"Reagimos porque o Estado desertou do 1.º de Dezembro"

Ribeiro e Castro defende em entrevista ao DN a que a independência "é o mais importante valor coletivo nacional"
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Como vai celebrar a reposição do feriado do 1.º de Dezembro, após a sua luta contra a extinção?

Vamos comemorar com alegria e orgulho, reforçados pelo facto de as comemorações oficiais deste ano, nos Restauradores, contarem com o Presidente da República [PR] e o primeiro-ministro [PM], como nunca deveria ter deixado de acontecer e que já ninguém se lembra quando foi a última vez.

Vai manter-se a mobilização popular que o fim do feriado impulsionou?

É muito tradicional que na noite de 30 ou na madrugada do dia 1 haja celebrações e a comunicação social não vá. Este é o feriado civil mais comemorado em Portugal, por uma boa razão que se chama patriotismo. E nessas festas está sempre uma banda filarmónica, que é o protagonista central das comemorações. Não nos limitámos a protestar, também quisemos responder a um feriado descafeinado [pela forma como se celebrava] e inovámos nas celebrações de 2012.

Mas essa celebração já era pouco participada e nada fizeram...

Quem tem de fazer isso é o Estado. Se o PR e os governos não estão à altura das responsabilidades, é um problemas deles. Reagimos porque o Estado desertou do 1.º de Dezembro e quisemos contrariar isso. A cerimónia em que vão estar o PR e o PM nunca deixou de se realizar. Esse ato central nunca foi interrompido. Fizemos coisas novas de que temos orgulho, como o desfile das bandas filarmónicas. Estamos a institucionalizar um concerto com a banda da Armada e um grande projeto com tunas académicas, em todo o país, a cantar Portugal.

É preciso ser feriado para celebrar a independência?

A independência é o mais importante dos valores coletivos nacionais, em que celebramos a nossa existência, e se há dia que merece ser feriado, é este. Na Europa, quase todos os países celebram a independência. E os Bálticos têm dois, o da formação da nação e o de quando se libertaram da ex-URSS. É um valor fundamental, por isso, sim, merece ser feriado.

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