Programa de humor com ciganos gera queixas

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Televisão. A presidente do ACIDI revelou ontem na conferência da ERC que recebeu queixas quanto ao humor que brinca com as comunidades. 'Os Contemporâneos' passaram a cena de um casamento 'gay' na comunidade cigana, mas Bruno Nogueira, em declarações ao DN, diz não haver qualquer preconceito

'Contemporâneos' caricatura casamento 'gay'

Uma polémica contemporânea. O humor de Bruno Nogueira, Manuel Marques e Dinarte Branco em Os Contemporâneos foi alvo de críticas por causa do sketch que reproduzia um casamento cigano... gay.

"Recebemos queixas em relação ao humor que passou ontem [quinta-feira] num canal, que brincava com as comunidades", revelou ontem Rosário Farmhouse, presidente do ACIDI (Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural) na conferência da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). A referência era indirecta, mas o único programa de humor que passou naquele dia na televisão a brincar com comunidades foi Os Contemporâneos, da RTP1.

O sketch de humor criava cenas de um casamento gay entre membros da comunidade cigana. No matrimónio, protagonizado por Dinarte Branco e Manuel Marques, o humorista Bruno Nogueira fez de Joaquín Cortés, dançando em cima da mesa da boda.

Esclarecendo que o objectivo era brincar com um tema actual (o casamento gay, impedido em Portugal), Bruno Nogueira disse ao DN que o verdadeiro sentido do programa foi procurar uma situação "improvável de acontecer". Defendendo-se das declarações em causa, Bruno Nogueira diz que nem os humoristas que deram vida ao skecth nem os argumentistas tiveram a intenção de atacar ninguém. "Para nós é tão natural como brincar com outra etnia ou mesmo com brancos", disse.

Questionado sobre se no humor vale tudo, o humorista disse "não", mas "é normal que o humor afecte algumas sensibilidades". Sem esperar esta reacção, o humorista frisa que "o objectivo nunca é denegrir, mas sim que toda a gente se divirta ... até os próprios visados" .

"Se tivéssemos algum preconceito, a maneira mais interessante para o demonstrar não seria, com certeza, num programa da estação pública às 22.00", concluiu.

Rosário Farmhouse criticou ainda os media e alertou para o facto de estes, muitas vezes, "criarem estereótipos". - com A.M.

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