Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para o barítono Jorge Chaminé

Instituída em 2013, esta distinção já foi atribuída a figuras como Anne Teresa De Keersmaeker, José Tolentino Mendonça, Orhan Pamuk, Wim Wenders ou o cartoonista Plantu.
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O barítono Jorge Chaminé, presidente do Centro Europeu de Música, é o vencedor da edição de 2023 do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural. Este reconhecimento europeu presta homenagem ao trabalho de quem o júri considerou um dos maiores embaixadores artísticos e intelectuais do património cultural europeu, tanto imaterial quanto material.

Presidido por Maria Calado, presidente do Centro Nacional de Cultura, o júri foi composto ainda por especialistas nos campos da cultura, património e comunicação de vários países europeus: o empresário Francisco Pinto Balsemão (Portugal), Piet Jaspaert (Bélgica), vice-presidente da Europa Nostra, João David Nunes, vice-presidente do Clube Português de Imprensa, Guilherme d'Oliveira Martins, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, Irina Subotić (Sérvia), presidente da Europa Nostra Sérvia, e Marianne Ytterdal (Noruega), membro do Conselho desta instituição. Na declaração de voto, pode ler-se "Após uma carreira internacional de grande sucesso como barítono, durante a qual apresentou e divulgou o património cultural da Europa em muitos teatros de ópera e salas de concerto não só na Europa como no resto do mundo, Jorge Chaminé decidiu dedicar os últimos 20 anos da sua vida à promoção do espírito e identidade europeus através da música (...)".

Nascido no Porto, filho de mãe espanhola e pai português, Jorge Chaminé há muito que ocupa um lugar de destaque no mundo do canto lírico internacional. Discípulo de Lola Rodríguez Aragón, Hans Hotter e Teresa Berganza, possui um vasto repertório que vai de Bach a Xenakis (que escreveu uma obra para a sua voz), das óperas de Mozart a óperas contemporâneas, do tango às liturgias hebraicas ou tibetanas, da Bossa Nova a Cole Porter ou às canções ciganas. Atuou como solista com a Orquestra Sinfónica de Boston, a Orquestra Sinfónica de Londres, a Orquestra Filarmónica Checa, a Orquestra Filarmónica de Berlim, a Orquestra Gulbenkian ou o Ensemble Intercontemporain, sob a direção de maestros como Yehudi Menuhin, Seiji Ozawa, Giuseppe Sinopoli, Michel Corboz ou Plácido Domingo.

Para além da carreira como intérprete, Jorge Chaminé dedicou toda a sua vida à promoção dos ideais europeus servindo-se da música como veículo privilegiado da identidade e consciência cultural da Europa aberta ao mundo. Em 1993, recebeu a Medalha dos Direitos Humanos da UNESCO, em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido com crianças, e foi nomeado embaixador da Boa Vontade da organização Music in Me (Music in Middle East), tendo desenvolvido nos países dessa região vários programas de ensino e prática musicais, nomeadamente nos campos palestinianos. Realizou em maio de 2005, por ocasião dos 60 anos da criação da UNESCO, um concerto de homenagem a Aristides de Sousa Mendes. Foi presidente-fundador e diretor artístico do Festival CIMA na Toscana e criou em 2000 a associação Georges Bizet, de que é vice-presidente.

Foi criador do Festival Ibériades de Paris, de que é ainda diretor artístico, e é também diretor do Festival de Bougival. Em 2018 foi condecorado como Officier da Ordem das Artes e Letras pelo ministro da Cultura francês e, no ano seguinte, recebeu a Medalha Grand Vermeil da Cidade de Paris. Jorge Chaminé foi também nomeado embaixador para a Paz e Justiça dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas "Agenda 2030 NOW".

Instituído em 2013, este Prémio Helena Vaz da Silva já distinguiu a maestra ucraniana Oksana Lyniv (2022), a coreógrafa de dança contemporânea belga Anne Teresa De Keersmaeker (2021), o poeta português e bibliotecário da Biblioteca do Vaticano José Tolentino Mendonça (2020), a física italiana Fabiola Gianotti (2019), a historiadora e locutora britânica Bettany Hughes (2018), o cineasta alemão Wim Wenders (2017), o cartoonista editorial francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o filósofo português Eduardo Lourenço (ex aequo, 2016), o músico e maestro espanhol Jordi Savall (2015), o escritor turco e Prémio Nobel Orhan Pamuk (2014) e o escritor italiano Claudio Magris (2013).

A cerimónia de atribuição do prémio a Jorge Chaminé terá lugar em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, a 23 de outubro, às 18h00.

Recorde-se que Helena Vaz da Silva (1939-2002), que dá nome ao prémio, foi presidente do Centro Nacional de Cultura durante 24 anos, jornalista (foi fundadora do Expresso e trabalhou na RTP e na antiga agência ANOP). Em 1987, integrou o Conselho Consultivo da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e de 1989 a 1994 foi presidente da Comissão Nacional da UNESCO, mandato que coincide com o de Federico Mayor como diretor geral da organização. Em 1992, é membro do Conselho de Orientação para os Itinerários Culturais do Conselho da Europa e em 1994 foi eleita deputada ao Parlamento Europeu pelo PSD.

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