta desde o tempo da faculdade. E considera que o mais importante é mesmo «dar atenção às pessoas que passam por nós sempre, porque as pessoas precisam de dar mais valor às relações humanas e esquecer um bocadinho os bens materiais», avisa.

«É difícil fugir ao consumo, mas as pessoas têm que perceber, ao mesmo tempo, que podem dar presentes umas às outras todo o ano e que oferecer prendas não é uma obrigação no Natal.» Numa área particularmente dominada pelo consumismo, como é o caso da moda e da beleza, Mónica Lice acredita que, apesar de tudo - e mesmo sendo o seu blogue («As Dicas da Mini-Saia») muito pouco pessoal -, consegue passar esta mensagem sobre a «não obrigação» natalícia aos seus cerca de 5500 leitores diários.

«Há duas frases que deveriam ser erradicadas do vocabulário», nota Margarida Mercês de Mello, que afasta também qualquer ideia de «obrigação» na compra de presentes de Natal: «Já despachei aquela pessoa» e «Comprei uma porcaria para...» A apresentadora rejeita palavras destas quando a procura de presentes deveria ser um motivo de alegria, de lembrança, de amizade, e não um momento de puro consumismo em que se «despacham pessoas».

Pedro Tojal, por seu lado, salienta que o consumismo tem que ver com «esta época de globalização e com o facto de as pessoas se agarrarem aos ecrãs» em todas as ocasiões, a ver coisas que «não dizem nada», mas que podem vender muito. O locutor de rádio lamenta ainda que sejam tantos os portugueses que hoje em dia «só sabem celebrar o Natal com um ecrã, seja ele a televisão, o computador ou os telemóveis».

E receia que a percepção do sentido do outro se vá perdendo por entre ecrãs, aplicações e informação a chegar de demasiados lados ao mesmo tempo. É por isso, também, que o radialista desafia as pessoas a olharem para aqueles que não conhecem e por quem passam todos os dias, e a fazer a experiência do dar. Somente dar.

«Começa pelo bom dia, pelo sorriso. É fácil: dar o bom dia, dar um sorriso, dar a vez no elevador... isso é dar! E é o mais importante que podemos fazer nesta altura, além de que não custa nada. São coisas que vão mudar o dia da outra pessoa e que vão deixar-nos felizes», acrescenta.

Isabel Galriça Neto corrobora esta necessidade de voltar a colocar o outro na nossa esfera de atenção e, para a deputada, que continua a ver e celebrar no nascimento de Cristo a essência desta quadra festiva, é muito claro que «quando se celebra o nascimento de Jesus Cristo celebra-se a modernidade da sua mensagem, que tem dois mil anos, mas que continua a ser actual em termos da essência do amor. E de facto nós existimos uns para os outros, para servirmos os outros e para sermos felizes», sublinha.

Também Margarida Mercês de Mello acredita que «seria uma boa inspiração se todos nós tentássemos seguir as histórias de Cristo». E, em jeito de recordação fugaz, lembra uma ida à Cova da Moura, com os filhos, para participarem numa festa de Natal, em que ficou impressionada com o espírito de entreajuda e de solidariedade entre os habitantes daquele que é considerado um dos bairros mais problemáticos de Lisboa.

«Acho que nos falta simplificar as coisas», resumiu Pedro Tojal, ao mesmo tempo que lançava o desafio: «Para simplificar, precisamos de ir à essência e perceber o que estamos a fazer. Mesmo muitas pessoas que professam a religião católica e que, obviamente, comemoram o Natal, nunca foram tentar perceber porque o celebram», conclui.

É, aliás, dessa simplicidade da qual tenta ser arauto que surgem algumas das suas melhores recordações de Natal. «Há muitos anos, era eu miúdo, houve um Natal muito frio num sítio onde não havia luz eléctrica sequer. Lembro-me daquele ambiente, de chegar à cama em que os colchões eram de palha de milho e as camas aquecidas por botijas de aguardente. Lembro-me da sensação de chegar à cama e de descansar e de ter uma grande sensação de felicidade partilhada», conta o homem da rádio, que gosta particularmente de passar o Natal no campo, onde pode absorver todos os cheiros e sabores tão particulares desta época.

Mas do saquinho das memórias saíram ainda as lembranças «dos natais dos miúdos, quando eram pequenos, que ao ouvirem o barulho do Pai Natal a chegar iam a correr...», recorda entre sorrisos de nostalgia.

David Fonseca não correu ao encontro do Pai Natal mas sentiu «os olhos quase a saltar das órbitas» quando viu que, um certo ano, lhe calhou no sapatinho «um computador ZX Spectrum 48K», que elevou automaticamente esse Natal àquele que «recordo com mais clareza». No entanto, não é nos presentes que o cantor acredita que esteja a real importância de toda a época.

Escutar com atenção
«O que é importante está, quase sempre, mesmo ao nosso lado, nos pormenores de todos os dias, nas pessoas que conhecemos e nos momentos que vivemos. É certo que também existem os grandes eventos, as grandes transformações, mas continuo a acreditar que as coisas mais incríveis da nossa vida estão quase sempre a correr de forma silenciosa, à espera que as escutemos com real atenção», afirma o músico em jeito de apelo.

É neste sentido que Isabel Galriça Neto desafia os portugueses a não esquecerem tudo aquilo que já têm nas suas vidas e a deixarem de se concentrar somente naquilo que ainda não têm. «É mais fácil nestas alturas olhar para o que não se tem e esquecer o que se tem. Mas as pessoas que se têm umas às outras, aos amigos, à família», não podem simplesmente esquecer-se disso, pede a deputada, que se diz, no entanto, solidária com «a grande chaga social do desemprego, que atinge a dignidade das pessoas». Ainda assim, pede, é preciso mudar de atitude e, ao mesmo tempo, lança o desafio da solidariedade àqueles que têm possibilidade de ajudar. O Natal, e em especial o deste ano, envolto numa neblina de dificuldades económicas e transformações sociais, pode ser «uma oportunidade para aqueles que têm recursos serem mais solidários. É uma oportunidade de poder dar mais e poder viver mais o espírito do Natal. Sabemos que há mais quem precise, portanto, há que ser mais solidário», resume.

A médica e deputada do CDS lança, em jeito de conclusão, um repto a todos os portugueses: que prolonguem «o espírito de Natal neste sentido de celebração da vida durante todo o ano, no sentido de estar atento aos que estão ao nosso lado. Algumas vezes pensa-se que é preciso fazer grandes coisas, mas eu acho que as pessoas são sensíveis aos pequenos gestos e pormenores», conclui.

Por seu lado, Margarida Mercês de Mello lembra que «é nos momentos difíceis que surgem excelentes ideias que nunca imaginámos que poderiam existir». A apresentadora apela a todos os portugueses para que não percam a esperança, um valor que tenta também passar todos os dias aos seus quatro filhos. «Tenham esperança no futuro. Mas não uma esperança pateta e sim uma esperança feita com um pouco de nós.»
Quem também partilha desta esperança e de uma vontade muito grande de «levar a cabo as mais loucas e variadas ideias» é David Fonseca. Apesar de achar difícil fazer projecções para o futuro, o músico acredita que «é sempre no trabalho que está a resposta a todas as crises». E é nesse sentido que o cantor espera «sempre pelo melhor» e caminha «sempre nessa direcção». Em casa, em cima de um palco ou pelas estradas nacionais e internacionais onde faz a sua carreira.

Também a consultora de beleza Mónica Lice chama a atenção para a necessidade de «mudar mentalidades». E é na linha da sua perspectiva de que as relações humanas são o que mais importa, não só no Natal, mas durante todo o ano, que a blogger elege e recomenda a música All I Want for Christmas Is You, da americana Mariah Carey, por ser uma das que mais fazem sentir-se dentro do espírito da quadra. De preferência acompanhada com um bolo de Natal dos Açores e seguida da Missa do Galo na sua igreja de sempre.

Já para Pedro Tojal o desafio a colocar a todos é simples, mas exige entrega, dádiva e partilha. «Gostava que cada pessoa, no Natal, vivesse o Natal. Gostava que cada um pudesse mesmo viver aquele momento para que, pelo menos naquele momento, ser mais feliz», diz. Lembrando, no entanto, que a mensagem fundamental da quadra é a da dádiva de cada um aos outros.
«Ao entregar-me vou dar alguma coisa. E logo vou receber. Se eu me entregar, eu recebo. Se não me entregar, não recebo. É simples. O mundo é feito de trocas. E, para este Natal, eu acho que isto é a única coisa que é viável. Se o fizermos, estamos a dar felicidade às pessoas que estão à nossa volta», conclui.
Fecham-se os baús das recordações, arrumam-se os desejos e as nostalgias. O passo de cada um acelera para se misturar com o da multidão que ultima os preparativos para o Natal.

Regressam às vidas diárias onde se dão a tantos e acolhem tantos outros numa atitude de entrega permanente. Onde se esforçam por passar a mensagem. Através de blogues, palcos, microfones, câmaras de televisão ou no simples corredor de um hospital.

Agradecimento:
Ao antiquário Álvaro Roquette-Pedro Aguiar Branco pela cedência do espaço nas fotos de Margarida Mercês de Mello e Mónica Lice.

Margarida Mercês de Mello
Apresentadora de televisão e mãe de quatro filhos a quem pede, todos os natais, que «tenham esperança no futuro». Vai entrar em 2011 com um novo programa sobre Angola, na RTP.

David Fonseca
Cantor e compositor português, natural de Leiria. Iniciou a sua carreira a solo em 2003 e este ano decidiu celebrar o Natal com uma série de oito concertos em que se apresentou sozinho no palco do Teatro São Luiz, em Lisboa.

Isabel Galriça Neto
Médica e deputada do CDS-PP, é directora da Unidade de Cuidados Paliativos e Continuados do Hospital da Luz e membro da sua direcção clínica. Presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, pede a todos os portugueses que celebrem a vida durante todo o ano, numa espécie de prolongamento das celebrações do Natal.

Pedro Tojal
Fundador do grupo Digifi que apresentou, no ano passado, a rádio Fifm onde assegura as direcções de programas e de informação, o ex-apresentador da Rádio Renascença acredita que é no «fazer-se presente» que se faz a diferença. No Natal e no resto do ano.

Mónica Lice
Consultora de beleza e criadora do blogue «As Dicas da Mini-Saia», fundado quando vivia na Guiné-Bissau. Tem mais de cinco mil leitores diários e apela a que as pessoas deixem de lado os bens materiais e se foquem nas relações humanas, especialmente durante o Natal.

Diário de Notícias
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