Público satisfeito com a música aponta críticas à organização

Promotor ficou satisfeito com os resultados conseguidos
Publicado a
Atualizado a

O Oeiras Alive ! 07 abriu a temporada de festivais em Portugal mas a época de exames com a qual coincidiu e os preços (45 euros para um dia e o dobro para os três) afastaram algum público. Joana, uma estudante de 23 anos, viajou desde Évora para Lisboa, mas voltou para logo após a primeira noite "por não ter um parque de campismo onde ficar" e estar "em pleno período de exames".

Os Pearl Jam foram a banda mais procurada, o que se reflectiu também na banca de merchandising. Ainda assim, muitos foram os que não puderam gastar mais dinheiro em produtos diversos devido ao custo dos bilhetes. João Silva, de Camarate, queixou-se do facto de "45 euros ser um preço impraticável para o pessoal novo", o que limitou, à partida a sua presença em mais do que um dia festival. Para este "festivaleiro", as queixas estenderam-se à "deficiente coordenação com os transportes", nomeadamente o comboio. "No primeiro dia, tive que apanhar um táxi à saída e, mesmo assim, esperei mais de meia hora para conseguir um". Todavia, nem tudo foi mau para este empregado de escritório de 28 anos. "Não tive problemas com a comida e o preço da cerveja era mais baixo que o habitual", referiu. Mesmo assim, "não sei se vou a mais festivais porque a carteira não estica e tenho outros planos para o Verão".

O Oeiras Alive ! 07 marcou o arranque da promotora Everything Is New em festivais. Álvaro Covões, o sócio principal da empresa, manifestou-se "extremamente satisfeito" com os resultados obtidos, que ficaram "ao nível das nossas expectativas". Para o antigo sócio da Música no Coração, o único percalço registado teve a ver com a "entrada de pessoas no recinto, na primeira noite" porque "chegou toda a gente ao mesmo tempo". Ainda assim, "não houve filas nem esperas de uma hora". Sobre a mensagem ambiental, central ao discurso do festival, Álvaro Covões considera que a ideia passou, ressalvando ainda o facto de apenas fora do espaço do festival haver papéis espalhados pelo chão.

Sobre se o mercado português de concertos ganhou ou perdeu com a separação da Música no Coração (e criação da Everything Is New), a opinião generalizada defende que a concorrência traz vantagens. "O número de concertos aumentou e hoje vêm cá quase todas as bandas", disse ao DN Ricardo Oliveira, melómano confesso e fã dos White Stripes. "Basta olharmos para o cartaz do Alive e do Super Bock Super Rock para vermos que estamos numa fase muito alta de espectáculos em Portugal", explicou.
Igualmente positiva foi a impressão sobre a música no Oeiras Alive ! 07, nomeadamente em relação aos nomes principais do cartaz. "É raro ter bandas tão fortes num festival", dizia-nos João Carlos, um electricista de Almada, que apontou um senão: "A distância para entre os dois palcos é muito grande e depois as bandas que tocam no secundário não têm lá ninguém a ver", referiu ainda. Já Miguel Silva, de Lisboa, não tem dúvidas em concluir que "no próximo ano vou cá estar outra vez porque adorei a experiência neste festival.”

Diário de Notícias
www.dn.pt