De manhã os VIP. À tarde o povo. Foi assim ontem a inauguração da ponte da Lezíria, entre o Carregado e Benavente, que contou com a presença do primeiro-ministro José Sócrates, e do ministro dos Transportes, Mário Lino, entre as figuras públicas da sessão matinal, seguindo-se, a partir das 15.00, um arraial em pleno tabuleiro da nova travessia sobre o Tejo com José Cid e os The Gift como cabeças de cartaz..Aberta hoje ao trânsito, a ponte faz a ligação entre a A9 - CREL, a A10 (auto-estrada Bucelas/Carregado)/ IC13, a A1-auto-estrada do Norte, no Carregado, e a A13- auto-estrada Almeirim-Marateca, em Benavente. O novo troço de 12 quilómetros permite que o tráfego proveniente do norte do região Oeste, bem como da Área Metropolitana de Lisboa, escoe para o Alentejo e o Algarve (através da A2) sem atravessar a capital. .Com esta alternativa de travessia do Tejo, prevê-se o descongestionamento do trânsito nas pontes 25 de Abril, Vasco da Gama e de Vila Franca de Xira, assim como nas estradas nacionais 10 (entre Porto Alto e Vila Franca) e 118 (Porto Alto/Benavente). .António Laranjo, presidente da EP - Estradas de Portugal, disse ontem que a nova travessia permitirá desviar pelo menos 12 mil automóveis ligeiros, 50 camiões e 170 veículos comerciais. .Vasco Melo, presidente da Brisa, sublinhou que a ponte é uma "referência da construção sustentável nas obras públicas". A Brisa investiu 2,9 milhões de euros em medidas de gestão ambiental para assegurar uma menor intrusão no rio e na área sensível do estuário do Tejo e dos terrenos agrícolas da Lezíria. .José Sócrates referiu a importância da nova ponte como contributo para o reforço da identidade regional, para a melhoria da qualidade de vida e da segurança rodoviária. E destacou a observância das normas ambientais e a inovação tecnológica da travessia, que oferece aos clientes da Via Verde um novo sistema de cobrança de portagens. .Prevista estava uma manifestação dos utentes da saúde de Alenquer, que o primeiro-ministro garantiu desconhecer, afirmando que terá "o maior gosto em ouvi-los". Em Alenquer, dos 40 mil utentes inscritos, 11 mil estão sem médico de família, o que corresponde a 25% da população residente no concelho, onde o tempo de espera por uma consulta chega a ser de três meses. .Questionado sobre se a separação da inauguração oficial da festa popular seria uma forma de evitar as vaias que tem recebido nas aparições públicas, o chefe do Executivo afirmou que "um político tem de saber conviver com os apupos e com os aplausos", e acrescentou: "Eu já fui muitas vezes aplaudido e o contrário, não tenho nenhum receio disso". .Depois da sessão formal ao final da manhã, a inauguração continuou, à tarde, com a festa popular, que obrigou a uma operação da Brigada de Trânsito da GNR de controlo dos acessos à ponte, recomendando a quem pretendia assistir ao espectáculo que estacionasse em Benavente, nos parques junto às piscinas. Ali, a Brisa oferecia transporte para o local. A organização estima que tenham ido ao arraial cerca de três mil pessoas. |com LUSA