Foi a 22 de outubro de 1967 que entrou em funcionamento o Emissor Regional da Madeira, da então Emissora Nacional (EN), no número 27 da rua dos Netos, no Funchal..Em 1976 foi criada a Radiodifusão Portuguesa, com uma delegação na Madeira, que em 1996 adotou a atual designação de Antena1-Madeira e, em 2005, ficou como Rádio e Televisão de Portugal (RTP) da região. .Para o diretor da RTP/Madeira, Martim Santos, esta data está carregada de simbologia. . "Os 50 anos da rádio no arquipélago da Madeira reafirmam a atualidade da nossa missão, enquanto prestador de serviço público, permitem uma chamada de atenção para os tempos desafiantes que vivemos atualmente, neste setor, principalmente a nível tecnológico, mas também permitem fazer uso da notável capacidade de adaptação reconhecida à rádio para, de uma forma inovadora e ambiciosa, vencer este desafio", declarou..O responsável reconheceu também a "importância da rádio na história recente", patente naquele que foi o primeiro ensaio para a hoje Antena3 quando, em 1989, se lançou na Madeira o canal de frequência modelada, Super FM, o primeiro canal vocacionado para a música e para os jovens..Na região, o canal de FM da Antena3-Madeira existe desde 1996..A história da rádio pública na Madeira passa também pelo período de transição da ditadura para a democracia e para a criação da Região Autónoma da Madeira, ao acompanhar a instabilidade política e social da altura, tendo sido, inclusive, alvo da luta independentista da Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira (FLAMA) em dois momentos distintos..O primeiro alvo de uma bomba da FLAMA foram precisamente as instalações da Emissora Nacional, no dia 09 de agosto de 1975, às 02:45: "200 gramas de dinamite causam poucos estragos", recorda o documentário "Uma história da Autonomia", da autoria do jornalista Paulo Santos, emitido pela RTP em 2016,.Depois deste primeiro ataque bombista da FLAMA, a rádio pública foi atacada uma segunda vez, a 22 de agosto de 1975. Desta feita a bomba foi colocada no centro emissor situado na freguesia do Monte, no Funchal, com estragos avultados e "com um impacto mediático maior". .A operação foi levada a cabo pela FLAMA porque a "programação da rádio não agradava"..A história não se fica por aqui, já que, a 07 de outubro do mesmo ano, um grupo de retornados das ex-províncias Ultramarinas liderado pelo capitão miliciano João Machado, com ligações ao movimento independentista, ocupou os estúdios..Segundo o documentário, pela cidade circulava a notícia de que a FLAMA estava por detrás da ocupação e se preparava para declarar a independência da Madeira, algo que acabou por não acontecer. .O que estava "para ser uma intervenção transforma-se em ocupação", com um resultado final de "avultados danos materiais e 70 feridos".