Putin pede ao G20 reconhecimento mútuo de vacinas

Dezenas de organizações pediram aos líderes do G20 que desbloqueiem a oferta global de vacinas contra a covid-19, denunciando que apenas 3,1% das pessoas dos países mais carenciados receberam pelo menos uma dose.
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O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu este sábado aos demais líderes do G20 o reconhecimento mútuo das vacinas face ao que considerou como "concorrência desleal" e "protecionismo" de alguns países.

"Gostaria de destacar o facto de que, apesar das decisões do G20, o acesso às vacinas e outros recursos vitais ainda não é possível para todos os países", declarou Putin durante a sua intervenção por videoconferência na cimeira dos principais países industrializados e emergentes do mundo.

"Isto ocorre, creio, entre outras coisas, devido à concorrência desleal, ao protecionismo e ao facto de uma série de países, incluindo membros do G20, não estarem dispostos a reconhecer mutuamente vacinas e certificados", afirmou, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

A Rússia foi o primeiro país do mundo a autorizar uma vacina contra o novo coronavírus, em agosto de 2020, a Sputnik V.

Dezenas de organizações pediram aos líderes do G20 que desbloqueiem a oferta global de vacinas contra a covid-19, denunciando que apenas 3,1% das pessoas dos países mais carenciados receberam pelo menos uma dose.

Num comunicado divulgado hoje, a People's Vaccine Aliance, uma coligação de mais de 75 organizações incluindo a Oxfam, Amnistia Internacional, Aliança Africana, Global Justice Now, entre outras, alertam para incapacidade de combater a desigualdade global de vacinas contra o novo coronavírus, sublinhado que os países do G20 deviam renunciar à propriedade intelectual e partilhar a tecnologia das vacinas, diagnósticos e tratamentos covid-19.

A cimeira dos representantes das maiores economias do planeta tem as as alterações climáticas e o combate à pandemia de covid-19 no topo da agenda.

Em relação à questão da pandemia, os líderes do G20 devem reiterar a promessa de disseminar vacinas de forma homogénea em todo o globo, apesar de ser cada vez mais ténue a esperança inicialmente declarada de conseguir vacinar 40% da população mundial até final do ano.

O G20 representa 60% da população mundial e mais de 80% da riqueza a nível mundial.

O primeiro-ministro italiano, Mário Draghi, abriu este sábado em Roma a cimeira do G20, pedindo aos líderes maior colaboração internacional para enfrentar a pandemia, promover a recuperação económica global, a luta contra as mudanças climáticas e construir um "novo modelo económico".

"Estamos a construir juntos um novo modelo económico, do qual o mundo vai beneficiar", afirmou o ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) no discurso de abertura da reunião de chefes de Estado e de Governo das maiores economias do mundo, que decorre hoje e domingo, na capital italiana.

No seu primeiro encontro presencial desde o início da pandemia, o G20 abordará temas como o compromisso de atingir a descarbonização até 2050, a imposição de um imposto mínimo de 15% para as grandes empresas multinacionais e como aumentar o envio e a produção de vacinas, nos países mais vulneráveis e com menos recursos.

"A pandemia manteve-nos separados, como fez com todos os nossos cidadãos. E, mesmo antes disso, enfrentamos protecionismo, unilateralismo, nacionalismo. Mas, quanto mais enfrentamos todos os nossos desafios, mais claro fica que o multilateralismo é a melhor resposta para os problemas de hoje", disse Draghi.

"Em muitos aspetos, é a única resposta possível. Da pandemia às mudanças climáticas e aos impostos justos e equitativos, ficar sozinho não é uma opção. Devemos fazer todo o possível para superar as nossas diferenças. E é preciso reavivar o espírito que levou à criação deste grupo", acrescentou.

A reunião deste fim de semana conta com a presença dos presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, de França, Emmanuel Macron, da Argentina, Alberto Fernández, e do Brasil, Jair Bolsonaro, entre outros chefes de Estado, assim como do chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, e do ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, em representação do Presidente Andrés Manuel López Obrador.

Mário Draghi lembrou que a pandemia está gradualmente a desaparecer, com o avanço da campanha de vacinação e os planos de governos e bancos centrais para que "a economia mundial recupere" e tenha início um processo de crescimento sustentável, sem desigualdades.

Contudo, avisou que o coronavírus não desapareceu e que o progresso na imunização das populações é desigual, algo que descreveu como "inaceitável" e uma ameaça à recuperação económica global.

O primeiro-ministro italiano encorajou os países a continuarem os seus esforços para vacinar 40% da população mundial até ao final de 2021 e 70% até meados de 2022, uma meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ao mesmo tempo que prosseguem os investimentos em investigação, se eliminam "as barreiras comerciais que afetam as vacinas covid-19" e se melhora "a previsibilidade da sua aplicação".

Antes do início da reunião, Mário Draghi cumprimentou brevemente, um a um, os vários líderes que iam chegando e que entraram, depois, na sala onde decorreu a primeira sessão do encontro, dedicada à economia global e saúde.

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